A angústia toma conta de uma mãe em Campo Grande, que vive o drama de não saber se conseguirá reconhecer o próprio filho. Um menino de apenas 11 anos está internado em estado grave na Santa Casa, intubado e com cerca de 85% do corpo atingido por queimaduras. A apreensão é tamanha que ela teme o pior, expressando em lágrimas a incerteza sobre a sobrevivência da criança e a transformação radical que as queimaduras causaram na aparência do filho.
Mãe relata desespero e incerteza com estado de saúde do filho
“Eu tenho a foto do meu filho saudável. Agora, se você for lá ver ele, não é ele. É outra criança”, desabafou a mãe ao Campo Grande News. A dor é palpável em cada palavra, enquanto ela descreve o sofrimento de ver a pele do filho se desprendendo. A esperança se mistura ao medo a cada boletim médico, e a cada intervalo para visitas, a mãe se prepara para um encontro que pode ser devastador. A incerteza sobre a recuperação do garoto é o fardo mais pesado que ela carrega.
O acidente e a reviravolta na investigação
O caso, que inicialmente parecia ser um trágico acidente, ganhou contornos mais graves com a evolução da investigação policial. A própria vítima, antes de ser intubada, relatou aos profissionais de saúde que um colega de 12 anos teria ateado fogo nele após uma discussão. Essa versão contradiz o depoimento do adolescente, que alega que o incidente ocorreu durante uma brincadeira com álcool, quando o material entrou em combustão acidentalmente. Por conta dessa discrepância, a Polícia Civil agora investiga o caso como ato infracional análogo à tentativa de homicídio.
A mãe revelou que soube do ocorrido enquanto estava no trabalho, completamente alheia ao fato de que seu filho havia faltado à escola e, pior, que estava na casa do outro garoto. “Eu nem sabia que ele tinha ido para lá. Eles nem tinham mais amizade. Eu não sei por que eles se encontraram”, lamentou. Ela conta que já havia orientado o filho a se afastar do outro menino devido a desentendimentos anteriores, o que torna o encontro ainda mais inexplicável e doloroso.
A importância de uma amiga e a ausência de adultos no local
Em meio ao desespero, a mãe fez questão de agradecer publicamente a uma amiga, que ela descreve como um “anjo na vida” e que foi fundamental para salvar o filho. Segundo ela, a amiga prestou os primeiros socorros imediatamente após o menino sair da residência em busca de ajuda. A mãe ressaltou que não havia nenhum adulto presente na casa onde o incidente aconteceu, e que a família do outro garoto não ofereceu assistência, pois “só estavam os dois”. Essa ausência de responsabilidade adulta foi confirmada no boletim de ocorrência, onde policiais encontraram apenas o adolescente de 12 anos na residência.
Conforme o Campo Grande News checou, a mãe do outro garoto entrou em contato para pedir desculpas, mas a mãe da vítima não conseguiu atender. “Ninguém foi à Santa Casa perguntar como meu filho está”, desabafou, evidenciando a falta de contato e acompanhamento por parte da família do outro envolvido.
O futuro incerto do adolescente e a busca pela verdade
Enquanto a família da vítima clama por recuperação e justiça, o adolescente de 12 anos envolvido no caso aguarda a decisão da Justiça da Infância. Ele poderá responder em liberdade ou ser submetido à internação provisória durante o andamento da investigação. O pai do adolescente se disse “arrasado” e acredita que o ocorrido foi resultado de uma brincadeira, expressando preocupação com o estado de saúde do garoto queimado. A Polícia Civil segue empenhada em desvendar a verdade por trás deste lamentável episódio, buscando esclarecer qual das versões apresentadas corresponde aos fatos ocorridos na tarde de terça-feira (4).
O caso chocou a comunidade e levanta questões importantes sobre a responsabilidade de adultos na supervisão de crianças e adolescentes, além da necessidade de investigações rigorosas para determinar as circunstâncias de atos que resultam em lesões graves. A comunidade acompanha apreensiva o desdobramento desta história, na esperança de que a justiça seja feita e que a vítima possa se recuperar plenamente. A apuração detalhada dos fatos é crucial para entender a dinâmica do ocorrido e prevenir futuras tragédias, como aponta o trabalho investigativo do Campo Grande News.

