O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu um procedimento administrativo para investigar um grave episódio de poluição no Córrego Imbirussu, em Campo Grande. O caso ganhou destaque após reclamações de moradores sobre mau cheiro intenso e relatos de uma significativa mortandade de peixes nas proximidades do trecho entre os bairros Vila Almeida e Jardim Zé Pereira. Laudos ambientais já confirmaram altos índices de contaminação por coliformes e outros poluentes orgânicos, superando em muito os limites permitidos pela legislação.
A investigação teve início após o rompimento de uma tubulação de esgoto em 20 de janeiro de 2025, na altura da Avenida José Barbosa Rodrigues. O incidente resultou no descarte direto de resíduos no curso d’água, gerando preocupação e indignação na comunidade local. O Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) realizou vistorias e análises que comprovaram a extensão do problema, conforme informação divulgada pelo Campo Grande NEWS.
Diante dos fatos, o Imasul aplicou uma multa no valor de R$ 50 mil à concessionária Águas Guariroba. A empresa, no entanto, recorreu da autuação, apresentando argumentos que incluem a alegação de força maior devido a chuvas intensas e um deslizamento de barranco que teria provocado o rompimento. A concessionária também contestou a legalidade da multa aplicada pelo órgão estadual.
Imasul constata contaminação severa e mortandade de peixes
Durante a inspeção realizada pelo Imasul, foi constatada uma extensa mortandade de peixes a cerca de 400 metros do local exato do vazamento. Exames laboratoriais posteriores revelaram a presença de coliformes fecais, um indicador direto de contaminação por esgoto. Além disso, os níveis de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), um dos principais indicadores de poluição orgânica em corpos d’água, apresentaram um índice alarmante, 460% acima do limite estabelecido pela legislação.
Outro dado preocupante apontado pelos laudos foi o índice de fósforo, que se encontrava 685% superior ao permitido. Esses resultados evidenciam a gravidade da poluição que atingiu o Córrego Imbirussu, comprometendo a qualidade da água e a vida aquática. Com base nesses achados, o Imasul não apenas multou a Águas Guariroba, mas também exigiu a apresentação de relatórios de monitoramento e um plano detalhado de prevenção contra futuros acidentes.
Concessionária recorre e alega força maior
A Águas Guariroba apresentou recurso contra a multa aplicada pelo Imasul, levantando diferentes argumentos. A empresa questionou a atribuição legal do órgão estadual para aplicar a sanção, sugerindo que a fiscalização caberia à Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Além disso, a concessionária alegou que o rompimento da tubulação ocorreu por um evento de força maior, especificamente chuvas intensas que teriam causado erosão e um deslizamento de barranco na área.
Em nota oficial, a concessionária detalhou que o incidente em janeiro de 2025 foi desencadeado pelo deslizamento de um barranco, que acabou derrubando duas árvores sobre a rede de esgoto. A empresa classificou o ocorrido como um “evento excepcional e alheio ao controle da concessionária”. A Águas Guariroba informou que agiu prontamente, mobilizando equipes que conseguiram remover as árvores e desobstruir a área, normalizando o sistema em cerca de quatro horas.
A concessionária também afirmou que análises posteriores demonstraram que os parâmetros ambientais não foram alterados significativamente, permanecendo dentro dos padrões legais. A empresa ressaltou seu compromisso com a manutenção da infraestrutura de saneamento e a preservação dos recursos hídricos em Campo Grande, conforme o Campo Grande NEWS checou.
Moradores relatam acúmulo de lixo e transbordamento
Em uma visita ao local nesta terça-feira (11), o Campo Grande NEWS registrou um cenário preocupante, com acúmulo de lixo às margens do córrego, incluindo sofás velhos, carcaças de animais e restos de poda. A água apresentava coloração esverdeada, um sinal de deterioração ambiental. Moradores locais relataram que, em períodos de chuva intensa, o esgoto chega a transbordar, intensificando o mau cheiro na região.
Próximo ao cruzamento com a Rua Pinto d’Água, grandes volumes de entulho foram encontrados dentro do córrego, misturados a resíduos plásticos e outros detritos. Apesar de as margens aparentarem ter passado por uma limpeza recente, ainda era possível observar sacos de cimento e entulhos próximos à vegetação. A situação evidencia a necessidade de ações contínuas de limpeza e conscientização ambiental, como apontado pelo Campo Grande NEWS.
O procedimento no MPMS continua em andamento, com a expectativa de inclusão de novos laudos e manifestações dos órgãos e partes envolvidas. A investigação visa determinar as responsabilidades e as medidas cabíveis para a recuperação ambiental do Córrego Imbirussu e a prevenção de novos incidentes de poluição.

