Palco Montado: 1ª Marcha Trans e Travesti de MS Promete Luta e Celebração em Campo Grande

A Avenida Calógeras, em Campo Grande, já respira os ares da primeira Marcha Trans e Travesti de Mato Grosso do Sul. Na manhã deste sábado (12), a montagem do palco, que será o centro das celebrações e manifestações culturais ao longo da noite, começou. O local, próximo ao monumento da Maria Fumaça, foi escolhido para o encerramento da passeata, que promete reunir até mil pessoas em um marco para o movimento no estado.

Marcha Trans e Travesti de MS toma forma em Campo Grande

A estrutura para a 1ª Marcha Trans e Travesti de Mato Grosso do Sul começou a ser montada neste sábado (12) na Avenida Calógeras, em Campo Grande. O palco, ponto de encontro para apresentações culturais e musicais, foi iniciado por volta das 9h. Este evento histórico, organizado pela comunidade sem recursos públicos, visa celebrar e reivindicar direitos, reunindo até mil pessoas.

A concentração está marcada para as 14h na Praça do Rádio Clube, com a caminhada iniciando às 15h. O percurso passará por importantes vias da cidade, culminando na Avenida Calógeras. A organização espera um grande público, que poderá desfrutar de apresentações culturais até as 23h. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a iniciativa demonstra a força e a união da comunidade trans e travesti sul-mato-grossense.

Luan Henrique de Souza, assessor técnico da Subsecretaria de Políticas Públicas LGBTQIA+, destacou a importância do evento. “É um momento histórico e único, a primeira Marcha Trans e Travesti aqui do Estado”, afirmou. Ele ressaltou que a marcha é uma resposta aos retrocessos de direitos em nível mundial e uma afirmação de que “nossos corpos importam, que nossa existência importa, que a gente existe e está aí vivendo, resistindo contra todo esse ataque às nossas pessoas”.

Programação cultural e reivindicações marcam o evento

Após a caminhada, o palco na Avenida Calógeras será palco de apresentações de artistas como Nanda Sant’Anna, DJ Afro Paty, DJ Afro Queer, DJ Deumathh, DJ Depieri e DJ Hytalo. A programação também inclui uma **Vogue Night**, manifestação ligada à cultura Ballroom, que se inicia por volta das 16h30 ou 17h e se estende até as 23h. Luan Henrique explicou que a proposta é apresentar uma expressão cultural que nasceu da luta de pessoas trans e travestis negras, sendo a Vogue Night um momento histórico por sua relevância.

O organizador enfatizou que o evento é aberto a todos, incluindo parceiros, aliados e a comunidade trans, convidando o público a conhecer a história e a luta por direitos básicos. “A gente só está aqui querendo existir e ter os nossos direitos básicos respeitados”, comentou Luan. A realização da marcha, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, é fruto da mobilização da própria comunidade, com arrecadações por meio de vaquinhas e apoio de parceiros, sem financiamento público.

Defensoria Pública oferece retificação de nome e gênero

Um ponto crucial da marcha será o estande da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul. No local de chegada da caminhada, haverá atendimento voltado para a **retificação de nome e gênero**, através do projeto “Transformando Histórias”. Os interessados poderão realizar o cadastramento durante o evento. Posteriormente, no dia 18 de julho, os participantes deverão comparecer à sede da Defensoria para formalizar o pedido. A expectativa é que a marcha amplie o número de pessoas que buscam este serviço, conforme o Campo Grande NEWS noticiou.

A organização reforça que, apesar de ter havido articulação com lideranças políticas, como a deputada federal Camila Jara e a vereadora Luiza Ribeiro, não houve repasse de recursos públicos para a realização do evento. A marcha é, portanto, um testemunho da capacidade de mobilização e auto-organização da comunidade trans e travesti de Mato Grosso do Sul, que busca visibilidade, respeito e a garantia de seus direitos fundamentais.