Ponte de concreto “esqueleto” ameaça 32 alunos sem transporte escolar em MS

A promessa de uma ponte de concreto sobre o Córrego Mimoso, na divisa entre Campo Grande e Nova Alvorada do Sul, em Mato Grosso do Sul, transformou-se em um cenário de incertezas. Enquanto a obra, paralisada desde outubro, mal atingiu 20% de sua execução, os problemas para os moradores da região se tornam cada vez mais reais. O transporte de 32 estudantes da zona rural está em risco iminente, somando-se às dificuldades já enfrentadas no escoamento da produção agropecuária local.

A obra, que deveria facilitar a vida de produtores e estudantes, virou um obstáculo. A antiga travessia de madeira, precária e desgastada pelo tempo, não oferece mais segurança para o tráfego. Com a paralisação da construção da nova ponte, a situação se agrava, levantando preocupações sobre a continuidade do ano letivo para dezenas de crianças e adolescentes.

A paralisação da construção da ponte de concreto sobre o Córrego Mimoso, na divisa entre Campo Grande e Nova Alvorada do Sul, na rodovia CG-284, se arrasta desde 13 de outubro. O empreendimento, que visa substituir a precária travessia de madeira, teve sua execução comprometida por atrasos no repasse de verbas federais, atingindo apenas 20% do planejado. A situação coloca em risco o transporte escolar de 32 estudantes da zona rural, que dependem dessa rota para chegar à escola. As prefeituras de ambos os municípios buscam soluções para amenizar o problema, enquanto a estrutura da ponte nova se resume a um “esqueleto” e a placa da obra se encontra retorcida, um símbolo da obra parada.

Alunos podem ficar sem ir à escola

O prefeito de Nova Alvorada do Sul, José Paulo Paleari (PP), relatou a gravidade da situação. Segundo ele, o responsável pelo transporte escolar já comunicou oficialmente à prefeitura a intenção de suspender o serviço. A decisão se deve ao perigo iminente de utilizar a antiga ponte de madeira, que, apesar de parte do trajeto já pertencer ao município de Campo Grande, representa um risco para a segurança dos estudantes. Paleari afirmou que está em contato com a Prefeitura de Campo Grande para buscar uma solução conjunta, ressaltando que os moradores não se importam com a divisão municipal, mas sim com a entrega de serviços públicos essenciais.

Os 32 estudantes afetados moram a cerca de 10 quilômetros do distrito de Pana, pertencente a Nova Alvorada do Sul, mas a 180 quilômetros da área urbana de Campo Grande. Essa distância, somada à precariedade da travessia, torna o acesso à escola um desafio diário e cada vez mais perigoso.

Atrasos federais paralisam obra de R$ 1,5 milhão

A paralisação da obra foi oficialmente divulgada pela Prefeitura de Campo Grande no Diário Oficial em 27 de novembro do ano passado, embora a suspensão tenha ocorrido em 13 de outubro. O contrato, firmado com a empresa Andrade Construções Ltda., previa um investimento total de R$ 1.555.106,29. A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) explicou que o motivo da interrupção foram os atrasos no repasse de recursos por parte do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, órgão federal responsável pelo financiamento.

A Sisep informou, em novembro de 2025, que já havia realizado a contrapartida municipal, investindo R$ 175 mil. Esse valor foi suficiente para iniciar os serviços e atingir os 20% de execução da ponte. No entanto, sem o repasse federal, não há mais recursos para dar continuidade ao cronograma da obra, deixando o projeto em um limbo financeiro e físico.

Impacto no agronegócio e busca por soluções

Além do risco para o transporte escolar, a ponte inacabada prejudica significativamente o escoamento da produção agropecuária da região. Grãos, leite e gado, que são a base da economia local, enfrentam dificuldades para chegar aos mercados devido às más condições da travessia existente. A falta de uma infraestrutura adequada impacta diretamente a renda dos produtores rurais e a oferta de produtos na região.

A reportagem do Campo Grande NEWS entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande e com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional para obter um posicionamento sobre a situação da ponte e as medidas que estão sendo tomadas para solucionar o problema. O jornal aguarda retorno de ambos os órgãos. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a falta de diálogo e de ações concretas tem sido um fator crucial para a demora na resolução do impasse.

A situação evidencia a necessidade de maior agilidade e eficiência na gestão pública, especialmente em projetos que afetam diretamente a vida da população e o desenvolvimento econômico de uma região. A expectativa é que, com a pressão pública e a atuação da imprensa, como a realizada pelo Campo Grande NEWS, as autoridades responsáveis tomem as providências necessárias para a retomada e conclusão da obra, garantindo a segurança dos estudantes e o progresso do agronegócio local.