Empresário usava Discord para vender cartões clonados e causou R$ 140 milhões em prejuízos

Um empresário de Campo Grande, apontado como líder de um esquema milionário de fraude bancária, foi preso em maio deste ano pela Polícia Federal. Pedro Henrique Galvão Oliveira utilizava a plataforma de mensagens Discord como uma vitrine virtual para vender milhares de cartões de crédito clonados. O grupo criminoso afetou 13 instituições financeiras e causou um prejuízo estimado em R$ 140 milhões.

Discord: Ferramenta de Venda de Cartões Clonados

A investigação, batizada de Operação Cyber Trap, revelou que o Discord era o principal canal para a negociação e venda de dados bancários obtidos ilegalmente. Criminosos usavam o aplicativo para distribuir informações de cartões de crédito clonados para compradores de diversas regiões do país. A PF descobriu que a plataforma continuou sendo ativamente utilizada para o compartilhamento desses dados poucos dias antes do cumprimento dos mandados de prisão.

O caso ganha destaque em um momento em que o Discord tem sido associado a outros eventos controversos, incluindo um caso de indução ao suicídio de uma adolescente. No entanto, nesta operação, a plataforma serviu como um centro de operações para um esquema de fraude bancária de larga escala.

A investigação teve início após a Caixa Econômica Federal identificar a comercialização de dados de seus clientes em um site. A partir daí, a Polícia Federal conseguiu mapear a rede criminosa e descobrir a extensão do esquema, que apreendeu bases com mais de 20 milhões de números de cartões de crédito.

Líder do Esquema e Lavagem de Dinheiro

Pedro Henrique Galvão Oliveira é apontado como o líder e criador da estrutura tecnológica responsável pela captura, teste e venda das informações bancárias. Ele utilizava codinomes na internet para administrar servidores e mascarar a origem de suas conexões, sendo o principal beneficiário dos recursos obtidos com as fraudes. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, ele contava com o auxílio de familiares e empresas de fachada para lavar o dinheiro.

Sua mãe, Walcineia de Arruda Galvão, figurava como proprietária de veículos de luxo adquiridos com o dinheiro do crime, incluindo um Mustang apreendido. A ex-esposa de Pedro Henrique também usufruía dos ganhos ilícitos para custear despesas pessoais e adquirir bens de alto valor, integrando o núcleo familiar do esquema. Os réus respondem por organização criminosa, furto eletrônico e lavagem de dinheiro.

Ecossistema Digital das Fraudes

Além do Discord, a organização criminosa diversificou o uso de plataformas digitais para criar um ecossistema completo de captação e monetização das fraudes. O Telegram era usado como canal de promoções, atendimento ao cliente e contratação de serviços automatizados, funcionando como uma extensão comercial. O WhatsApp era utilizado em grupos fechados para divulgar e captar clientes.

A captação das informações das vítimas e o monitoramento da eficácia das fraudes ocorriam por meio de outras ferramentas cibernéticas. O grupo coletava dados em massa por meio de páginas falsas e da aquisição de bases hackeadas. Servidores virtuais de alta capacidade eram configurados com programas ‘checadores’ para testar milhares de combinações de cartões por minuto, garantindo que os cartões vendidos estivessem ativos e com limite disponível.

Empresas de Fachada e Fluxo de Dinheiro

A lavagem do dinheiro obtido com a comercialização das informações roubadas envolvia o uso de contas bancárias de terceiros e empresas de fachada. O pai do líder, Vanderlei Almeida de Oliveira, usou sua microempresa de produção musical, a VR Music, para movimentar R$ 1,5 milhão para Pedro Henrique em 2022, sem justificativa comercial. Uma rede de farmácias, Farma Forte, também desempenhava papel na ocultação dos ganhos, recebendo depósitos de outras empresas.

O Campo Grande NEWS apurou que estabelecimentos comerciais de diversos ramos em Campo Grande repassavam valores repetidamente para o líder do esquema e seus familiares. Oficinas automotivas e conveniências recém-abertas realizavam dezenas de transações bancárias direcionadas às contas dos réus e de empresas controladas por eles, criando uma complexa teia de transferências para dificultar a fiscalização financeira.

A Justiça Federal aceitou a denúncia do Ministério Público Federal, destacando a estrutura profissional do grupo e o volume constante de transações. Os réus responderão por crimes de organização criminosa, furto qualificado mediante fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. O processo segue na 5ª Vara Federal de Campo Grande, com a prisão preventiva do líder mantida para evitar a continuidade das atividades ilícitas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a ação penal prosseguirá com a análise de provas e depoimentos de testemunhas.