Santa Casa de Campo Grande: R$ 757 milhões podem salvar hospital da crise

A Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande, um dos pilares da saúde na capital sul-mato-grossense, enfrenta uma crise financeira severa que se arrasta há mais de duas décadas. A diretoria do hospital aposta em um montante de R$ 757,2 milhões, proveniente de ações judiciais ganhas, como a única saída para reerguer a instituição, normalizar o atendimento e honrar seus compromissos com fornecedores e funcionários. A situação atual é de setores superlotados e pacientes chegando em estado cada vez mais grave, elevando os custos operacionais.

Santa Casa espera veredicto em ações para sair da crise

A grave situação financeira da Santa Casa de Campo Grande, que acumula dívidas na casa dos R$ 600 milhões, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, tem como principal causa a defasagem histórica nos repasses do Sistema Único de Saúde (SUS) e contratos públicos. A presidente da Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), mantenedora do hospital, Alir Terra, explicou que a falta de reajuste adequado na Tabela SUS ao longo dos anos impediu que a instituição acompanhasse os custos crescentes da saúde.

“A dívida total da Santa Casa é em torno de 600 milhões”, afirmou Alir Terra. Ela ressalta que, se os contratos tivessem sido reajustados de forma justa desde o início, o endividamento não teria atingido os níveis atuais. A diretoria, diante desse cenário, tem buscado na Justiça os recursos necessários para a sobrevivência da entidade, com dezenas de processos em andamento.

Ações judiciais somam mais de R$ 750 milhões

O principal processo que a Santa Casa espera resolver é um que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ) desde 2016. A corte federal está analisando a defasagem da Tabela SUS, que, segundo hospitais filantrópicos, não é atualizada adequadamente desde 2010. Neste caso específico, a Santa Casa de Campo Grande estima ter direito a receber R$ 678,5 milhões. Essa ação representa a maior esperança da instituição para uma recuperação financeira significativa.

Além da questão da Tabela SUS, o hospital busca reaver outros valores importantes. Uma ação judicial pede o repasse de R$ 52,1 milhões referentes a verbas destinadas à emergência de saúde durante a pandemia de COVID-19, montante que, segundo a diretoria, não teria sido integralmente pago. Outro caso recente, de 2025, envolve um convênio com o município, do qual a Santa Casa alega ter direito a receber R$ 26,5 milhões.

“Se a Santa Casa recebesse tudo, o hospital estaria revitalizado, atendendo a todos os pacientes da melhor maneira possível e com repasses em dia a todos os funcionários e fornecedores”, garante Alir Terra, presidente da ABCG. A expectativa é que o recebimento desses valores possa não apenas sanar as dívidas, mas também permitir investimentos em estrutura e equipamentos, melhorando a qualidade do atendimento.

Superlotação e casos graves agravam a crise

Enquanto a esperança reside nas ações judiciais, a realidade diária na Santa Casa é de desafios constantes. O pronto-socorro, um dos termômetros da crise, está novamente superlotado. O gerente médico do pronto-socorro, Marcos Bonilha, destacou que, além da falta de espaço, os pacientes que chegam ao hospital apresentam quadros clínicos cada vez mais graves e complexos.

Essa complexidade dos casos implica em maior tempo de internação e, consequentemente, em custos mais elevados para o hospital. Áreas como a ala vermelha, que antes acomodava entre cinco e seis pacientes, agora estão com cerca de 20 pessoas, evidenciando a sobrecarga do sistema. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a diretoria planeja, em reunião com a prefeitura, fechar temporariamente alguns setores para tentar aliviar a superlotação, medida que aguarda oficialização.

A situação reflete um problema crônico na saúde pública de Campo Grande, onde hospitais filantrópicos como a Santa Casa desempenham um papel fundamental, mas enfrentam dificuldades financeiras persistentes. A dependência de repasses públicos, muitas vezes insuficientes para cobrir os custos reais dos procedimentos, cria um ciclo vicioso de endividamento e precarização do atendimento. A busca por justiça financeira através de processos legais é, para a Santa Casa, o caminho para reverter esse quadro e garantir a continuidade de seus serviços essenciais à população.

A luta da Santa Casa de Campo Grande por recursos é um reflexo da necessidade de um sistema de saúde mais justo e equitativo, onde as instituições que mais atendem a população recebam o suporte financeiro adequado para operar com dignidade e eficiência. O desfecho das ações judiciais tem o potencial de transformar o futuro do hospital e, por extensão, a qualidade do atendimento de saúde para milhares de cidadãos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a expectativa é que os valores pleiteados possam trazer um alívio significativo e permitir a revitalização da estrutura hospitalar.

A comunidade de Campo Grande acompanha atentamente os desdobramentos dessa situação, na esperança de que a Santa Casa consiga superar a crise e voltar a ser referência em atendimento de saúde, com a superlotação e a falta de insumos sendo apenas memórias do passado. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a diretoria segue empenhada em buscar soluções para os desafios impostos pela crise financeira, visando sempre o bem-estar dos pacientes e a sustentabilidade da instituição.