Idoso acumulador é assistido após incêndio em casa com reciclados

Dois dias após o incêndio que devastou uma residência no Bairro Coronel Antonino, em Campo Grande, a Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS) confirmou que o idoso proprietário do imóvel, conhecido por acumular materiais recicláveis, está sob acompanhamento do Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI), vinculado à unidade Norte.

Apesar de ter recusado atendimento da assistência social em 2024, o idoso continua sendo monitorado. O imóvel, que acumulava materiais recicláveis por cerca de quatro anos, foi tomado pelas chamas no último domingo (19). A situação gerou preocupação entre vizinhos, que relataram infestações de ratos e escorpiões no local.

A SAS informou que, mesmo diante da negativa do idoso em receber o auxílio em 2024, o acompanhamento não foi interrompido. Uma nova demanda foi recentemente encaminhada pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), reforçando a continuidade do suporte.

Incêndio mobiliza bombeiros e vizinhos em Campo Grande

O incêndio ocorreu na madrugada de domingo (19), na Rua Germino Ceni. As chamas, que chegaram a ser controladas, voltaram a ganhar força horas depois, exigindo nova mobilização do Corpo de Bombeiros. Moradores relataram momentos de tensão, precisando subir nos telhados para jogar água e impedir que o fogo se alastrasse para residências vizinhas.

A quantidade de materiais recicláveis e outros objetos acumulados no imóvel há aproximadamente quatro anos foi apontada por vizinhos como um fator agravante. Segundo eles, essa situação já havia sido objeto de reclamações aos órgãos públicos devido à proliferação de pragas, como ratos, escorpiões e mosquitos.

SAS garante acompanhamento, mas respeita autonomia do idoso

Em nota oficial, a SAS esclareceu que o PAEFI já está atuando junto ao idoso e que todos os encaminhamentos necessários para garantir sua proteção e assistência foram realizados. A secretaria explicou que, enquanto o indivíduo possui capacidade para responder por seus atos, ele tem o direito de recusar o atendimento público, não sendo possível o acolhimento compulsório nesses casos.

A pasta ressaltou que suas equipes continuam monitorando a situação de perto e que o objetivo é restabelecer vínculos familiares e oferecer suporte social sempre que houver receptividade e possibilidade.

Saúde e Prefeitura definem responsabilidades sobre o imóvel

Por outro lado, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) reiterou que a responsabilidade pela manutenção e limpeza do imóvel é do proprietário, conforme estabelecido pela legislação municipal. A Sesau informou ainda que não há registros recentes de denúncias relacionadas ao endereço nos canais de fiscalização da Vigilância Sanitária.

A atuação da Vigilância Sanitária, segundo a Sesau, se restringe a situações que configurem risco sanitário direto, dentro de suas atribuições legais. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a legislação municipal prevê que o proprietário é o responsável pela conservação do seu imóvel.

A situação reforça a complexidade dos casos de acúmulo de materiais e a importância do trabalho integrado entre as secretarias. O Campo Grande NEWS acompanha de perto as questões que afetam a comunidade e busca trazer informações relevantes para os moradores. A dedicação do Campo Grande NEWS em cobrir os acontecimentos locais demonstra seu compromisso com a informação de qualidade.