Mais de cem manifestantes ocuparam as ruas centrais de Campo Grande neste sábado (12) na 1ª Marcha Trans e Travesti de Mato Grosso do Sul. Com bandeiras, cartazes e carro de som, o grupo partiu da Praça do Rádio Clube em direção à Avenida Calógeras, buscando dar visibilidade às pautas da população trans e protestar contra retrocessos em direitos.
Primeira Marcha Trans e Travesti em MS busca visibilidade
A mobilização, organizada por coletivos como ATTMS e IBRAT-MS sem financiamento público, reuniu pessoas de diversas organizações em um momento considerado de retrocessos para a população trans. A concentração teve início por volta das 14h, com o grupo saindo para a caminhada às 15h40, ocupando uma faixa da via com acompanhamento da Guarda Civil Metropolitana de Trânsito.
A presidente de honra da ATTMS, Crys Stefany, explicou que a marcha nasceu da necessidade de dar maior visibilidade à pauta trans, embora dialogue com todo o movimento LGBTQIA+. Segundo ela, a iniciativa é um primeiro ato que busca afirmar a existência e os direitos da população trans.
“A Marcha Trans é um primeiro ato que foi encabeçado pelo Kaik, um homem trans, que levantou a necessidade de termos uma marcha específica da população trans. Nós, da ATTMS, já realizávamos esse tipo de ação, embora não com esse nome. A diferença é que a marcha foi pensada justamente para dar maior visibilidade à pauta trans”, disse Crys.
Ocupação das ruas e luta por direitos
Crys Stefany ressaltou a importância de ocupar as ruas e os espaços públicos para mostrar que pessoas trans existem, pagam impostos e merecem os mesmos direitos garantidos pela Constituição. Ela criticou projetos de lei considerados inconstitucionais e lembrou que decisões do STF já asseguram direitos como a retificação de nome e gênero sem a necessidade de cirurgia.
“É extremamente importante ocuparmos as ruas e estarmos nesses espaços públicos. Estamos aqui para mostrar que pessoas trans existem, que pagam impostos, merecem os mesmos direitos e que esses direitos já são garantidos pela Constituição”, comentou Crys.
A presidente de honra da ATTMS também abordou o cenário de violência enfrentado pela população trans no Brasil, destacando que o país é o que mais mata pessoas trans no mundo. “Vivemos no país que mais mata pessoas trans no mundo. É por isso que precisamos ocupar as ruas, gritar que existimos e afirmar que merecemos respeito. Continuaremos lutando permanentemente para que direitos já reconhecidos sejam efetivamente respeitados”, afirmou.
Marco histórico para a comunidade trans em MS
O vice-coordenador do IBRAT-MS, João Vilela, classificou a primeira edição da marcha como um marco histórico para o estado. Ele enfatizou que a mobilização é uma resposta ao cenário nacional de ataques aos direitos da população trans.
“A primeira Marcha Trans de Mato Grosso do Sul é um momento histórico para a luta por direitos e pela visibilidade da população trans. O IBRAT-MS tem orgulho de ser um dos apoiadores dessa mobilização, construída coletivamente por diversos movimentos sociais e pela comunidade”, declarou.
“Vivemos um cenário em que ainda enfrentamos discursos preconceituosos e ataques aos nossos direitos. Estar aqui hoje é dizer que existimos, resistimos e seguiremos defendendo nossos direitos”, acrescentou João Vilela.
Programação e apoio institucional
A marcha seguiu pelas ruas Padre João Crippa, Dom Aquino, 14 de Julho e Antônnio Maria Coelho até a Avenida Calógeras, onde está montado um palco para apresentações artísticas. A programação inclui shows de artistas como Nanda Sant’Anna, DJ Afro Paty, DJ Afro Queer, DJ Deumathh, DJ Depieri e DJ Hytalo, além de uma Vogue Night. As apresentações devem ocorrer até as 23h.
A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul (DPMS) também marcou presença no evento, oferecendo orientação jurídica e divulgando a campanha

