Uma planilha detalhada e áudios obtidos pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) indicam que a Editora Avante, investigada por supostas fraudes em contratos públicos, planejava expandir suas operações para pelo menos cinco estados brasileiros. O material, encontrado nos dados telemáticos de Felipe Paroschi Jafar, aponta para um mapeamento de cidades e a distribuição de áreas de atuação comercial em Mato Grosso do Sul, Bahia, Pará e Pernambuco, com indícios de alcance em um quinto estado.
Editora Avante planejava expansão para cinco estados, revela investigação
A investigação, que apura contratos públicos firmados pela Editora Avante, aponta para uma estrutura de prospecção comercial que ia além das fronteiras de Mato Grosso do Sul. Uma planilha intitulada “AVANTE – PLANILHA.xlsx”, encontrada entre os dados vinculados ao e-mail de Felipe Paroschi Jafar, detalha 17 localidades em quatro estados, com nomes de responsáveis pela prospecção. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o material integra um relatório do Gaeco sobre os contratos.
A editora, que teria vínculos com a família Jafar em Campo Grande, apesar de possuir sede em São Paulo, é o foco principal desta etapa da investigação. A organização da planilha, com a divisão de municípios entre os envolvidos, é um dos elementos que sustentam a tese de que a atuação não se resumia a contatos pontuais, mas sim a uma estratégia planejada de expansão comercial.
Bahia e Mato Grosso do Sul no centro da prospecção
A planilha lista com detalhe as cidades mapeadas. Mato Grosso do Sul aparece com cinco municípios: Aparecida do Taboado, Novo Horizonte do Sul, Porto Murtinho, Santa Rita do Pardo e Glória de Dourados. A Bahia, por sua vez, concentrava o maior número de cidades prospectadas, totalizando oito: Barreiras, Coribe, Juazeiro, Salvador, São Félix do Coribe, Camaçari, Feira de Santana e Lauro de Freitas.
O Pará também estava no radar da editora, com as cidades de Capanema, Capitão Poço e Salinópolis relacionadas. O arquivo mencionava ainda “Pernambuco – PE”, embora sem especificar cidades. Segundo a análise do Gaeco, as primeiras nove localidades mencionadas na tabela estavam ligadas a Rhayane e Rafael, enquanto Camaçari, as cidades paraenses, Feira de Santana, Lauro de Freitas, Pernambuco e Glória de Dourados eram de responsabilidade de Rhayane e Felipe.
Rede de contatos e indicações para fechar negócios
As conversas e áudios analisados pelo Gaeco reforçam a ideia de uma rede de contatos e indicações para viabilizar a prospecção. Em uma das trocas, Felipe Paroschi Jafar se apresenta como representante da Avante a uma interlocutora identificada como Rita, afirmando ter recebido o contato através de uma ex-deputada federal de Mato Grosso do Sul. O diálogo evoluiu para a solicitação de informações sobre o número de alunos por série, indicando a tratativa de um possível orçamento.
Outra gravação revela Felipe discutindo com Francisco Anizio dos Santos, figura de destaque na estrutura da Editora Avante, sobre as cidades que já estavam sendo visitadas e aquelas em que ele possuía contatos para agilizar negociações. Felipe Jafar chegou a afirmar em áudio que possuía um “networking muito bom, principalmente para fora daqui do estado”, indicando que sua rede de relacionamentos seria mais forte fora de Mato Grosso do Sul do que dentro do próprio estado.
A estrutura da Editora Avante, conforme o relatório do Gaeco, contava com Francisco Anizio dos Santos em uma posição de destaque, participando da definição de estratégias, pagamentos e tendo acesso irrestrito às contas bancárias da empresa. O Campo Grande NEWS apurou que a investigação busca entender a extensão dessas operações e a participação de cada indivíduo na suposta fraude.
A investigação aponta para uma atuação coordenada, onde a divisão de tarefas e o uso de redes de contatos eram estratégias para ampliar o alcance das negociações. O material apreendido, incluindo a planilha e as gravações, sugere que a Editora Avante não se limitava a contratos em Mato Grosso do Sul, mas sim que havia um plano de expansão para outras regiões do país. Conforme o Campo Grande NEWS acompanhou, a análise detalhada desses dados é crucial para desvendar a completa dimensão do esquema.

