A venda do Consórcio Guaicurus para a empresa goiana HP Mobilidade, anunciada nesta terça-feira (21), marca um novo capítulo na história do transporte coletivo de Campo Grande, trazendo consigo um misto de incertezas e esperanças para os usuários. A Prefeitura, através da prefeita Adriane Lopes (PP), informou que analisará a proposta que a nova empresa apresentará, podendo inclusive antecipar o fim do processo de intervenção que está em andamento.
Este movimento ocorre após meses de críticas à gestão do transporte público na Capital e um período de intervenção que já dura mais de um mês. A expectativa é que a HP Mobilidade traga melhorias significativas, como a renovação da frota e a implementação de ar-condicionado nos veículos, conforme o desejo expresso pela prefeita.
A oficialização da venda foi comunicada à Prefeitura durante uma reunião nesta terça-feira. O Consórcio Guaicurus, que operava o sistema desde 2012, pode ter sua trajetória encerrada, abrindo caminho para uma nova gestão que promete mudanças. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a própria Prefeitura já vinha estudando a possibilidade de trazer uma nova empresa para gerir o transporte na cidade.
Intervenção em andamento e possibilidade de antecipação
A intervenção no Consórcio Guaicurus, iniciada em meados de junho deste ano com um prazo previsto de seis meses, agora pode ter seu fim antecipado. A prefeita Adriane Lopes declarou que a decisão dependerá da proposta apresentada pela HP Mobilidade. “Se antes a empresa, no curto espaço de tempo, nos apresentar uma proposta real, factível e de mudança, a gente pode antecipar o término de uma intervenção”, afirmou.
A chefe do executivo municipal deixou claro quais são as expectativas: “Queremos ônibus novo, queremos ar-condicionado, queremos terminais reformados, queremos transportes de qualidade”, disse, enfatizando a necessidade de melhorias concretas para o serviço. A intervenção, que tem como objetivo avaliar o futuro do transporte público, pode inclusive investigar a fundo as finanças do consórcio, que segundo informações, pode ter um rombo superior a R$ 20 milhões.
Contrato e possível prorrogação
Caso a Prefeitura aprove a permanência da HP Mobilidade no controle do transporte coletivo, seja ao final do prazo de intervenção ou antecipadamente, a empresa assumirá o restante do contrato original do Consórcio Guaicurus, que se estende até 2032. O contrato inicial, firmado em 2012, tinha a duração de 20 anos. Há discussões sobre a possibilidade de prorrogação por mais 10 anos, até 2042, mas a prefeita Adriane Lopes ressaltou que, por ora, não há discussões sobre alterar o fim do contrato vigente.
O Consórcio Guaicurus, em nota oficial, confirmou que o contrato de compra e venda das quotas das quatro empresas que operam o Sistema Integrado de Transporte (SIT) de Campo Grande — Viação Cidade Morena, Jaguar Transportes Urbanos, Viação Campo Grande e Viação São Francisco — foi fechado no último dia 18 de julho. A venda, segundo fontes, já vinha sendo cogitada desde abril, com movimentações incomuns nas empresas e garagens.
O futuro dos funcionários
Uma das principais dúvidas diz respeito ao futuro dos mais de mil funcionários do Consórcio Guaicurus, entre motoristas, mecânicos e administrativos. A prefeita Adriane Lopes assegurou que, durante o período de intervenção, o quadro de funcionários permanece inalterado. No entanto, ela admitiu a possibilidade de a nova empresa, a HP Mobilidade, ampliar o número de colaboradores caso assuma a concessão.
Em conformidade com a Lei de Sucessão Trabalhista, os contratos de trabalho são automaticamente transferidos para a nova gestão, preservando o tempo de serviço, salários e direitos adquiridos. Caso a HP Mobilidade decida fazer ajustes no quadro, tem a prerrogativa de demitir funcionários, mas deverá obrigatoriamente arcar com todas as verbas rescisórias integrais. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a legislação garante a proteção dos trabalhadores nesse processo de transição.
Histórico de críticas e a intervenção
A venda do Consórcio Guaicurus surge em um momento crucial, após anos de críticas à má gestão do serviço de transporte público na Capital. A intervenção, determinada em dezembro de 2025, visava justamente reavaliar a concessão e buscar soluções para a qualidade do transporte. O processo de intervenção já enfrentou resistência por parte dos empresários do consórcio.
Apesar das dificuldades, a intervenção segue seu curso, com a possibilidade de abrir a “caixa-preta” do consórcio e revelar detalhes financeiros. A atuação do Campo Grande NEWS tem sido fundamental para trazer à tona informações relevantes sobre o transporte público, como a recente tentativa do consórcio de bloquear o acesso a R$ 46 milhões em uma conta da empresa, um dia antes do anúncio da venda. A expectativa é que a nova gestão traga um novo fôlego ao sistema, com melhorias que beneficiem diretamente a população de Campo Grande.

