Tilápias em Cassilândia: Produção de 4 milhões de peixes por mês impulsiona economia e gera empregos

Projeto inédito em Cassilândia projeta até 4 milhões de peixes juvenis mensais

Cassilândia se prepara para dar um salto significativo em seu agronegócio com a instalação da sua primeira unidade de recria de tilápias. O empreendimento, liderado pela Piscicultura Buriti/Santa Laura, tem previsão de iniciar suas operações em janeiro de 2027, com a promessa de produzir até 4 milhões de alevinos (peixes juvenis) por mês. Esta iniciativa promete não apenas diversificar a economia local, mas também inserir o município de forma robusta na cadeia produtiva da piscicultura em Mato Grosso do Sul.

A expectativa é que a nova atividade gere entre 40 e 50 empregos diretos, com uma prioridade especial para a contratação de mulheres, reconhecendo sua assertividade no manejo da piscicultura. O projeto, que já adquiriu uma área de aproximadamente 12 hectares a cerca de 26 quilômetros do centro de Cassilândia, está em fase de licenciamento ambiental, com obras previstas para começar nos próximos meses. Conforme divulgado pela prefeitura, a escolha estratégica de Cassilândia se deve à sua localização privilegiada, facilitando a logística para atender clientes em diversas regiões, incluindo São Paulo.

Diversificação econômica impulsiona novo ciclo de desenvolvimento

A chegada da piscicultura em Cassilândia acontece em um momento de forte transformação econômica para o município, que tem atraído investimentos em diversas cadeias produtivas do agronegócio. Além da nova atividade com tilápias, a região tem visto uma expansão expressiva na citricultura, com empresas como Citrosuco, Frucamp e Agro Hernandes somando cerca de 5 mil hectares de pomares de laranja. A expectativa é que somente a citricultura gere mais de 3 mil empregos nos próximos anos.

A heveicultura, cultivo de seringueiras, também tem ganhado espaço, com aproximadamente 3 a 4 mil hectares cultivados e a geração de cerca de mil empregos. O município ainda conta com cerca de 18 mil hectares de amendoim e amplia áreas destinadas ao cultivo de soja e eucalipto. Essa diversificação é vista pelo prefeito Rodrigo Barbosa de Freitas como fundamental para reduzir a dependência econômica de poucos segmentos e fortalecer um novo ciclo de desenvolvimento, gerando renda e novas oportunidades para os produtores locais, conforme o Campo Grande NEWS checou.

Produção de alevinos estimula engorda e frigoríficos locais

O projeto da Piscicultura Buriti/Santa Laura, sob a gestão do empresário Fabiano Ludwig, visa suprir a demanda por peixes juvenis para propriedades de engorda e frigoríficos. Na primeira etapa, serão implantados cerca de 40 tanques escavados, cobrindo quatro a cinco hectares de lâmina d’água. A capacidade inicial de produção será de 2 milhões de peixes mensais, com um plano de expansão gradual para atingir os 4 milhões, conforme a demanda crescer. A produção local de alevinos é vista como um estímulo para que produtores rurais invistam na fase seguinte da cadeia produtiva, a engorda dos peixes.

“Com a produção acontecendo aqui, nossos produtores poderão adquirir esses peixes, investir em tanques para a fase de engorda e abastecer posteriormente os frigoríficos. Estamos criando uma nova cadeia produtiva que vai movimentar a economia local, gerar renda e fortalecer o agronegócio”, destacou o prefeito. Essa iniciativa reforça a estratégia de Cassilândia em se consolidar como um polo do agronegócio no estado, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

Escassez de mão de obra: o principal gargalo para o crescimento

Apesar do cenário promissor de crescimento impulsionado por novos empreendimentos, Cassilândia enfrenta um desafio comum a municípios em rápido desenvolvimento: a escassez de mão de obra. Embora a população estimada seja de 26 a 27 mil habitantes, a oferta de trabalhadores já não acompanha o ritmo dos investimentos. Empresas instaladas na cidade têm recorrido à contratação de profissionais de outras cidades e estados para preencher as vagas.

A prefeitura tem buscado soluções através de parcerias com o Sistema S e o programa Cidade Empreendedora do Sebrae/MS, visando ampliar a qualificação profissional da população. No entanto, o prefeito ressalta que o principal gargalo atual deixou de ser a capacitação e passou a ser a disponibilidade de trabalhadores. “Hoje o nosso maior gargalo é a mão de obra. Estamos investindo em qualificação, mas já faltam pessoas para atender à demanda das empresas”, afirmou. Essa dificuldade pode impactar a velocidade de expansão de projetos como o da piscicultura, mas a expectativa é que a geração de empregos e a atração de novos moradores ajudem a suprir essa demanda a médio prazo, como detalhado pelo Campo Grande NEWS.