O dólar encerrou o pregão desta quarta-feira (29) em queda, atingindo R$ 5,108, após o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, anunciar a manutenção das taxas de juros no país. A decisão, esperada pelo mercado, veio acompanhada de um tom considerado mais moderado pelo presidente do Fed, Kevin Warsh, e por uma divisão entre os dirigentes da autoridade monetária. Em contrapartida, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 1,52%, enquanto os preços do petróleo dispararam cerca de 7% devido ao agravamento das tensões no Oriente Médio. Conforme divulgado pelo g1, a moeda americana operou perto da estabilidade durante a maior parte do dia, aguardando o pronunciamento do Fed.
Após a confirmação da manutenção dos juros, o dólar perdeu força globalmente. A tendência de queda se acentuou durante a coletiva de imprensa de Kevin Warsh. Embora o presidente do Fed tenha reafirmado o compromisso com a meta de inflação de 2%, ele também destacou sinais recentes positivos para o controle de preços. Essa fala foi interpretada pelo mercado como um discurso menos inflexível, o que contribuiu para a desvalorização da moeda americana.
A decisão do Fed de manter os juros entre 3,50% e 3,75% não foi unânime. Nove dos membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) votaram pela manutenção, mas Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan defenderam um aumento de 0,25 ponto percentual. Apesar da divisão, o mercado continua precificando uma alta probabilidade de aumento dos juros na próxima reunião, em setembro. O desempenho do câmbio também foi favorecido pelo aumento do apetite por operações de carry trade, beneficiadas pela diferença de juros entre Brasil e Estados Unidos. A valorização do petróleo, por ser o Brasil um exportador do produto, também contribuiu positivamente para o fluxo de recursos no país. Dados domésticos, como o resultado do Caged e o superávit da balança comercial, ficaram em segundo plano diante desses fatores.
Bolsa brasileira sente incertezas do exterior
O índice Ibovespa, da B3, encerrou o pregão em queda de 1,52%, afetado principalmente pelo desempenho das ações de bancos. O ambiente externo também pesou sobre os negócios na bolsa brasileira. Embora os juros nos EUA tenham sido mantidos, a divisão interna no Fed aumentou as incertezas sobre a futura trajetória da política monetária americana. A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio elevou a aversão ao risco nos mercados globais, impactando negativamente o desempenho das ações.
Em Nova York, o índice S&P 500 também fechou em queda, registrando uma desvalorização de 1,55%. Esse movimento reflete a cautela dos investidores diante da possibilidade de novos aumentos nas taxas de juros nos Estados Unidos. As ações da Petrobras, as mais negociadas na bolsa brasileira, conseguiram amenizar parte das perdas do Ibovespa. Isso ocorreu em função do forte acompanhamento da disparada das cotações internacionais do petróleo, que impulsionaram os papéis da estatal. As ações ordinárias da Petrobras subiram 2,35%, enquanto as preferenciais valorizaram-se 1,92%.
Petróleo dispara com escalada de tensões no Oriente Médio
O preço do petróleo interrompeu sua sequência de quedas e avançou mais de 7%. O impulso se deu pela retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. O barril do tipo Brent, referência para as negociações internacionais, fechou o pregão com alta de 7,32%, atingindo US$ 88,09 por barril. O petróleo WTI, do Texas, para setembro, subiu 6,56%, cotado a US$ 84,46 o barril. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o movimento foi impulsionado pela intensificação dos ataques envolvendo forças americanas e grupos apoiados pelo Irã. As declarações do presidente Donald Trump sobre uma possível resposta militar e o risco de escalada do conflito em uma região crucial para a produção de petróleo reforçaram essa alta.
Os preços do petróleo também receberam um impulso adicional da queda nos estoques semanais nos Estados Unidos, que foi maior do que o esperado pelo mercado. Essa redução na oferta, combinada com o aumento da demanda potencial em um cenário de instabilidade geopolítica, contribuiu significativamente para a valorização das cotações. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a dinâmica entre oferta e demanda, aliada ao fator geopolítico, criou um ambiente propício para a forte alta observada no dia. O Campo Grande NEWS também destaca que a volatilidade nos mercados de commodities é uma constante, especialmente em períodos de incerteza global.


