IMPCG fecha 2025 com R$ 128 milhões de resultado positivo, mesmo com caso Master

O Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) divulgou um balanço financeiro robusto para o ano de 2025, registrando um resultado patrimonial positivo de R$ 128,29 milhões. Apesar de ter R$ 1,427 milhão atrelado ao caso do Banco Master, o instituto demonstrou resiliência, alcançando uma rentabilidade de 12,42% em sua carteira de investimentos, superando a meta estabelecida de 9,34%.

A audiência que apresentou as contas foi conduzida pelo diretor-presidente do IMPCG, Marcos Cesar Malaquias Tabosa. As demonstrações contábeis revelaram um cenário complexo, com um déficit orçamentário de R$ 112 milhões, que foi parcialmente coberto por um aporte de R$ 104,79 milhões do Tesouro Municipal. No entanto, o patrimônio líquido encerrou o ano negativo em R$ 10,26 bilhões, reflexo de obrigações previdenciárias de longo prazo.

Um ponto de atenção foi o investimento de R$ 1,2 milhão em uma letra financeira do Banco Master, que em novembro de 2025, quando a instituição teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, estava registrado em R$ 1.427.697,59. Contudo, o IMPCG obteve uma decisão judicial provisória que permite o depósito do valor em conta judicial, com a expectativa de recuperação integral ao final do processo.

Superação da Meta de Rentabilidade

A carteira de investimentos do IMPCG fechou 2025 com R$ 31.813.961,30 aplicados, e o desempenho foi significativamente positivo. Victor Hugo Gomes, consultor de investimentos e sócio da Crédito Mercado, destacou que a rentabilidade atingiu 12,42%, um patamar consideravelmente acima da meta de 9,34% definida para o período. Essa performance robusta contribuiu para o resultado patrimonial positivo.

As demonstrações contábeis detalham que os ganhos com investimentos somaram R$ 6.018.537,12, enquanto as perdas e desvalorizações totalizaram R$ 561.627,40. A diferença positiva de R$ 5.456.909,72, registrada também no fluxo de caixa como rendimento de aplicações financeiras, foi crucial para manter o desempenho da carteira acima do esperado.

Caso Master e a Resiliência da Carteira

O impacto do caso Banco Master sobre o conjunto dos recursos do IMPCG foi minimizado, segundo o consultor Victor Hugo Gomes. Ele afirmou que, ao analisar a carteira como um todo, não houve um impacto significativo. Essa resiliência pode ser atribuída à composição da carteira, que concentrou a maior parte dos recursos em investimentos de menor risco.

Gomes explicou que a carteira do IMPCG é predominantemente composta por títulos públicos e renda fixa. As taxas de juros elevadas ao longo de 2025 favoreceram esse tipo de aplicação, ajudando a amortecer eventuais perdas e a garantir um retorno consistente. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a estratégia de diversificação e a escolha por ativos mais seguros foram fundamentais para a estabilidade financeira do instituto.

Recuperação do Valor Investido no Banco Master

O investimento do IMPCG no Banco Master, realizado em abril de 2024 com vencimento em abril de 2029, representou um desafio. No entanto, o instituto agiu prontamente para mitigar os prejuízos. Ao ser questionado sobre a aplicação na instituição financeira, Victor Hugo Gomes declarou: “A aplicação foi de um milhão e quatrocentos, onde já está sendo recuperado esse recurso com a gestão do IMPCG”.

O balanço não trata os R$ 1,427 milhão como perda definitiva. A obtenção da decisão judicial provisória para depositar o valor em conta judicial é um passo crucial para a compensação e futura recuperação. O IMPCG prevê o levantamento do dinheiro ao final da ação judicial, com as devidas atualizações, demonstrando uma gestão proativa diante de adversidades financeiras, como apurado pelo Campo Grande NEWS.

Déficit Orçamentário e Aporte Municipal

Apesar do resultado patrimonial positivo, as contas de 2025 apresentaram um déficit orçamentário de R$ 112.058.720,22. O instituto registrou uma arrecadação de R$ 592.421.922,48 e despesas totais de R$ 704.480.642,70. Desse montante, R$ 668.176.429,27 foram efetivamente pagos, com R$ 36.304.213,43 pendentes de pagamento.

É importante diferenciar o déficit orçamentário do resultado patrimonial. Enquanto o primeiro compara arrecadação com despesas orçamentárias, o segundo engloba as variações nos ativos, passivos e provisões. Para cobrir o déficit orçamentário, o IMPCG recebeu um aporte significativo de R$ 104.790.957,31 do Tesouro Municipal. Essa colaboração do poder público foi essencial para equilibrar as contas do instituto, conforme detalhado em reportagem do Campo Grande NEWS.

Patrimônio Líquido e Projeções Futuras

O patrimônio líquido do IMPCG encerrou 2025 com um saldo negativo de R$ 10,264 bilhões. Essa situação é explicada pelas obrigações previdenciárias projetadas para o longo prazo. O passivo não circulante inclui R$ 10,330 bilhões em provisões para benefícios já concedidos e aqueles que serão pagos no futuro, o que é uma característica comum em fundos de pensão.

A apresentação das contas de 2025 pelo IMPCG evidencia a capacidade do instituto de gerenciar seus investimentos e superar metas, mesmo diante de desafios como o caso Banco Master. A recuperação dos valores e a rentabilidade acima do esperado demonstram a solidez da gestão de investimentos, enquanto o aporte municipal e as provisões de longo prazo apontam para a necessidade de planejamento contínuo para garantir a sustentabilidade financeira do instituto. A transparência nas divulgações reforça a confiança dos segurados e da sociedade nas finanças do IMPCG.