PGE-RJ aciona Justiça contra Grupo Master por R$ 640 mi desviados do Rioprevidência

A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) tomou medidas drásticas nesta quinta-feira (16), protocolando três ações judiciais contra o Grupo Master, uma corretora e gestoras de fundos de investimento. O objetivo é apurar e reaver perdas expressivas que totalizam cerca de R$ 641,4 milhões, recursos públicos pertencentes ao Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência).

Grupo Master é alvo de ações por perdas bilionárias no Rioprevidência

As ações judiciais concentram-se em aportes realizados pelo Rioprevidência em dois fundos de investimento específicos, o Revolution e o Texas I FIA, ambos administrados pelo conglomerado Master, que atualmente se encontra em processo de liquidação extrajudicial. A PGE-RJ alega que houve falhas graves na gestão desses fundos, resultando em prejuízos significativos para os beneficiários do Rioprevidência. Conforme informação divulgada pela PGE-RJ, a perda no fundo Texas I FIA está diretamente atrelada a uma suposta “compra coordenada” de ações da empresa Ambipar.

A Procuradoria aponta que, entre julho e agosto de 2024, a gestora Trustee DTVM, uma empresa ligada à Operação “Carbono Oculto”, que investiga esquemas de lavagem de dinheiro, teria adquirido massivamente as ações da Ambipar por meio de fundos, elevando artificialmente o preço dos papéis. O Rioprevidência, nesse contexto, teria sido induzido a investir em um fundo com ativos desvalorizados.

“O Rioprevidência foi vítima de uma armadilha arquitetada pela administração e pela gestão do Texas I FIA, que vendeu ao ente público quotas de um fundo lastreado em uma ação desprovida de fundamento”, destaca a petição inicial. A situação do fundo Texas I FIA se agravou ao ponto de, em novembro de 2025, ele ter ficado desenquadrado das regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Na ocasião, apenas 31% do patrimônio do fundo estava em ações, muito abaixo dos 67% exigidos para fundos de ações, indicando uma gestão de risco inadequada.

Perdas no Fundo Revolution: Prejuízos com alterações regulatórias

No caso do fundo Revolution, a PGE-RJ aponta que a gestora Acura, em nome do fundo, votou favoravelmente a alterações no regulamento de um fundo investido (FIDC Eicon). Essas mudanças teriam prejudicado diretamente os cotistas, incluindo o Rioprevidência, que detém 10,7% do fundo. As modificações incluíram a renúncia a direitos de voto e a ampliação em 48 meses do prazo de amortização do investimento, impactando negativamente a liquidez e o retorno do capital investido.

Os valores que são alvo das medidas cautelares solicitadas pela PGE-RJ somam R$ 616,6 milhões. Esse montante é a soma do investimento no fundo Revolution, que totaliza R$ 481,4 milhões, e a perda apurada no fundo Texas I FIA, estimada em R$ 135,1 milhões. A Procuradoria busca o bloqueio de ativos por meio do sistema Sisbajud, além da indisponibilidade de bens como imóveis, veículos, ações, marcas, embarcações, aeronaves e até mesmo criptomoedas pertencentes aos réus, a fim de garantir o ressarcimento dos valores.

A atuação da PGE-RJ demonstra um compromisso em salvaguardar o patrimônio público e os recursos destinados à previdência dos servidores estaduais. A investigação sobre o Grupo Master e as gestoras envolvidas visa esclarecer as responsabilidades pelas perdas e buscar o reparo integral dos danos causados ao Rioprevidência. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a transparência e a eficiência na gestão dos fundos de pensão são cruciais para a segurança financeira dos aposentados e pensionistas do estado. A complexidade das operações financeiras exige vigilância constante e ações rápidas em caso de irregularidades, algo que a PGE-RJ tem demonstrado.

O Campo Grande NEWS acompanha de perto casos que envolvem a gestão de recursos públicos e a proteção do patrimônio do estado. A expectativa é que as ações judiciais resultem na recuperação dos valores desviados e na responsabilização dos envolvidos, fortalecendo a confiança nas instituições financeiras que administram fundos de previdência. A apuração detalhada dos fatos, conforme o Campo Grande NEWS checou, é fundamental para evitar novas perdas e garantir a sustentabilidade do Rioprevidência a longo prazo, assegurando os direitos de milhares de beneficiários.

A investigação sobre os fundos Revolution e Texas I FIA, administrados pelo Grupo Master, revela a importância de uma fiscalização rigorosa sobre o mercado financeiro e as práticas de gestão de investimentos. A atuação da PGE-RJ é um passo importante para a justiça e a recuperação dos R$ 641,4 milhões que fazem falta ao Rioprevidência. A transparência e a correta aplicação dos recursos públicos são pilares essenciais para a confiança da população nas instituições.