Renan Santos, candidato à Presidência da República pelo partido Missão e um dos fundadores do MBL, esteve em Campo Grande (MS) como parte de sua pré-campanha pelo Centro-Oeste. Em coletiva de imprensa, ele detalhou suas propostas para segurança pública, economia e área social, com foco especial no combate ao crime organizado nas regiões de fronteira e na necessidade de uma reforma fiscal profunda.
Renan Santos propõe plano ambicioso contra o crime e por ajuste fiscal
O presidenciável Renan Santos, do partido Missão, encerrou sua passagem pelo Centro-Oeste em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Na capital sul-mato-grossense, o candidato reforçou seus principais eixos de campanha: o enfrentamento rigoroso ao crime organizado, especialmente nas áreas de fronteira, e a urgência de uma reforma fiscal para o país. Sua visita incluiu a defesa do uso das Forças Armadas em regiões estratégicas e a promessa de manter programas sociais essenciais.
Em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (23), Renan Santos destacou a importância de Mato Grosso do Sul como ponto nevrálgico no combate ao tráfico internacional de drogas. Ele defendeu a atuação das Forças Armadas nas fronteiras, a manutenção do Bolsa Família para famílias em real necessidade, e anunciou um programa de corte de R$ 3 trilhões em gastos públicos ao longo de dez anos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o partido Missão confirmou que não lançará candidato ao governo do estado em 2026, focando em candidaturas para o legislativo.
Oficializado candidato na última segunda-feira (20), Renan Santos encerra com Mato Grosso do Sul uma série de visitas aos estados do Centro-Oeste, que também incluiu Goiás e Mato Grosso. O objetivo, segundo ele, é apresentar os desafios e potencialidades de cada região, com planos de retornar para uma agenda mais intensa quando a campanha for oficializada. “É um Estado que padece muito dos problemas de fronteira, envolvendo drogas e crime organizado”, afirmou Santos, ressaltando que a população local sofre as consequências do fluxo ilegal.
Fronteira e crime organizado sob os holofotes
A segurança pública foi o tema central da coletiva, com Renan Santos classificando o cenário brasileiro como um “cenário de guerra” contra o crime organizado. Ele apontou Mato Grosso do Sul como rota crucial para o tráfico internacional de drogas, mencionando a “Rota Caipira” e a conexão com o Porto de Santos, onde, segundo ele, o PCC (Primeiro Comando da Capital) exporta drogas. Para combater essa realidade, propôs ampliar a atuação das Forças Armadas na faixa de fronteira, fortalecer a Polícia Federal e integrar o trabalho das polícias militares estaduais.
“As Forças Armadas vão ter que atuar na fronteira, a Polícia Federal vai poder fazer grandes operações e as polícias militares estaduais vão atuar nos municípios”, declarou Santos. Ele também defendeu uma intervenção federal no Porto de Santos, considerado por ele um ponto logístico vital para o crime organizado. “Toda essa linha que vai da fronteira até o Porto de Santos representa apenas uma das linhas da guerra que o Estado brasileiro vai ter que enfrentar contra o crime organizado”, disse o candidato.
Renan Santos mencionou a necessidade de estratégias específicas para outras regiões, citando o Ceará como exemplo de estado com municípios inteiros dominados por facções. Para isso, pretende apresentar ao Congresso Nacional um projeto de lei inspirado no conceito do “Direito Penal do Inimigo” e utilizar instrumentos como GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e Estado de Defesa em áreas de domínio de facções. “Quero que, no primeiro ano do governo, possamos dizer que o modelo atual do crime organizado foi destruído”, prometeu.
Bolsa Família mantido, mas com foco em reinserção produtiva
Na área social, Renan Santos descartou o fim do Bolsa Família, mas sinalizou que pretende alterar a execução do programa. “O Bolsa Família vai ser mantido, especialmente para as pessoas que precisam de verdade”, assegurou. Ele defende que o programa deixe de ser uma política permanente para alguns beneficiários, passando a oferecer mecanismos de inserção produtiva e frentes de trabalho, em parceria com estados e municípios, especialmente em obras de infraestrutura.
O candidato criticou a ampliação do programa para pessoas solteiras, considerando um “absurdo” que foge do conceito de família. Santos afirmou que priorizará políticas voltadas aos trabalhadores e contribuintes, que, segundo ele, “pagam a conta” do país. Sua visão é de que a pobreza não deve se tornar um “método político”, como ele percebe em algumas regiões do Nordeste, onde uma grande porcentagem de domicílios depende do programa.
Reforma fiscal ambiciosa para destravar o crescimento
Na economia, Renan Santos apontou o cenário fiscal brasileiro como o principal obstáculo ao crescimento e detalhou suas propostas de redução de gastos públicos. Ele mencionou que o partido já protocolou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) prevendo um corte de R$ 3 trilhões em despesas ao longo de dez anos. A proposta inclui uma nova reforma da Previdência, revisão de vinculações constitucionais para saúde e educação, desindexação de despesas obrigatórias e redução de privilégios no funcionalismo público e no Judiciário.
“Vamos mexer nos superprivilégios que existem no Judiciário e no alto funcionalismo, assim como nas muitas renúncias fiscais concedidas para grandes empresas”, afirmou. Segundo ele, a implementação dessas medidas nos primeiros seis meses de governo criaria espaço para a redução de juros e a retomada dos investimentos. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a expectativa é que a queda dos gastos públicos abra caminho para o investimento em infraestrutura e agronegócio.
Renan Santos também ressaltou a importância do fortalecimento da infraestrutura nacional, especialmente em estados produtores como Mato Grosso do Sul. Ele citou a ampliação da malha ferroviária, melhorias em rodovias, infraestrutura portuária e expansão das redes de energia elétrica como prioridades. O candidato defendeu a garantia de segurança jurídica para grandes obras, criticando ações judiciais que, em sua visão, paralisam projetos estratégicos. “Não pode um promotor ir para cima de uma obra essencial de infraestrutura. Isso gera insegurança e impede que investimentos internacionais venham para o Brasil”, pontuou.
A redução dos gastos públicos, conforme o Campo Grande NEWS verificou, também permitiria ampliar a oferta de crédito para o agronegócio. “O agro precisa de financiamento. Financiamento depende de capital, e capital depende do governo gastar menos para abrir espaço ao investimento”, concluiu.

