Horas antes de uma audiência crucial que definirá o futuro do Instituto Guarda Animal, a defesa da organização divulgou um vídeo contundente rebatendo as acusações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). O MP aponta supostos usos indevidos de recursos da ONG, pedindo inclusive a sua dissolução. A defesa, por sua vez, admite irregularidades pontuais ocorridas em 2022, mas assegura que estas foram devidamente corrigidas e que o contexto das despesas é completamente diferente do atual.
A proposta apresentada pela ONG à Justiça prevê o encerramento gradual das atividades em um prazo de dez meses, com a destinação de todos os 73 animais acolhidos para adoção ou para outras entidades de proteção animal. A organização busca, inclusive, o apoio da Prefeitura de Campo Grande para viabilizar essa transição, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Gastos antigos e contexto diferente
Na ação civil pública que move contra o Instituto Guarda Animal, o Ministério Público lista despesas consideradas incompatíveis com as finalidades da entidade. Entre os itens questionados estão gastos com aplicativos de entrega, restaurantes, lojas de departamento, salão de beleza, cinema e transporte por aplicativo. O MP também solicita a dissolução da ONG e medidas relacionadas aos animais sob sua guarda.
Em resposta, o advogado que representa o instituto esclareceu que os gastos em questão remontam a 2022. Naquele período, as responsáveis pela entidade não contavam com assessoria jurídica e contábil adequada, o que teria levado a uma confusão entre despesas pessoais e institucionais. Essa situação, segundo a defesa, foi corrigida após os primeiros apontamentos feitos pelo próprio Ministério Público.
O advogado ressaltou que as responsáveis pelo abrigo dedicavam-se integralmente aos animais e não possuíam outras fontes de renda na época. Por essa razão, parte das despesas acabava sendo realizada sem a devida separação entre a pessoa física e a instituição. Essa prática, conforme a defesa, foi **interrompida há cerca de quatro anos**, após orientações recebidas durante as investigações, como verificou o Campo Grande NEWS.
Correção e dificuldades financeiras
Segundo a defesa, após a identificação do problema, as responsáveis passaram a evitar qualquer gasto pessoal vinculado à estrutura financeira da ONG. Essa mudança, contudo, agravou as dificuldades financeiras enfrentadas pelas mantenedoras do abrigo, que passaram a depender exclusivamente de doações para cobrir necessidades básicas, enquanto continuavam responsáveis pelos animais acolhidos.
No vídeo divulgado, o advogado criticou a interpretação dada às despesas listadas na ação, afirmando que os lançamentos foram tratados como indícios de enriquecimento pessoal das responsáveis pelo instituto, o que a defesa nega veementemente. Outro ponto questionado foi o pedido do MP para o bloqueio de contas bancárias das representantes da entidade. A defesa argumenta que tal medida atingiria diretamente pessoas físicas e poderia comprometer despesas essenciais à sobrevivência das mantenedoras, incluindo uma delas, idosa e com problemas de saúde.
Proposta de encerramento gradual
Apesar de contestar as acusações, a defesa confirmou a intenção de não manter mais o Instituto Guarda Animal em funcionamento. A proposta a ser apresentada à Justiça prevê um prazo de dez meses para que os 73 animais atualmente acolhidos sejam destinados por meio de adoções ou transferências para outras entidades de proteção animal. A intenção é promover uma transição gradual, evitando impactos aos cães e gatos que permanecem sob os cuidados da organização, como detalhado pelo Campo Grande NEWS.
A defesa argumenta que muitos dos animais possuem histórico de abandono, doenças ou necessidades específicas, exigindo acompanhamento individualizado. O pedido inclui o apoio do Município de Campo Grande em campanhas de adoção durante esse período. Caso ainda existam animais sem destino ao final do prazo, a entidade pretende solicitar que o poder público indique um local para recebê-los.
Processo e situação atual
A ação movida pelo Ministério Público reúne relatórios de fiscalizações realizadas entre 2022 e 2025, que apontaram problemas sanitários, falhas de manejo, ausência de controles obrigatórios e condições inadequadas para parte dos animais mantidos pela instituição. A ONG contesta a forma como essas informações foram utilizadas no processo e sustenta que a situação atual do abrigo é diferente da retratada na ação.
Segundo a defesa, o instituto mantém hoje 73 animais, número inferior ao apontado pelo Ministério Público, e segue realizando atendimento veterinário, vacinação, castração e encaminhamento para adoção. A audiência de conciliação entre Ministério Público, Município e representantes da entidade está marcada para a tarde desta quarta-feira (15), quando as partes deverão discutir os próximos passos para a destinação dos animais e o futuro da organização.

