Morre Alcides Bernal: despedida emocionante ao som de Mercedita em Campo Grande

Ao som da emblemática canção paraguaia “Mercedita”, familiares, amigos e antigos aliados políticos se despediram do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, na tarde desta segunda-feira (13). O cortejo fúnebre, marcado por profunda emoção, lágrimas e aplausos, acompanhou o político, descendente de paraguaios e ex-presidente da Colônia Paraguaia, até seu último repouso no Cemitério Jardim das Palmeiras.

Alcides Bernal faleceu na madrugada de segunda-feira, após sofrer um infarto e passar por um terceiro cateterismo de urgência. Ele tinha 60 anos e completaria 61 na terça-feira (14). Bernal estava preso preventivamente desde março, acusado de assassinar um auditor fiscal, um capítulo final trágico para uma trajetória política marcada por ascensões e reviravoltas.

A cerimônia de despedida contou com uma seleção musical que tocou os corações dos presentes. Além de “Mercedita”, que fala de um amor que termina, mas deixa lembranças, foram executadas “Gostava Tanto de Você”, de Tim Maia, “Longa Estrada da Vida”, eternizada por Milionário e José Rico, e “Noites Traiçoeiras”, do Padre Marcelo Rossi. A descida do caixão foi saudada com um **aplauso emocionado**, um último reconhecimento a uma figura pública que dividiu opiniões.

Trajetória política e profissional de Bernal

A carreira de Alcides Bernal foi multifacetada, começando no rádio em 1992. Sua entrada na política se deu com a eleição para vereador de Campo Grande em 2004, sendo reeleito em 2008. Em 2010, conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS). O ápice de sua carreira política foi a vitória na eleição para prefeito de Campo Grande em 2012, com expressivos 62,55% dos votos válidos no segundo turno. No entanto, dois anos depois, ele se tornou o primeiro prefeito da capital a ser cassado pela Câmara Municipal, um episódio que marcaria sua vida pública.

Em um revés judicial, Bernal foi reconduzido ao cargo em agosto de 2015 por decisão da Justiça, concluindo seu mandato no final de 2016. Essa dualidade de momentos, da aclamação popular à queda política e posterior retorno, ilustra a complexidade de sua trajetória. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a cassação em 2014 foi um marco que o acompanhou pelo resto de sua vida pública, como destacou o vereador Beto Figueiró.

Amizades e homenagens no adeus

Entre os presentes, estava o advogado Wilton Acosta, amigo de Bernal há cerca de 25 anos e membro de sua defesa no caso do assassinato do auditor fiscal. A amizade, que começou na Colônia Paraguaia, demonstrava os laços pessoais que transcendiam a esfera profissional e política. A companheira de Bernal, Mirian Elzy Gonçalves, e a filha, Sarah Anahi Bernal, acompanharam a despedida, optando por um momento de recolhimento sem declarações à imprensa.

Diversas personalidades políticas marcaram presença, incluindo o deputado federal Geraldo Resende, o ex-prefeito e vereador Marquinhos Trad, o vereador Riverton de Souza, a ex-secretária municipal Jacqueline Hildebrand Romero, e os advogados Ricardo Machado e Wiltob. A publicitária Márcia Sherer, que trabalhou em sua campanha e assessoria de comunicação, relembrou com carinho os anos de convivência profissional, expressando um sentimento de tristeza e injustiça.

“O Bernal sempre lutou por justiça, sempre buscou que a verdade sobre tudo o que viveu fosse revelada”, afirmou Márcia Sherer, ressaltando a esperança de Bernal em provar sua versão dos fatos. Para ela, “o Bernal vai deixar muita saudade” e a sensação de que “a justiça ainda precisava ser feita”. A publicitária contou com exclusividade ao Campo Grande NEWS que “o Bernal confiava na Justiça e sempre dizia que a verdade seria provada, que conseguiria demonstrar tudo o que aconteceu em Campo Grande e todas as perseguições que sofreu”.

O fim de uma vida marcada por polêmicas e paixões

O deputado federal Geraldo Resende, embora não fosse próximo de Bernal, expressou respeito por sua trajetória e pela vontade popular que o levou ao Paço Municipal. “O Bernal teve uma passagem vitoriosa pela política”, comentou, acrescentando que ele “foi vítima, em algumas circunstâncias, da má política”. Resende lembrou que Bernal foi reconduzido ao cargo após ser cassado, evidenciando a força de sua ligação com o eleitorado.

Marquinhos Trad, que sucedeu Bernal na prefeitura, reconheceu divergências políticas, mas manteve uma relação de respeito. Ele destacou que Bernal “enfrentou perseguições” e “deixou sua marca na história da Capital”. O vereador Riverton de Souza enfatizou que a história de Bernal não se resume aos episódios recentes, lembrando sua passagem pelo rádio e sua ascensão sem pertencer a uma família política tradicional. Jacqueline Hildebrand Romero, por sua vez, recordou as oportunidades profissionais que recebeu do ex-prefeito.

O último capítulo: prisão e morte inesperada

Nos últimos meses, Alcides Bernal voltou a ser centro das atenções após sua prisão preventiva em março, acusado da morte do auditor fiscal Roberto Carlos Mazzini. Bernal admitia ter atirado, mas alegava legítima defesa. O Ministério Público apresentou uma versão distinta sobre a motivação do crime. Bernal faleceu antes de ser julgado, deixando o caso em aberto.

A morte ocorreu na Santa Casa, onde ele estava internado e havia passado por seu terceiro cateterismo de urgência. Os médicos constataram trombose nos stents implantados em suas artérias cardíacas. Após tentativas de reanimação, o óbito foi confirmado. A notícia de seu falecimento, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, pegou muitos de surpresa, encerrando a vida de um homem que viveu intensamente os altos e baixos da vida pública e pessoal.