Cegos embarcam na rua: desrespeito a vagas vira rotina

A rotina de pacientes e funcionários do Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos (ISMAC), em Campo Grande, é marcada pela antiga reclamação de motoristas que desrespeitam a sinalização e ocupam vagas destinadas a pessoas com deficiência. Apesar de melhorias implementadas pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), como a criação de uma área exclusiva para embarque e desembarque, a situação persiste, forçando pessoas cegas a embarcar e desembarcar no meio da rua, aumentando o risco de acidentes.

Vagas para deficientes são ocupadas por motoristas imprudentes

O Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos (ISMAC), localizado na região central de Campo Grande, enfrenta um problema recorrente que compromete a segurança e o acesso de seus pacientes. Motoristas insistem em estacionar irregularmente nas vagas reservadas para pessoas com deficiência, ignorando a sinalização e as necessidades específicas do público atendido. Mesmo com a Agetran tendo criado uma área exclusiva para embarque e desembarque, os horários de pico no instituto se tornam um cenário de risco.

A situação, já noticiada pelo Campo Grande News em 2023, demonstra a persistência da falta de conscientização. Na época, a instituição já denunciava que pacientes precisavam acessar o prédio em meio ao trânsito intenso devido ao estacionamento irregular nas vagas reservadas. A reportagem do Campo Grande News, que checou a situação, evidenciou a gravidade do problema.

Astrogilda Maria José, vice-presidente do Ismac e pessoa com deficiência visual, reconhece os avanços, mas lamenta a falta de consciência de parte da população. “Felizmente, a Agetran pintou para a gente uma vaga grande de embarque e desembarque, principalmente para beneficiar o pessoal que vem do interior. Nós atendemos pessoas do Estado inteiro e, antes, os ônibus eram obrigados a parar em fila dupla. Melhorou muito, eles nos atenderam, mas infelizmente falta consciência da população”, afirma.

Desrespeito em horários de pico coloca vidas em perigo

Apesar da nova área de embarque e desembarque, o problema se agrava com motoristas que estacionam em frente à instituição e nas vagas reservadas, sem qualquer identificação que autorize o uso. Os horários de maior movimento no instituto, que coincidem com os períodos de pico de trânsito na região, são os mais críticos.

“O pior momento é entre 7h e 8h30, ao meio-dia e depois das 16h30, quando os pais vão deixar ou buscar os filhos nas escolas próximas. Eles param tanto na frente da instituição quanto nas vagas reservadas, sem nenhuma credencial de pessoa com deficiência”, relata Astrogilda.

Esses mesmos horários são os de maior chegada de pacientes para atendimento. Muitos utilizam carros de aplicativo ou o transporte da saúde, e acabam sendo forçados a embarcar e desembarcar em fila dupla, pois a vaga exclusiva está indevidamente ocupada. A vaga de embarque e desembarque é destinada a permanências de até 15 minutos, mas muitos motoristas a utilizam como estacionamento prolongado.

Risco de atropelamento e a necessidade de conscientização

O Ismac realiza uma média de 1.700 atendimentos mensais, recebendo cerca de 100 pacientes por dia. O público é composto por pessoas cegas e com baixa visão, o que eleva significativamente os riscos decorrentes do desrespeito às vagas. O perigo de atropelamento e acidentes é uma preocupação constante.

“O risco é de atropelamento e acidentes. Quando o transporte da saúde para na fila dupla, a pessoa precisa embarcar no meio da rua. Felizmente nunca tivemos um acidente, porque os motoristas ajudam e nossos profissionais também auxiliam quando necessário. Mas a gente não precisa esperar acontecer para tomar consciência”, alerta Astrogilda.

Para a vice-presidente, a solução transcende a fiscalização e reside na mudança de comportamento dos motoristas. “É uma questão de conscientização. Assim como nos supermercados, as vagas ficam próximas da entrada para facilitar o acesso de quem tem deficiência. Isso precisa ser respeitado em todos os lugares. Essas vagas existem porque as pessoas têm limitações de mobilidade, sejam deficientes físicos, visuais ou até famílias de pessoas autistas. É preciso pensar no próximo”, conclui.

A sugestão desta matéria veio de um leitor, que enviou sua reclamação através do canal Direto das Ruas, reforçando a importância da participação cidadã na fiscalização e na busca por soluções. O Campo Grande News, ao checar a informação, reafirma o compromisso com a apuração de fatos que afetam a comunidade e a busca por direitos básicos, como o acesso seguro e digno para todos. A reportagem do Campo Grande News, que você pode conferir em www.campograndenews.com, detalha a situação vivida pelos pacientes do Ismac.