Tutores de animais em Campo Grande enfrentam uma situação angustiante. O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) está há mais de 90 dias sem estoque do medicamento essencial para a realização da eutanásia. Diante da escassez, a orientação para quem tem um animal em estado terminal e necessita do procedimento é buscar clínicas veterinárias particulares, o que representa um custo financeiro significativo para muitos.
CCZ sem medicação para eutanásia há 3 meses
A falta do insumo afeta diretamente os tutores que precisam tomar a difícil decisão de abreviar o sofrimento de seus pets em casos de doenças incuráveis ou sofrimento extremo. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, o CCZ de Campo Grande mantém atualmente apenas uma reserva técnica emergencial, destinada exclusivamente ao atendimento de animais de rua sem tutor e a casos de urgência comprovada, como atropelamentos ou fraturas expostas.
Um morador de 50 anos, que preferiu não se identificar, relatou ao portal a situação de sua cadela da raça rottweiler. O animal apresenta sintomas compatíveis com leishmaniose, uma doença grave e sem cura. Mesmo após a realização de exames, o resultado ainda não foi liberado, e a cadela permanece em casa, debilitada, sem conseguir se alimentar e em visível sofrimento. A preocupação com a possibilidade de transmissão da doença também é um fator de angústia para o tutor.
Ao procurar o CCZ, o tutor foi informado por uma servidora que a unidade está desabastecida do medicamento necessário para a eutanásia. A funcionária explicou que o procedimento não está sendo realizado por falta do composto, pois seria “desumano” recolher um animal sem oferecer o suporte adequado. A orientação, portanto, foi clara: buscar clínicas veterinárias particulares para realizar o procedimento.
A servidora acrescentou que, após a eutanásia particular, o CCZ pode oferecer o descarte gratuito do corpo do animal, um serviço que normalmente tem um custo de R$ 10 por quilo. No entanto, para tutores sem condições financeiras, essa alternativa se torna inviável, deixando os animais em sofrimento sem uma solução.
Leishmaniose: como funciona a transmissão e prevenção
A servidora do CCZ também esclareceu dúvidas sobre a leishmaniose. Ela ressaltou que a doença é uma zoonose transmitida exclusivamente pela picada do mosquito-palha infectado, e não pelo contato direto entre cães e pessoas. Para prevenir a transmissão, o uso de coleiras repelentes é recomendado, pois ajuda a impedir a picada do vetor e a interromper o ciclo da doença.
Prioridade para emergências e animais de rua
Atualmente, o CCZ de Campo Grande prioriza apenas situações emergenciais. A diretriz é realizar a eutanásia em animais de rua, sem tutor, ou em casos de urgência extrema que demandem atendimento imediato e compatível com a disponibilidade técnica da unidade. Para animais com tutor, a unidade não tem autorização para o acolhimento, e os demais serviços permanecem suspensos devido à falta de medicação.
O Campo Grande NEWS buscou contato com a Prefeitura de Campo Grande para obter esclarecimentos sobre os motivos da falta do medicamento, a previsão de normalização do estoque, a quantidade de procedimentos que deixaram de ser realizados e as medidas adotadas para solucionar o problema. Até o momento da publicação desta reportagem, não houve retorno da administração municipal.
A falta de um insumo básico para garantir o bem-estar animal em situações de sofrimento extremo levanta questionamentos sobre a gestão de recursos e a prioridade dada à saúde pública veterinária no município. A situação expõe a fragilidade do sistema público em atender demandas essenciais, deixando tutores em uma posição delicada e seus animais em sofrimento prolongado. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando o caso e buscando respostas da prefeitura.

