Jovem envolvido em latrocínio de taxista morre em confronto com a polícia

Um jovem de 24 anos, que em 2020 esteve envolvido no latrocínio de um taxista em Campo Grande, morreu na noite de segunda-feira (10) após um confronto com policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Jean Gabriel Rapini de Souza foi baleado durante uma abordagem na Vila Duque de Caxias e, segundo a PM, reagiu atirando contra os policiais.

Ele chegou a ser socorrido e levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vila Almeida, mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito na unidade de saúde. O caso, que também envolveu a apreensão de drogas, será investigado pela Polícia Civil.

A trajetória de Jean Gabriel Rapini de Souza foi marcada pela violência desde a adolescência. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, ele tinha apenas 17 anos quando foi apreendido por participação no latrocínio do taxista Luciano Barbosa Franco, de 44 anos, ocorrido em abril de 2020. Naquela ocasião, o taxista desapareceu após sair para trabalhar e seu corpo foi encontrado dias depois com marcas de arma de fogo.

A investigação policial da época identificou Jean como um dos envolvidos no crime, que foi classificado como latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte. Registros policiais consultados pelo g1 indicam que, mesmo antes e depois de completar 18 anos, Jean esteve envolvido em outras ocorrências, incluindo receptação, roubos, associação criminosa e porte de armas.

Já na vida adulta, em 2025, Jean Gabriel Rapini de Souza acumulou registros policiais por violência doméstica, com acusações de ameaça, injúria, vias de fato, descumprimento de medida protetiva e lesão corporal contra mulher, com prisões em flagrante em algumas dessas situações. A sequência de atos infracionais e criminais evidencia um padrão de envolvimento com atividades ilícitas.

Confronto fatal em Campo Grande

A ocorrência que culminou na morte de Jean Gabriel Rapini de Souza teve início durante um patrulhamento de rotina dos policiais do Batalhão de Choque pela Avenida Duque de Caxias. Por volta das 19h de segunda-feira, a equipe decidiu abordar um veículo utilizado para transporte por aplicativo, onde Jean se encontrava como passageiro.

A abordagem aconteceu na Rua Manoel Ferreira, nas proximidades do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS). Segundo informações da Polícia Militar, o motorista do aplicativo desembarcou e informou sua profissão. No entanto, Jean permaneceu dentro do carro, mesmo após ser instruído a sair.

De acordo com a PM, após uma nova ordem, Jean desceu do veículo portando um revólver e efetuou um disparo na direção dos policiais. A reação da equipe policial resultou em Jean sendo baleado. A ação policial foi rápida e, após o confronto, os militares apreenderam o revólver calibre .32 utilizado por ele, além de 26 pinos contendo 16,6 gramas de uma substância semelhante à cocaína.

Jean Gabriel Rapini de Souza foi imediatamente socorrido pela própria equipe policial e encaminhado à UPA Vila Almeida. Apesar dos esforços médicos, ele não resistiu aos ferimentos e teve o óbito constatado na unidade de saúde. O Campo Grande NEWS apurou que a perícia foi acionada ao local do confronto e as armas envolvidas foram recolhidas para análise.

Investigação em andamento

As circunstâncias exatas do confronto serão detalhadamente investigadas. A Polícia Militar informou que o caso será encaminhado à Polícia Civil para dar continuidade às apurações, especialmente devido à apreensão da droga. A presença de entorpecentes sugere possíveis conexões com o tráfico de drogas.

O histórico criminal de Jean Gabriel Rapini de Souza, que remonta ao latrocínio de um taxista quando ele ainda era adolescente, levanta questionamentos sobre os fatores que o levaram a manter envolvimento com atividades ilícitas por tantos anos. A sequência de crimes, incluindo violência doméstica em anos mais recentes, aponta para uma escalada de comportamentos criminosos.

O caso do taxista Luciano Barbosa Franco, em 2020, foi investigado pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv). Na ocasião, a investigação identificou três envolvidos, sendo Jean um deles. O corpo do taxista foi encontrado em uma área de mata às margens da BR-262, com um disparo de arma de fogo na cabeça, após o veículo ter sido encontrado abandonado e sem rodas. Essa tragédia marcou o início da ficha criminal de Jean, que infelizmente continuou a se expandir.

O Campo Grande NEWS reforça a importância da investigação policial para esclarecer todos os fatos que levaram ao desfecho fatal e para entender a rede de atividades criminosas em que o jovem possa ter estado envolvido. A ação policial visa, em última instância, garantir a segurança da população e combater a criminalidade na região.