Venda do Consórcio Guaicurus pode livrar empresa de auditoria em Campo Grande

A possível venda do Consórcio Guaicurus para a Maas Administração e Participações Ltda., ligada à HP Mobilidade, levanta questionamentos sobre a continuidade e a necessidade de uma auditoria municipal em Campo Grande. Segundo o interventor Alexandro de Oliveira, a transação, firmada em 18 de julho, pode esvaziar o propósito da apuração antes mesmo de sua conclusão. A prefeita Adriane Lopes, por sua vez, afirma desconhecer as negociações e condiciona qualquer aprovação a um plano de melhorias no transporte coletivo.

A intervenção no Consórcio Guaicurus, que visa garantir a continuidade do serviço de transporte público durante um período de transição, não será interrompida. A missão principal da equipe de intervenção, conforme Alexandro de Oliveira, permanece focada em assegurar que a população não sofra com a instabilidade operacional. A auditoria, que seria realizada em uma segunda etapa, tinha como objetivo levantar a situação financeira e administrativa do consórcio, além de coletar provas sobre as falhas apontadas na prestação do serviço.

O relatório dessa auditoria serviria como base para a prefeitura decidir os próximos passos, que poderiam incluir a recomendação da caducidade do contrato, com a rescisão por descumprimento de obrigações, ou a devolução da gestão ao consórcio, mediante o cumprimento de uma série de exigências. No entanto, a venda da operação para um novo grupo pode alterar significativamente esse cenário.

Auditoria perde força com mudança de controle

Com a concretização da venda, a auditoria teria sua relevância diminuída, de acordo com o interventor. Alexandro de Oliveira explica que, se a negociação for aprovada, a empresa atualmente sob intervenção deixará a operação por iniciativa própria, e uma nova concessionária assumirá o serviço. Isso, na prática, muda o foco da apuração.

“A auditoria vai continuar, mas se der certo a venda, ela passa a ter uma relevância menor. A gente já sabe o que deu errado, a auditoria ia buscar provas mais robustas”, afirmou Alexandro. Ele ressalta que os problemas do transporte coletivo em Campo Grande já são de conhecimento da administração municipal, como a necessidade de renovação da frota, investimentos em terminais e melhorias na gestão.

Apesar de a auditoria poder fornecer um conjunto mais robusto de provas sobre essas deficiências, sua finalidade principal se perderia caso o contrato seja substituído por um novo acordo com a nova concessionária. Nesse novo contexto, caberá à prefeitura negociar diretamente com a empresa que assumir a operação, estabelecendo as novas obrigações e metas para a prestação do serviço.

Nova operadora vista com bons olhos pelo interventor

O interventor demonstrou otimismo em relação à HP Mobilidade, a empresa que estaria interessada em adquirir o Consórcio Guaicurus. “A empresa que está se propondo a isso tem um grupo forte, é uma empresa que presta um bom serviço em outras cidades e está interessada”, comentou Alexandro de Oliveira sobre a HP Mobilidade. Essa percepção positiva pode influenciar as futuras negociações entre a prefeitura e a nova operadora.

Prefeita desconhece negociação e impõe condições

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), declarou em coletiva de imprensa que não tinha conhecimento das negociações de venda do Consórcio Guaicurus. No entanto, ela deixou claro que qualquer aprovação para a transferência de controle dependerá do envio de um cronograma detalhado com propostas de melhoria para o sistema de transporte coletivo da capital. Essa postura indica que a prefeitura pretende ter um papel ativo na definição das condições para a continuidade do serviço.

A venda, formalizada em 18 de julho, foi assinada pela Maas Administração e Participações Ltda., uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) criada em 16 de julho e que integra o grupo HP Mobilidade. Em 21 de julho, o Consórcio Guaicurus comunicou oficialmente a prefeitura sobre a venda, mencionando a HP Mobilidade como responsável direta pela negociação. O objetivo da transação é a aquisição das empresas Viação Cidade Morena, Jaguar Transportes Urbanos, Viação Campo Grande e Viação São Francisco.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, a intervenção busca assegurar a qualidade e a continuidade do serviço de transporte público. A possível venda adiciona uma nova camada de complexidade ao processo, com a administração municipal agora avaliando se a nova gestão trará as melhorias esperadas. A opinião pública e a capacidade da nova empresa em apresentar um plano de ação concreto serão cruciais para a decisão final da prefeitura, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS. A transparência nas negociações e o compromisso com a população são pontos chave, como destacado pelo Campo Grande NEWS em reportagens anteriores sobre a mobilidade urbana.