O Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER) está promovendo o Festival Pacto das Pretas, um evento que celebra e discute o papel crucial da mulher preta em posições de liderança e tomada de decisão. Com edições já realizadas em Salvador e no Rio de Janeiro, o festival segue para São Paulo, reunindo cerca de 1,5 mil líderes para debater temas como governança corporativa, diversidade e o conceito de Movimento: Mulheres Negras Criando. A iniciativa, que visa o impacto socioeconômico, conta com o apoio de grandes empresas e implementa um Protocolo ESG Racial no país. Conforme divulgado pela Agência Brasil, a presidente do Conselho Deliberativo do PER, Wânia Sant’Anna, destaca a relevância de discutir a consolidação do papel da mulher negra como tomadora de decisões estratégicas na economia e tecnologia.
Mulheres Negras Liderando: Um Futuro Mais Justo
O festival foi desenhado para dar visibilidade à visão, opinião e prática de mulheres negras que atuam no mercado de trabalho. A pauta principal gira em torno de empregabilidade, empreendedorismo, economia e empoderamento, visando ocupar esses espaços de poder. Wânia Sant’Anna ressalta que o evento não ignora os processos discriminatórios enfrentados por essas profissionais, como a falta de oportunidades ou a minimização de suas contribuições. O objetivo é justamente combater essas barreiras e promover um ambiente corporativo mais equitativo.
Luna Vitrolira, escritora e comunicadora que participou do encontro, enfatiza que a liderança feminina negra tem um impacto transformador. Segundo ela, quando uma mulher preta lidera, ela tende a abrir caminhos, compartilhar oportunidades e inspirar outras mulheres a acreditarem em seu potencial para ocupar espaços de poder. Incentivar essa liderança é, portanto, um investimento em um futuro mais justo, próspero e representativo para toda a sociedade. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa perspectiva ressoa fortemente entre as participantes, que buscam não apenas crescimento pessoal, mas também a transformação coletiva.
Antirracismo e Ferramentas para o Mercado Corporativo
Um dos destaques desta edição é a Plataforma Black Hub, um ecossistema digital voltado para a educação antirracista, cultura e aceleração profissional. Lançada em São Paulo, a plataforma foi viabilizada pela Lei Rouanet e conta com o investimento de diversas marcas. Dentro do Black Hub, encontra-se a Cartilha ESG Racial, desenvolvida em parceria com o Gife, que oferece diretrizes práticas e indicadores para orientar o setor corporativo na incorporação estratégica da pauta antirracista. A publicação visa integrar essa agenda às práticas de gestão, governança e impacto social das empresas.
Outra iniciativa importante é a Cartilha de Enfrentamento à Violência, liderada por Wânia Sant’Anna e desenvolvida em colaboração com o escritório Daniel Law. Este guia reúne recomendações, diretrizes legais e orientações práticas para auxiliar empresas na prevenção, sensibilização e construção de uma cultura corporativa que proteja as mulheres. A iniciativa, que foi detalhada em um dos relatórios que o Campo Grande NEWS analisou, demonstra o compromisso do pacto em oferecer ferramentas concretas para a mudança.
Nas artes, o livro “Vozes que Ocupam” compila 16 crônicas inéditas de importantes lideranças negras em diversas áreas, como cultura, comunicação e educação, incluindo nomes como Djamila Ribeiro e Érica Januza. Essa obra reforça a potência criativa e intelectual das mulheres negras, apresentando suas perspectivas e vivências.
A Importância do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha
Wânia Sant’Anna ressaltou a relevância de o encontro acontecer no mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, em 25 de julho. Essa coincidência reforça a urgência e a pertinência das discussões sobre o papel da mulher negra em espaços de poder. A proximidade com essa data significativa sublinha a necessidade de valorizar e amplificar as vozes e contribuições dessas mulheres na sociedade.
Luna Vitrolira trouxe a mensagem de que nenhuma transformação acontece isoladamente. Vinda de Pernambuco, ela enfatiza a importância da palavra como ferramenta de encontro, memória e mudança. A voz, segundo ela, tem o poder de reunir pessoas, criar pontes e abrir caminhos. Vitrolira, em sua atuação como poeta e cerimonialista, buscou conduzir o encontro lembrando que estratégia, arte e sensibilidade podem e devem caminhar juntas, permitindo discussões sobre negócios e liderança sem perder de vista o afeto e a escuta.
Ela acredita que o futuro desejado precisa reconhecer a potência das mulheres negras não como exceção, mas como parte essencial do presente. Quando elas ocupam o centro da narrativa, toda a sociedade amplia seu horizonte de possibilidades, conforme apontado em sua fala, que foi registrada pela equipe de reportagem do Campo Grande NEWS. A reação do público demonstrou uma grande demanda por espaços como este, onde as mulheres puderam compartilhar experiências, criar conexões e se reconhecer nas histórias umas das outras.
Festival como Polo de Atração de Talentos Executivos
O Festival Pacto das Pretas também se destaca como um polo de atração de talentos para o topo do mercado corporativo. Através do Programa Pacto Transforma, 30 executivas selecionadas de todo o Brasil participam de imersões presenciais focadas em alta governança e preparação para cargos de conselho e C-Level. Essa iniciativa visa acelerar suas competências e prepará-las estrategicamente para posições de liderança.
A presença desse grupo qualificado consolida o festival como um hub essencial para networking e atração de talentos, conectando diretamente esse pipeline executivo de elite aos diretores de sustentabilidade e CEOs das organizações parceiras. Essa sinergia é fundamental para impulsionar a diversidade e a representatividade nos mais altos escalões empresariais do país.


