Norte de MS: 9 mortes em 15 dias em guerra de facções

O norte de Mato Grosso do Sul se tornou palco de uma onda de violência chocante. Em pouco mais de duas semanas, pelo menos nove pessoas foram mortas em quatro cidades da região: Cassilândia, Paranaíba, Costa Rica e Chapadão do Sul. Os crimes, marcados pela brutalidade, levantam sérias suspeitas de envolvimento direto com a guerra entre as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho).

A situação é alarmante, com investigações apontando para um cenário de conflito aberto entre os grupos rivais. A crueldade dos atos e o crescente envolvimento de adolescentes no submundo do crime organizado aumentam a apreensão das autoridades e da população local. O poder paralelo exercido por essas organizações criminosas parece estar se expandindo, gerando um clima de insegurança.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirma que os perfis criminosos nas redes sociais estão sob constante monitoramento pelas forças policiais. No entanto, a velocidade e a ousadia dos ataques sugerem que os criminosos estão sempre um passo à frente, utilizando a internet para disseminar medo e intimidar rivais. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa dinâmica representa um desafio constante para as autoridades.

O ataque mais recente em Cassilândia

O caso mais recente e brutal ocorreu no sábado, 1º de setembro, em Cassilândia. Márcio Aparecido da Silva Filho e sua filha de apenas 3 anos foram executados a tiros dentro do carro em que estavam. A principal linha de investigação da Polícia Civil aponta para um acerto de contas ligado à disputa entre facções. Dias antes do atentado, Márcio havia sobrevivido a um primeiro ataque e, segundo informações, seu nome constava em uma lista atribuída ao Comando Vermelho.

A violência em Cassilândia não parou por aí. Em 27 de julho, Gustavo Loschiavo Araújo, de 29 anos, foi assassinado a tiros. Pouco tempo depois do crime, perfis ligados ao CV divulgaram nas redes sociais a foto da vítima com a palavra “eliminado”, uma prática comum para anunciar mortes de rivais, conforme também noticiado pelo Campo Grande NEWS.

Violência se espalha por Paranaíba

A cidade de Paranaíba também registrou um aumento significativo na violência. No dia 19 de julho, uma mãe e seu filho foram mortos a tiros dentro de casa. As vítimas foram identificadas como Patrícia Norberto da Silva, de 36 anos, e Kaique Flavino Audilino, de 20 anos. Apenas dez dias depois, outro homem foi assassinado enquanto dormia, recebendo cerca de 12 disparos. Embora não haja confirmação direta do envolvimento de facções nesses casos específicos, a brutalidade dos crimes ecoa o padrão observado na guerra entre os grupos.

Costa Rica e Chapadão do Sul também registram mortes

Em Costa Rica, um homem foi assassinado na última sexta-feira, 1º de setembro, após ser atingido por aproximadamente 12 tiros. A motivação para este crime ainda está sob investigação pelas autoridades policiais. Já em Chapadão do Sul, um segurança foi morto no dia 25 de julho. Antes disso, outro homicídio já havia mobilizado as forças de segurança do município, indicando uma escalada de crimes na região.

Adolescentes cada vez mais envolvidos com facções

Além da escalada de assassinatos, investigações revelam que as organizações criminosas têm ampliado sua atuação na região, com um preocupante envolvimento de adolescentes. Um levantamento realizado pelo Campo Grande NEWS identificou 13 casos envolvendo jovens em ocorrências relacionadas ao PCC e ao Comando Vermelho entre 2025 e 21 de julho deste ano. Foram cinco episódios noticiados em 2025 e oito somente em 2026.

Os registros mostram adolescentes atuando como executores, informantes, transportadores de armas, condutores de motocicletas e até mesmo como alvos diretos na disputa entre as facções. Essa inserção precoce no mundo do crime representa um futuro sombrio para a juventude da região e um grande desafio para as políticas de segurança pública. A falta de oportunidades e a forte influência das facções parecem ser fatores determinantes.

Listas de ameaças circulam nas redes sociais

Nos últimos dias, listas com nomes de supostos integrantes do PCC começaram a circular em perfis ligados ao CV. Essas publicações vêm acompanhadas de ameaças e fotografias de pessoas mortas, disseminando o terror e a intimidação. As listas incluem fotografias, nomes, apelidos e cidades de origem, focando principalmente em moradores de Cassilândia, Inocência e Miranda. É importante ressaltar que não há confirmação independente da veracidade de todas as associações feitas pelos administradores desses perfis.

Em resposta à crescente onda de violência e à circulação de ameaças, a Sejusp declarou que as postagens em perfis ligados a organizações criminosas são monitoradas pelas forças policiais. A pasta assegura que tais publicações não representam uma ameaça relevante à segurança pública do estado, embora a percepção local seja de crescente insegurança e medo.