Corregedores Eleitorais de todo o Brasil se reúnem em Campo Grande para debater o uso da inteligência artificial (IA), o combate à desinformação e à propaganda eleitoral antecipada, além do poder de polícia dos juízes na internet. O 59º Encontro do Colégio de Corregedoras e Corregedores Eleitorais do Brasil (CCORELB) visa padronizar procedimentos e fortalecer a integridade do processo eleitoral para as Eleições Gerais de 2026.
IA e propaganda antecipada em foco nas eleições 2026
O evento, que acontece entre os dias 22 e 24 de julho em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, é promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS). O objetivo principal é alinhar as ações da Justiça Eleitoral em todo o país, evitando interpretações divergentes e garantindo um processo eleitoral unificado e seguro. A inteligência artificial e a disseminação de notícias falsas são pontos de atenção.
O juiz auxiliar da Corregedoria do TRE-MS, Olivar Augusto Coneglian, destacou a importância do encontro para uniformizar as orientações. “O grande objetivo é alinhar as orientações para que a Justiça Eleitoral não atue de forma diferente, por exemplo, no Pará, no Maranhão ou em Santa Catarina”, explicou Coneglian. As diretrizes definidas serão levadas às zonas eleitorais e municípios, promovendo um comportamento uniforme em todo o Brasil.
Desafios da Inteligência Artificial e Fake News
Um dos temas centrais do encontro é o impacto da inteligência artificial nas eleições. A preocupação é impedir o uso fraudulento da tecnologia para a manipulação de informações e a criação de fake news, que podem comprometer a lisura do pleito. O combate à desinformação é visto como um pilar fundamental para a manutenção da democracia.
Coneglian ressaltou que a Justiça Eleitoral está atenta aos riscos. “A preocupação é impedir o uso fraudulento da IA para manipular informações e comprometer a integridade das eleições”, afirmou. O avanço tecnológico exige novas estratégias para garantir que a vontade do eleitor seja expressa de forma autêntica.
Combate à Propaganda Eleitoral Antecipada
Outro ponto crucial em debate é a propaganda eleitoral antecipada. O encontro discute tanto as estratégias de fiscalização quanto a responsabilização dos envolvidos. A Justiça Eleitoral busca definir mecanismos eficazes para coibir essa prática, que pode desequilibrar a disputa eleitoral antes mesmo do início oficial da campanha.
O magistrado Olivar Coneglian enfatizou que a responsabilidade não recai apenas sobre quem produz o conteúdo irregular. “O cidadão comum também pode ser responsabilizado. Quem compartilha mentiras nas redes sociais não está isento de responsabilidade. Ela não recai apenas sobre o candidato ou quem produziu o conteúdo, mas sobre todos que ajudam a disseminá-lo”, alertou.
O Poder de Polícia dos Juízes na Internet
A atuação dos juízes eleitorais no ambiente digital também foi um dos destaques. O coordenador de Fiscalização do Cadastro Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, Roberto Magno Aguiar Frazão, apresentou um panorama sobre o poder de polícia e a atuação dos magistrados na internet. A discussão foca em como a Justiça Eleitoral pode agir para garantir a ordem e a legalidade no espaço virtual.
Frazão explicou que as decisões recentes da Justiça Eleitoral determinam a designação de juízes específicos para casos de propaganda eleitoral na internet, visando evitar decisões conflitantes. Essa medida busca centralizar e uniformizar o julgamento dessas questões, conforme o Campo Grande NEWS checou. A intenção é garantir que a fiscalização seja mais eficiente e consistente.
Contudo, é preciso cautela para preservar a liberdade de expressão. “O juiz precisa analisar se determinado conteúdo é irregular ou apenas representa uma crítica, que é permitida no processo eleitoral. Quando houver ofensa, a pessoa pode buscar o direito de resposta, que será analisado pela Justiça Eleitoral”, disse Frazão. O equilíbrio entre a fiscalização e a garantia dos direitos fundamentais é um desafio constante.
Os juízes eleitorais das zonas continuarão responsáveis pela fiscalização da propaganda física, como carros de som e outdoors. Já as questões digitais ficarão concentradas nos juízes auxiliares designados pelos tribunais. O poder de polícia pode ser usado para remover conteúdos que violem as regras eleitorais, como fake news ou impulsionamento irregular de propaganda, sempre dentro dos limites legais e das resoluções do TSE, conforme detalhado pelo Campo Grande NEWS em suas reportagens.
O evento em Campo Grande reafirma o compromisso da Justiça Eleitoral com a modernização e a adaptação aos novos desafios tecnológicos, visando assegurar eleições cada vez mais transparentes e seguras para todos os brasileiros. A colaboração e o intercâmbio de experiências entre os corregedores são essenciais para o aprimoramento contínuo dos processos eleitorais, como destaca o Campo Grande NEWS.

