MS tem mais policiais por habitante, mas cada um cobre área três vezes maior que média nacional

Mato Grosso do Sul se destaca por ter mais policiais militares, civis e bombeiros por habitante quando comparado à média nacional. No entanto, essa vantagem numérica se dilui quando a análise considera a vasta extensão territorial do estado. Cada profissional de segurança pública em Mato Grosso do Sul atende a uma área significativamente maior do que seus colegas em outras partes do Brasil, um paradoxo que levanta questões sobre a eficiência e a cobertura do policiamento.

A segunda edição do Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela que, embora o estado possua um contingente policial per capita superior, a dimensão territorial impõe um desafio considerável. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, cada policial militar em Mato Grosso do Sul é responsável por uma média de 60 km², enquanto a média nacional é de apenas 21 km² por profissional. Essa disparidade territorial impacta diretamente a capacidade de resposta e a presença policial em áreas remotas.

Desafios da cobertura territorial para a segurança pública em MS

A análise detalhada do Fórum Brasileiro de Segurança Pública expõe um cenário complexo para a segurança pública em Mato Grosso do Sul. O estado apresenta um índice de 2 policiais militares para cada mil habitantes, superando a média nacional de 1,9. No Corpo de Bombeiros, o índice é de 0,6 profissional por mil habitantes, o dobro da média brasileira (0,3). Já a Polícia Civil registra 0,7 agente por mil habitantes, contra 0,5 no país. Esses números, isoladamente, sugerem uma força policial robusta.

Contudo, a realidade muda drasticamente quando a extensão territorial entra na equação. O estudo aponta que cada policial militar de Mato Grosso do Sul cobre, em média, 60 km², mais do que o triplo da média nacional de 21 km². Na Polícia Civil, a área de responsabilidade de cada agente chega a 184 km², mais que o dobro da média nacional de 88 km². Entre os bombeiros, o cenário é ainda mais desafiador, com 213 km² por profissional em Mato Grosso do Sul, contra 135 km² no restante do país.

O relatório do FBSP enfatiza que a simples contagem de profissionais por habitante não é suficiente para determinar a adequação do efetivo. Fatores como a extensão territorial, a distribuição populacional, a demanda por serviços, as escalas de trabalho e o tempo de deslocamento são cruciais para uma avaliação completa. O Campo Grande NEWS checou que essa complexidade de fatores é um ponto central para entender as demandas e os desafios enfrentados pelas forças de segurança no estado.

Efetivo da PMMS e o desafio da reposição

A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) conta com 5.948 integrantes na ativa, o que representa 56,1% das 10.602 vagas previstas em seu quadro legal. Este percentual está abaixo da média nacional das polícias militares, que é de 65,7%. A diferença entre o quadro previsto e o efetivo existente soma 4.654 vagas, um número considerável que impacta a capacidade operacional.

A corporação tem estudado a realização de um novo concurso público para recompor o efetivo, conforme informações divulgadas pelo comandante-geral da PMMS, coronel Renato dos Anjos Garnes. Segundo ele, a redução do efetivo tem sido acentuada pelas aposentadorias de policiais que ingressaram na corporação nas décadas de 1990 e 2000. Em quatro anos, as baixas por aposentadoria se aproximaram de mil policiais.

O comandante mencionou que, no ano anterior à sua declaração, o efetivo era de aproximadamente 6,1 mil integrantes, com cerca de 300 profissionais indo para a reserva remunerada. O relatório nacional confirma um número próximo, com 5.948 policiais militares na ativa. A PMMS está elaborando estudos para apresentar ao Governo do Estado uma proposta de reposição do efetivo, visando planejar as contratações para os próximos anos.

O último concurso público da Polícia Militar foi realizado em 2022, com a oferta inicial de 520 vagas, posteriormente ampliadas. Antes disso, um concurso em 2018 já havia buscado reforçar o efetivo. Atualmente, a exigência para ingresso na carreira de soldado na PMMS é a formação superior, uma regra implementada após alteração legislativa em 2016, que, segundo o comandante, elevou o nível técnico da corporação.

Presença feminina e regularização de promoções

As mulheres representam 15,1% do efetivo da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, com 901 integrantes. Este percentual é superior à média nacional das polícias militares, que é de 13,3%. A corporação não limita mais vagas femininas há mais de uma década, e homens e mulheres recebem a mesma formação e exercem as mesmas funções operacionais, conforme afirmou o comandante-geral.

Além da possibilidade de novas contratações, o Governo de Mato Grosso do Sul anunciou a retomada e a regularização das promoções internas na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros. O secretário estadual de Administração, Roberto Gurgel, informou que o estado trabalhava na regularização de promoções referentes a 2025 e a primeira prevista para abril de 2026. Estudava-se também a ampliação de vagas em cursos de formação e habilitação profissional necessários para a ascensão dos militares.

O Campo Grande NEWS checou que a regularização das promoções é um passo importante para a valorização e a motivação dos profissionais de segurança pública, impactando positivamente a carreira e a continuidade do serviço. A busca por um equilíbrio entre o efetivo, a área de cobertura e as condições de trabalho é um desafio constante para garantir a segurança da população sul-mato-grossense.