Após décadas de espera, a realidade de poeira e lama nas vilas Nogueira e Aimoré, em Campo Grande, começa a mudar. Nesta quinta-feira (6), maquinário pesado deu início às obras de pavimentação e drenagem, um marco aguardado por gerações. A prefeita Adriane Lopes (PP) esteve no local e afirmou que os dias de “poeirão” estão contados, assegurando a disponibilidade de recursos para a finalização do projeto. Conforme informações divulgadas, o investimento totaliza R$ 11,8 milhões e faz parte do programa Vira CG Infraestrutura, com previsão de entrega em 270 dias.</p
O fim do sofrimento com terra e barro
A intervenção, executada pela TST Construções Ltda., contempla um pacote completo de melhorias, incluindo drenagem e microdrenagem de águas pluviais, pavimentação asfáltica, recapeamento em trechos necessários e a implantação de sinalização viária. A prefeita Adriane Lopes destacou que a região, especialmente a Vila Nogueira, era uma das últimas áreas da cidade a receber essas melhorias significativas, mesmo com bairros vizinhos já beneficiados.
“Nós estamos caminhando por toda a Campo Grande, nas sete regiões, levando desenvolvimento, levando melhorias e qualidade de vida para muitos campo-grandenses”, declarou a prefeita. “E hoje chegou a vez da Vila Nogueira. É um bairro importante, que estava rodeado de vias pavimentadas, mas que os moradores continuamente estavam solicitando as melhorias aqui nessa região”, completou.
A prefeita fez questão de ressaltar a situação vivida pelos moradores, exemplificando com a poeira levantada pelo vento durante o evento de início das obras. “Estava sentado aqui, veio o vento, a poeira levantou. Mas eu acho e acredito que essa poeira vai se levantar pelas últimas vezes aqui nas ruas da Vila Nogueira. Porque a obra chegou, a mudança chegou”, disse, transmitindo confiança aos presentes.
Adriane Lopes fez questão de tranquilizar a população quanto à continuidade dos trabalhos. “Tem recurso? Tem. O dinheiro está na conta. Uma obra vai começar e parar porque o dinheiro está na conta e nós vamos seguir com muito trabalho, avançando a cada dia”, garantiu. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André de Moura Brandão, informou que o planejamento para 2026 prevê um pacote de obras que soma R$ 240 milhões em pavimentação e drenagem em várias regiões da Capital.
Investimento expressivo na região
A região do Anhanduizinho, onde se localizam as vilas Nogueira e Aimoré, receberá aproximadamente R$ 90 milhões em investimentos. “É trazer um benefício, realizando sonhos de comunidades que esperam há décadas, 10 anos, 20 anos, 30 anos, 40 anos aguardando o asfalto e hoje chega o asfalto e a drenagem”, afirmou o secretário Brandão. Ele destacou que o início das obras representa uma mudança radical na vida dos moradores, que finalmente deixarão de conviver com ruas de terra e barro.
“É o primeiro passo para que a população de Campo Grande, em vários bairros da nossa cidade, deixe de pisar na terra, deixe de pisar no barro e passe a partir de agora a ter na frente de suas residências o benefício do asfalto”, disse.
A espera de 25 anos pelo asfalto
Entre os moradores que acompanharam o início da obra estava a diarista Nelita da Rocha Novaes, de 62 anos, que vive na Vila Nogueira há um quarto de século. Para ela, a chegada do asfalto é a realização de um sonho antigo. “Quando cheguei aqui, o pessoal falou para mim que a Vila Nogueira já era para estar asfaltada, que tinha vindo verba para isso. Mas passaram-se 25 anos e continua do mesmo jeito”, relatou.
Nelita descreveu as dificuldades enfrentadas pela falta de pavimentação. “Quando chove, é lama. Quando seca, é poeirão. É impossível. Nós estamos vivendo uma situação muito difícil aqui na Vila Nogueira”, desabafou. Apesar da alegria, Nelita expressou dúvidas sobre a exclusão de algumas ruas na primeira etapa, como a Rua Bicudo, onde reside.
“Nós estamos todos ansiosos, porque estão dizendo que vão asfaltar quatro ruas da Vila Nogueira e que o restante já teria asfalto. Mas a nossa rua, a Rua Bicudo, que é uma rua antiga e todo mundo conhece, não vai receber?”, questionou, buscando esclarecimentos sobre os critérios de seleção das vias. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a moradora buscou entender “o que está acontecendo? Por que o asfalto vai chegar até lá em cima e não até a nossa rua?”
Moradores celebram, mas questionam a extensão das obras
A dona de casa Evyllem Luana dos Santos Souza, de 26 anos, também celebrou o início das obras, mas demonstrou insatisfação com o número limitado de ruas contempladas. “A gente está feliz porque vai começar a asfaltar as ruas da nossa vila. A gente mora aqui há mais de 30 anos, há mais de 15 anos não passa cascalho”, afirmou.
Evyllem citou ruas próximas, como a Rua Albina, e as ruas Batista e Bicudo, que não estão previstas nesta etapa. Ela relatou as dificuldades diárias, especialmente durante as chuvas. “O Uber quando chove na nossa rua não entra. A gente vai sair com a criança para levar para a escola e tem que sair de sacolinha. O marido também usa transporte público, está difícil”, exemplificou.
“A Vila Nogueira é enorme. Por isso a gente está indignado, quer saber por que vai asfaltar seis ruas sendo que tem outras precisando também”, disse, evidenciando a necessidade de mais vias serem incluídas no projeto. As ruas contempladas nesta primeira etapa são: Aiurvocas, Araçatuba, Doze de Outubro, Fênix, Sérgio Alexandre Lemos e Vigário da Silva.
Vira CG Infraestrutura: um plano ambicioso para Campo Grande
A pavimentação nas vilas Nogueira e Aimoré faz parte do programa Vira CG Infraestrutura, que prevê a execução de aproximadamente 80 quilômetros de pavimentação e drenagem ao longo de 2026. O programa inclui também a implantação de ciclovias e ações de reordenamento do trânsito. Até o momento, o programa já teve obras lançadas em outras regiões, como Jardim das Nações e Jardim Los Angeles, com mais de R$ 33,7 milhões aplicados em 40 vias.
A Prefeitura de Campo Grande planeja investir mais de R$ 280 milhões em infraestrutura viária na Capital. Deste montante, a região do Anhanduizinho concentra uma parcela significativa, com R$ 88,5 milhões destinados a pavimentar mais de 70 vias, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

