Morte de atirador que matou taxista em 2020 traz alívio e sensação de justiça para a mãe da vítima

A notícia da morte de Jean Gabriel Rapini de Souza, de 24 anos, autor do latrocínio que vitimou o taxista Luciano Barbosa Franco em abril de 2020, trouxe um misto de alívio e a sensação de justiça para Izis Barbosa, mãe da vítima. Jean, que tinha apenas 17 anos na época do crime, morreu ao reagir a uma abordagem policial. Para Izis e sua filha Andrea, a morte do jovem encerra um doloroso ciclo e representa um desfecho para a tragédia que marcou suas vidas.

Morte do autor do crime traz paz à família da vítima

Izis Barbosa, 70 anos, e Andrea Barbosa, 52 anos, relataram sentir um profundo alívio com a notícia da morte de Jean Gabriel Rapini de Souza, 24 anos. O rapaz foi um dos envolvidos no latrocínio que tirou a vida do taxista Luciano Barbosa Franco, em abril de 2020. Na ocasião, Jean ainda era menor de idade, com apenas 17 anos. A morte de Jean, ocorrida ao reagir a uma abordagem do BPChoque, foi vista pela família como um fechamento de ciclo e a concretização de um anseio por justiça.

“Eu não sinto tristeza, sinto um alívio. Era algo previsível. A gente sabia que esse dia viria. Eu penso na mãe dele, mas para nós foi como se a justiça pelo Luciano tivesse sido feita. Encerrou um ciclo”, afirmou Izis em entrevista ao Campo Grande News. A declaração, conforme o Campo Grande NEWS checou, reflete a intensidade da dor e a busca por algum tipo de reparação após anos de sofrimento.

Luciano foi morto em abril de 2020, em Campo Grande. O crime chocou a cidade pela brutalidade e pela pouca idade dos envolvidos. A família do taxista, desde então, vive com a saudade e a luta por justiça. A notícia da morte de Jean Gabriel, segundo Izis, trouxe um certo conforto em meio à dor que ainda persiste.

A dor e as memórias que permanecem

Apesar do alívio, a saudade de Luciano permanece viva na casa onde Izis vive com a filha Andrea. O quarto do taxista está intacto, preservando suas memórias. O par de óculos de Luciano se tornou um objeto de conforto para Izis, que o utiliza para assistir televisão e torcer pelo Palmeiras, time que dividia com o filho, apesar dele ser vascaíno.

“É o par de óculos dele que eu uso pra assistir TV, pra ver meu Palmeiras jogando. Fica guardadinho aqui no meu quarto. É uma coisa minha, que eu uso e que é uma parte dele comigo”, conta a mãe emocionada. O futebol e o esporte eram elos importantes entre mãe e filho, e assistir aos jogos juntos era um momento especial.

“Ele dava um jeito de vir mais cedo para a gente sentar e assistir juntos. A gente também assistia muito MMA, conhecia os atletas. É um jeito de eu disfarçar a dor, achar que ele tá por aqui, trabalhando”, detalha Izis, revelando as estratégias que utiliza para lidar com a ausência do filho.

Culinária e lembranças que aquecem o coração

A culinária também é um forte elo com as memórias de Luciano. Izis relembra com carinho dos momentos em que preparava pratos que o filho gostava e recebia fotos e comentários de apreço. “Até hoje, quando faço uma comida, lembro dele. Às vezes eu tava fazendo algo que ele gostava e mandava foto. Ele respondia: ‘Ah mãe, agora nem consigo trabalhar de tanto pensar nisso’. Durante três anos eu só cozinhava chorando; nos domingos, salgava a comida de tanta lágrima”, relata, com a voz embargada.

A sensação de que Luciano pode voltar a qualquer momento ainda é presente. “O quarto dele está intacto, até a escova de dentes. Vejo ele passar na porta do meu quarto e na hora do almoço escuto a chave na mesa de vidro. Parece que a ficha ainda não caiu. A sensação é de que ele vai voltar para casa a qualquer momento”, confidencia.

Relembrando o crime e a atuação policial

Luciano desapareceu na noite de 25 de abril de 2020, após aceitar uma corrida no Shopping Campo Grande. Seu corpo foi encontrado no dia seguinte em um matagal às margens da BR-262. A investigação policial revelou que Jean Gabriel, na época menor de idade, estava no banco traseiro do carro e efetuou o disparo que matou o taxista durante o anúncio do roubo. Duas mulheres também foram responsabilizadas pelo crime.

A família expressou profunda gratidão às forças de segurança de Mato Grosso do Sul. “A Polícia daqui é nota mil. Na época do crime, eles trabalharam 24 horas sem parar, viraram a noite até prenderem todos os envolvidos em tempo recorde. Se eu pudesse, daria um abraço em cada policial para agradecer”, desabafa Izis. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a agilidade na investigação e prisão dos envolvidos foi um ponto crucial.

Jean Gabriel cumpriu três anos de medida socioeducativa, a pena máxima prevista para menores. Stefanie Paula Prado de Oliveira e Laura da Silva Santos, as outras envolvidas, foram sentenciadas a 25 anos e 4 meses e 21 anos e 4 meses, respectivamente. Com o desfecho da morte de Jean, a família busca seguir adiante, guardando as doces lembranças do taxista e a esperança de que a justiça, de alguma forma, foi feita.