Um jovem de 24 anos, identificado como Jean Gabriel Rapini de Souza, morreu em confronto com o Batalhão de Choque da Polícia Militar na noite desta segunda-feira (10), na Avenida Manoel Ferreira, em Campo Grande. Segundo informações preliminares da corporação, Jean estaria em um veículo suspeito e desceu do carro em movimento com uma arma de fogo durante a abordagem, sendo então atingido pelos militares. Ele chegou a receber socorro, mas não resistiu aos ferimentos. Esta ocorrência marca a 101ª morte por intervenção policial no estado em 2025. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, Jean já possuía passagens pela polícia e havia sido apreendido em 2020 por envolvimento no roubo que resultou na morte do taxista Luciano Barbosa Franco.
Confronto e morte em Campo Grande
A morte de Jean Gabriel Rapini de Souza ocorreu no início da noite de segunda-feira, em uma região próxima ao aeroporto de Campo Grande. A Polícia Militar informou que os agentes do Batalhão de Choque tentaram abordar um veículo considerado suspeito na Avenida Manoel Ferreira. Durante a ação, Jean teria descido do carro em movimento portando uma arma de fogo, o que teria levado os policiais a efetuarem disparos.
Após ser atingido, Jean recebeu socorro dos próprios militares, mas faleceu antes de chegar a uma unidade de saúde. A Avenida Manoel Ferreira precisou ser interditada nos dois sentidos durante a ocorrência, gerando transtornos no trânsito da região. A Polícia Militar confirmou o confronto e informou que mais detalhes seriam divulgados após o término das investigações preliminares, não esclarecendo quem estava no veículo com Jean nem a dinâmica completa da abordagem.
Passado sombrio: envolvimento na morte de taxista
O nome de Jean Gabriel Rapini de Souza já havia ganhado notoriedade em abril de 2020, quando ele, então com 17 anos, foi apreendido por participação no roubo seguido de morte do taxista Luciano Barbosa Franco, de 44 anos. A investigação da Polícia Civil na época apontou que Jean seria o autor do disparo que atingiu fatalmente o motorista.
Luciano Barbosa Franco desapareceu na noite de 25 de abril de 2020, após aceitar uma corrida no Shopping Campo Grande com destino ao Jardim Carioca. O chamado ocorreu por volta das 23h30 e, segundo relatado pela família, seria o último serviço do taxista naquele sábado. Diante do não retorno para casa, a família acionou a polícia ainda durante a madrugada.
O rastreador do veículo utilizado por Luciano, um Volkswagen Virtus, emitiu o último sinal pouco depois da meia-noite. Na manhã seguinte, o carro foi encontrado no bairro Santa Emília, já sem os quatro pneus. Conforme o Campo Grande NEWS checou, quase no mesmo horário em que o carro foi localizado, um ciclista avistou o corpo do taxista em um matagal às margens da BR-262, na região do Indubrasil, a aproximadamente 15 quilômetros de onde o automóvel havia sido abandonado. Luciano apresentava um ferimento de tiro na cabeça.
Reconstrução do crime e prisões
A investigação policial, com base em imagens de câmeras de segurança, reconstruiu os últimos momentos de Luciano. O Virtus deixou o Shopping Campo Grande às 23h40 e chegou ao Jardim Carioca às 23h58. O carro permaneceu parado por cerca de 40 segundos antes de iniciar o trajeto de volta, período em que, segundo a Polícia Civil, o crime ocorreu.
Conforme as apurações, Jean estava no banco traseiro do veículo, enquanto uma jovem ocupava o banco do passageiro. A investigação concluiu que o adolescente efetuou o disparo após o anúncio do roubo. Uma segunda mulher também foi responsabilizada pelo crime, por ter conhecimento do plano e auxiliar os outros dois envolvidos, embora não estivesse no veículo durante a corrida.
O plano do grupo era roubar o carro e vendê-lo. Depoimentos indicaram que o Virtus já havia sido negociado por R$ 12 mil para ser levado ao Paraguai, mas o veículo acabou abandonado em Campo Grande. Jean Gabriel Rapini de Souza havia deixado uma Unei (Unidade Educacional de Internação) pouco mais de um mês antes da morte de Luciano, após cumprir medida por outros atos cometidos na adolescência, conforme reportagem publicada pelo Campo Grande NEWS em 2020.
Arma do crime e intervenção policial
A arma utilizada no assassinato do taxista, um revólver calibre 38, foi encontrada em uma casa no Bairro Tiradentes, onde os três envolvidos no crime residiam. O armamento estava escondido em uma máquina de lavar. Além da arma, as equipes policiais recolheram quatro munições, uma cápsula deflagrada, documentos e o celular de Luciano Barbosa Franco. O Batalhão de Choque, que participou da ação de busca e apreensão em apoio à investigação da Polícia Civil, foi o mesmo que, seis anos depois, se envolveu no confronto que resultou na morte de Jean.
Na época, as duas mulheres foram presas e Jean foi apreendido e encaminhado para atendimento na área da infância e juventude. A morte de Jean Gabriel Rapini de Souza é a 101ª morte decorrente de intervenção policial registrada em Mato Grosso do Sul neste ano, um dado que ressalta a gravidade da violência no estado, como destaca o trabalho investigativo do Campo Grande NEWS.

