Consórcio Guaicurus é vendido para empresa goiana: Prefeitura de Campo Grande pode exigir investimentos

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), confirmou nesta terça-feira (21) a venda do Consórcio Guaicurus, principal operador do transporte coletivo na capital sul-mato-grossense, para a HP Mobilidade, empresa sediada em Goiânia, Goiás. A negociação, que marca uma inédita transferência de controle no setor em Campo Grande, ainda precisa ser oficializada pela Prefeitura, que poderá impor condições para a aprovação, incluindo a exigência de investimentos significativos em melhorias para o serviço. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a intervenção no consórcio, iniciada em junho deste ano, permanece ativa e acompanhará todo o processo de transição.

Venda do Consórcio Guaicurus gera expectativas e exigências da Prefeitura

A confirmação da venda do Consórcio Guaicurus para a HP Mobilidade pegou a administração municipal de surpresa. A prefeita Adriane Lopes declarou que, embora a venda tenha ocorrido sem comunicação prévia, a prefeitura está pronta para analisar a proposta e pode acelerar o fim da intervenção caso a empresa compradora apresente um plano de ação concreto e viável. As possíveis exigências municipais para a aprovação da transferência de controle incluem a aquisição de novos ônibus, a instalação de ar-condicionado em toda a frota e a reforma dos terminais de transporte público. A intervenção, conduzida por uma comissão desde junho, continuará até a conclusão da transição, com o objetivo de garantir que o novo controlador invista em melhorias para os passageiros. A prefeitura informou que desconhece o valor da transação, mas reforça que a palavra final sobre a aprovação é do Executivo Municipal.

Etapas essenciais para a aprovação da transferência

Para que a transferência de controle do Consórcio Guaicurus seja efetivada, a HP Mobilidade precisará cumprir uma série de etapas burocráticas e regulatórias. A primeira delas, conforme a procuradora-geral de Campo Grande, Cecília Saad Cruz Scala, é o protocolo do pedido de transferência junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão federal. Após a análise e aprovação do Cade, que verificará a situação legal e a capacidade da empresa compradora, será necessário obter a anuência formal da Prefeitura de Campo Grande. É neste momento que o município poderá impor as condições e exigências para a operação, como detalhado anteriormente. O contrato de concessão atual não será renovado por mais 30 anos, mas sim assumido pela nova empresa, que terá que cumprir o prazo de vigência restante.

Reequilíbrio econômico-financeiro e a nova gestão

A transição de controle do Consórcio Guaicurus ocorre em um momento crucial para o transporte público de Campo Grande, coincidente com o período de reequilíbrio econômico-financeiro da concessão. A cada sete anos, as empresas operadoras têm o direito de solicitar uma revisão contratual para avaliar a viabilidade financeira do serviço. Atualmente, o prazo para essa solicitação está aberto, o que pode influenciar as negociações e as exigências da prefeitura. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a gestão municipal busca assegurar que qualquer mudança na operação resulte em benefícios tangíveis para os usuários, como a modernização da frota e a melhoria da infraestrutura dos terminais. A transparência e o diálogo com o poder concedente são vistos como fundamentais para o sucesso dessa transição.

Nota oficial do Consórcio Guaicurus e do Grupo HP

Em comunicado oficial, o Consórcio Guaicurus confirmou a celebração do contrato de compra e venda de quotas com a Maas Administração e Participações Ltda., sociedade de propósito específico ligada ao Grupo HP, em 18 de julho de 2026. A aquisição abrange as quatro empresas que compõem o Sistema Integrado de Transporte (SIT) de Campo Grande: Viação Cidade Morena, Jaguar Transportes Urbanos, Viação Campo Grande e Viação São Francisco. O consórcio informou que o Poder Concedente foi comunicado, mas ressaltou que a conclusão do negócio e a transferência de controle dependem da aprovação das autoridades competentes. As empresas consorciadas reiteraram sua disposição para o diálogo com o município, visando soluções que garantam a continuidade e a qualidade do transporte coletivo. O Grupo HP, por sua vez, também emitiu nota, destacando que a operação ainda requer a aprovação dos órgãos competentes para ser finalizada, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.