Em um depoimento carregado de emoção e contradições, Willames Monteiro dos Santos, de 36 anos, apresentou sua versão sobre a morte de sua esposa, Andressa Fernandes Teixeira, de 29 anos. O homem, que responde por feminicídio qualificado, alegou durante o Tribunal do Júri em Campo Grande que a trágica fatalidade foi um acidente causado pelo consumo de cerveja. Ele afirmou que não percebeu a presença da esposa atrás do carro no momento do ocorrido, versão que diverge das conclusões da perícia, conforme informações divulgadas pelo Campo Grande NEWS.
Homem culpa cerveja e nega intenção em atropelamento fatal
O réu declarou em juízo que o único vício que possuía era a cerveja, e que por causa dela, estava ali preso e havia perdido sua esposa. Willames negou veementemente ter atropelado Andressa intencionalmente, sustentando que o evento foi uma consequência do consumo de bebida alcoólica por ambos. Ele relatou que no dia do crime, passaram a tarde em casa assando carne e bebendo cerveja, descrevendo o momento como feliz, com cantos e planos para o futuro. A única divergência citada foi quando ele decidiu sair para comprar mais bebida, mas assegurou que não houve agressão.
Versão do réu diverge da perícia sobre funcionamento do veículo
Willames contou que colocou o filho mais novo no carro, ligou o veículo, fechou os vidros, ligou o ar-condicionado e o som. Ele disse que acreditava que Andressa estava perto do portão e só percebeu o atropelamento ao ouvir a filha gritar. Ao descer do carro, teria dito à esposa: “me perdoa, eu não vi”. Ele insistiu que jamais teve a intenção de matar Andressa, argumentando que, se tivesse, teria fugido ou a atropelado de frente. No entanto, ao ser questionado sobre o funcionamento do carro, o réu apresentou uma versão que contraria a perícia. Ele afirmou que a câmera de ré estava quebrada e o sensor de estacionamento desligado, pois emitia sons incômodos. Essa declaração diverge do laudo pericial, que indicou que o veículo possuía freios e câmera de ré em pleno funcionamento, e que o som reduz automaticamente ao engatar a marcha à ré. O laudo também concluiu que o carro passou duas vezes sobre Andressa.
Crianças presenciaram a tragédia e família se divide
A acusação, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, sustenta que o atropelamento foi intencional, baseando-se na perícia e no fato de o carro ter passado mais de uma vez sobre a vítima. A defesa, por outro lado, mantém a tese de acidente e que Willames tentou prestar socorro. O caso chocou a comunidade e, conforme o Campo Grande NEWS checou, os dois filhos do casal, que presenciaram o atropelamento, estão sob os cuidados da avó materna. Familiares de Andressa esperam a condenação do acusado, enquanto a família de Willames acredita em sua inocência e classifica o ocorrido como uma fatalidade. A filha mais velha do casal, de 14 anos, prestou depoimento em sessão reservada, protegendo-a de reviver o trauma.
O julgamento e a expectativa pela sentença
O Tribunal do Júri começou com oitiva de testemunhas, seguida pelo interrogatório de Willames Monteiro dos Santos, que durou cerca de 55 minutos. Após a etapa de debates entre acusação e defesa, o Conselho de Sentença, composto por sete juradas, decidirá o destino do réu. A expectativa é de que a sentença seja conhecida ainda nesta quarta-feira. O caso, que envolve acusações de feminicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, levanta questões sobre a influência do álcool e a interpretação de eventos em momentos de tensão familiar. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto o desenrolar do julgamento, buscando trazer clareza sobre os fatos apresentados em busca da verdade.

