Poste de madeira ‘por um fiapo’ assusta moradores no Nova Lima

Um poste de madeira perigosamente inclinado, sustentado apenas por um “fiapo”, tem gerado apreensão constante entre os moradores da Rua Randolfo Lima, no Bairro Nova Lima, em Campo Grande. A estrutura precária, que fornece energia para a região, está localizada ao lado de um terreno que se tornou um depósito irregular de lixo, agravando o cenário de risco. A situação, que se arrasta há décadas, culminou em um estado crítico que exige atenção imediata das autoridades competentes.

Poste em risco iminente de queda no Nova Lima

A comunidade local vive sob a sombra da possibilidade real de um desabamento. Moradores relatam que o poste de madeira, peça fundamental na distribuição de energia, teve sua base severamente comprometida por queimadas frequentes. O fogo, muitas vezes ateado para conter o mato alto no terreno vizinho, já atingiu a estrutura em pelo menos três ocasiões, deixando-a em um estado de fragilidade extrema. A preocupação é palpável, pois a queda do poste não representa apenas a interrupção do fornecimento de energia, mas também um grave risco à segurança das pessoas que circulam pelo local.

Um cenário de abandono e descaso

Mafalda Batista, 50 anos, residente na área há três décadas, descreve um cenário de descaso e abandono que se intensificou com o passar dos anos. O terreno adjacente ao poste, que é particular, encontra-se em estado de deterioração, transformado em um ponto de descarte irregular de lixo. Sacos de entulho, móveis velhos, carcaças de animais e restos de construção compõem a paisagem desoladora, atraindo pragas como ratos, baratas e outros insetos. O mau cheiro, especialmente em dias de vento, torna a convivência insuportável para os vizinhos.

“O pessoal está descartando muito lixo aqui, praticamente virou um ponto de descarte. Tem sofá, animal morto, tronco de árvore, de tudo. Juntam rato, barata, insetos, e o mau cheiro é insuportável quando o vento traz pra cá”, relata Mafalda. Ela enfatiza que a situação, que já era ruim, tornou-se ainda mais crítica nas últimas décadas, com o acúmulo crescente de resíduos.

Queimadas recorrentes agravam o perigo

As queimadas no terreno particular são um fator determinante para a deterioração do poste. Moradores explicam que, para tentar controlar o mato alto e a vegetação que cresce desordenadamente, indivíduos não identificados ateiam fogo. Contudo, o que deveria ser uma solução pontual acaba por se tornar um problema de maiores proporções, pois as chamas invariavelmente atingem a base do poste de madeira. A própria comunidade, em um ato de solidariedade e preocupação, já se mobilizou diversas vezes para apagar o fogo, utilizando mangueiras e baldes d’água na tentativa de preservar a estrutura e evitar o pior.

“Quando o mato cresce, colocam fogo. A gente não sabe quem faz isso, mas o poste já pegou fogo três vezes. Nós mesmos pegamos mangueira, balde de água e vamos apagar para tentar conservar o poste e evitar que ele caia”, conta Mafalda. A base do poste, visivelmente chamuscada, é um lembrete constante do perigo iminente. A moradora descreve a situação como “muito perigoso”, temendo que a queda da estrutura possa causar um apagão generalizado ou, pior ainda, atingir alguém.

Impactos na saúde e falta de resposta

Além do risco físico e da preocupação com a queda do poste, as queimadas frequentes no terreno trazem sérios prejuízos à saúde dos moradores. A fumaça densa e constante que paira sobre as residências causa problemas respiratórios e agrava condições preexistentes. “Prejudica muito a saúde de todos nós que moramos aqui. Além dos animais e do lixo, ainda tem a fumaça. É uma situação bem lamentável, muito difícil viver assim”, desabafa Mafalda.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, a Energisa, concessionária de energia da região, informou que o poste seria substituído na terça-feira, dia 4. A empresa ressalta que em Campo Grande utiliza predominantemente postes de aço galvanizado e de concreto, mais resistentes e seguros. No entanto, a reportagem do Campo Grande NEWS contatou a Prefeitura de Campo Grande sobre o terreno baldio e o descarte irregular de lixo, mas até o fechamento desta matéria, não obteve retorno. A situação, que afeta diretamente a qualidade de vida e a segurança dos moradores do Nova Lima, aguarda providências efetivas para a limpeza do terreno e a resolução definitiva do problema, conforme o Campo Grande NEWS apurou.