Raiva canina: vacinação gratuita em Campo Grande enfrenta desconfiança de tutores

Apesar da disponibilidade da vacina antirrábica gratuita e da visita domiciliar dos agentes de saúde, a campanha em Campo Grande enfrenta um obstáculo persistente: a desconfiança e os mitos disseminados entre tutores de cães e gatos. A resistência em vacinar os animais, mesmo com o risco iminente da doença, coloca em xeque a meta de imunização e a saúde pública da cidade. Conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS, a situação exige um esforço extra para conscientizar a população sobre a importância da prevenção.

Campanha de vacinação contra raiva esbarra na desinformação

A Campanha de Vacinação Antirrábica de Cães e Gatos 2026 em Campo Grande, que visa proteger cerca de 300 mil imóveis, tem como principal desafio a recusa de tutores em permitir a imunização de seus pets. Agentes de combate a endemias, como Denilson dos Santos Leite, que atua há 21 anos na área, relatam que a desinformação só aumenta. Mitos sobre a vacina ser perigosa ou até fatal para os animais são os argumentos mais comuns, apesar da comprovação científica de sua segurança e eficácia.

“As pessoas acreditam em mitos. Um vai falando para o outro que a vacina mata o cachorro, mas não existe nenhuma evidência disso. Posso garantir que a vacina é comprovadamente segura. Estamos aqui para ajudar. A raiva não tem cura e a única forma de prevenir a doença é por meio da vacinação”, afirma Denilson, ressaltando a gravidade da doença que é fatal para os animais e pode ser transmitida para humanos.

Muitos tutores, segundo os agentes, alegam que levarão seus animais a clínicas particulares, mas, na prática, isso raramente acontece, seja pelo custo ou pela falta de prioridade. Essa atitude deixa os animais desprotegidos e, consequentemente, as famílias e a comunidade em risco. O Campo Grande NEWS apurou que a desconfiança na qualidade da vacina fornecida pelo município também é um fator que contribui para a baixa adesão, mesmo quando o serviço é oferecido gratuitamente na porta de casa.

A ameaça invisível da raiva em Campo Grande

Embora Campo Grande não tenha registrado casos recentes de raiva em animais domésticos, o perigo é real e constante. A circulação do vírus em morcegos, com 12 casos positivos identificados em 2025, conforme alerta do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), é um indicativo preocupante. Cães e gatos infectados podem transmitir a raiva para humanos por meio de mordidas, arranhões ou contato da saliva com ferimentos na pele.

“A única maneira de evitar a raiva é a vacina. Não existe outro método de prevenção”, reforça Denilson, enfatizando que a imunização é a barreira mais eficaz contra a disseminação da doença. A médica-veterinária Maria Aparecida Conche, chefe do Serviço de Controle da Raiva e Outras Zoonoses do CCZ, complementa que a vacina funciona como uma “importante barreira de proteção” caso um animal vacinado entre em contato com um morcego infectado.

A importância da vacinação domiciliar e a realidade dos tutores

A estratégia de vacinação casa a casa, realizada por equipes em duplas com a meta de imunizar cerca de 50 animais por dia, tem facilitado o acesso à vacina para muitos moradores. Mábia Alves, que reside no Bairro Colúmbia, elogiou a iniciativa: “É muito bom não precisar sair de casa. Facilita bastante para quem tem animais”. A praticidade do serviço, no entanto, não anula a resistência encontrada em outros lares.

Natalino de Freitas, dono de duas cadelas, admitiu que a vacinação antirrábica de suas pets é realizada apenas porque é gratuita. “Se tivesse que pagar, seria mais difícil”, confessou, evidenciando que o custo é um fator determinante para muitos tutores. Silvana Siqueira, tutora do cão Beethoven, que recebeu a vacina pela primeira vez, ressaltou a importância do serviço, especialmente para garantir a segurança de crianças que convivem com os animais.

Meta de 80% de imunização e o papel do Campo Grande NEWS

A meta da campanha é vacinar pelo menos 80% da população de cães e gatos da cidade, um índice considerado crucial para impedir a circulação do vírus da raiva. Além da vacinação, as equipes do CCZ realizam um censo para atualizar dados municipais e planejar futuras ações. Os agentes trabalham identificados e utilizam equipamentos adequados para garantir a qualidade e segurança do processo. A informação e a conscientização são, portanto, as principais ferramentas para alcançar esse objetivo, e o Campo Grande NEWS tem atuado para disseminar conteúdos relevantes sobre saúde animal e campanhas de vacinação, como checado pelo portal em diversas matérias sobre o tema.

Para casos em que não há um responsável no imóvel, um aviso é deixado para que o tutor procure o CCZ. Animais soltos nas ruas não são vacinados durante as visitas e devem ser levados pelos tutores à sede do órgão, que funciona como posto fixo de vacinação durante todo o ano. A colaboração da população é fundamental para garantir que Campo Grande permaneça livre da raiva, uma doença que, uma vez estabelecida, representa um grave risco para todos. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando as ações e divulgando informações essenciais para a saúde pública.