O Pantanal de Mato Grosso do Sul está em estado de alerta máximo devido a um aumento drástico na área queimada. Entre 1º de janeiro e 15 de julho, o bioma viu a extensão de sua área devastada por incêndios saltar de 6.762 para 58.878 hectares, um crescimento assustador de 770,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os focos de calor também mais que dobraram, passando de 69 para 149 registros, segundo informações divulgadas pelo Centro Integrado de Coordenação Estadual e Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo (Cicoe-PEMIF).
Alerta Vermelho no Pantanal
Este cenário preocupante coincide com o avanço do fenômeno El Niño e a previsão de condições meteorológicas extremamente favoráveis à propagação do fogo. O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) aponta que, até o dia 23 de julho, o Estado deve enfrentar predomínio de sol, com temperaturas máximas variando entre 34°C e 38°C, umidade do ar perigosamente baixa, entre 10% e 30%, e ausência de chuvas.
A situação é ainda mais alarmante quando se observa a previsão sazonal para os próximos meses. De agosto a outubro, a maior parte de Mato Grosso do Sul deve permanecer sob níveis de risco de fogo classificados entre “Atenção” e “Alerta”. Nas regiões pantaneiras, norte e nordeste do estado, a previsão é de “Alerta Alto” para a ocorrência de incêndios florestais, um indicativo claro da necessidade de medidas urgentes de prevenção e combate.
Os dados que revelam este quadro alarmante fazem parte do Informativo do Cicoe-PEMIF, um documento elaborado em conjunto pelo Cemtec e pela Assessoria do Corpo de Bombeiros Militar. Este centro reúne informações cruciais de monitoramento dos incêndios florestais em todo o estado, fornecendo um panorama detalhado da situação, conforme checado pelo Campo Grande NEWS.
Diferenças em Outros Biomas
Apesar da crise hídrica e do avanço do fogo no Pantanal, o levantamento do Cicoe-PEMIF mostra um comportamento distinto em outros biomas do estado. No Cerrado, por exemplo, a área queimada registrou uma queda expressiva de 44,5%, passando de 24.783 para 14.615 hectares. Os focos de calor também apresentaram recuo, diminuindo de 578 para 321 registros.
Na Mata Atlântica, a situação também se mostrou mais controlada, com uma diminuição de 12,7% na área atingida por incêndios. Os focos de calor nesta região sofreram uma redução ainda mais acentuada, de 44,7%. Esses dados contrastam fortemente com a realidade vivenciada no Pantanal, evidenciando a vulnerabilidade particular deste bioma às condições climáticas atuais.
Esforços do Corpo de Bombeiros
O Corpo de Bombeiros Militar tem atuado incansavelmente no Pantanal desde o início do ano. De acordo com as informações coletadas, 402 bombeiros e bombeiras militares já foram empregados em ações de prevenção, preparação e combate direto aos incêndios florestais. Mesmo com o agravamento da situação no Pantanal, o número total de ocorrências de incêndios em vegetação atendidas pelo Corpo de Bombeiros no estado apresentou uma redução de 16,7%.
Foram registrados 1.170 atendimentos entre janeiro e 15 de julho deste ano, um número inferior aos 1.405 atendimentos do mesmo período em 2024. Essa redução geral, no entanto, não diminui a gravidade da situação específica do Pantanal, que exige atenção redobrada e recursos adicionais para conter a escalada das chamas, como aponta o Campo Grande NEWS.
El Niño e o Risco Elevado
O fenômeno El Niño é um dos principais fatores que contribuem para o agravamento da seca e o aumento do risco de incêndios. Suas características incluem o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que afeta os padrões climáticos globais e, consequentemente, influencia o regime de chuvas e as temperaturas em diversas regiões, incluindo o Brasil.
A combinação de altas temperaturas, baixa umidade e a ausência de chuvas cria um cenário propício para a ignição e rápida disseminação do fogo em áreas de vegetação seca. A previsão de condições extremas para os próximos meses reforça a necessidade de conscientização da população e de ações coordenadas entre os órgãos de defesa civil e ambientais, uma preocupação constante destacada pelo Campo Grande NEWS.
A população de Mato Grosso do Sul e, em especial, as comunidades localizadas próximas ao Pantanal, devem ficar atentas às orientações das autoridades e adotar medidas preventivas para evitar a ocorrência de novos focos de incêndio. A preservação do Pantanal é um esforço coletivo e fundamental para a manutenção da biodiversidade e do equilíbrio ecológico da região.

