Documentário ‘Fronteiras’ une dança e memória em circuito gratuito

Cruzando dança e registro biográfico, a produção audiovisual “Fronteiras” realiza um circuito gratuito de exibições e oficinas em Campo Grande e Porto Murtinho ao longo deste mês de julho. Além de apresentar um filme, o projeto propõe um deslocamento de olhar: enxergar o corpo como território de memória, linguagem e resistência.

Conforme informação divulgada, o documentário “Fronteiras”, dirigido por Ralfer Campagna e Raylson Chaves, realiza exibições e oficinas gratuitas em Campo Grande e Porto Murtinho durante julho. O filme cruza dança e registro biográfico, destacando as trajetórias de Luara Maria e Rose Mendonça, mulheres negras que ocupam a tela com seus corpos como forma de resistência. As atividades incluem oficinas no MIS entre os dias 15 e 17, voltadas à comunidade negra e LGBTQIAPN+.

Dirigido por Ralfer Campagna e Raylson Chaves, o documentário se constrói no encontro entre movimento e imagem para dar visibilidade a histórias que, muitas vezes, não encontram espaço nos registros tradicionais. Na tela, as trajetórias de Luara Maria e Rose Mendonça conduzem a experiência. Mulheres negras, uma travesti e outra cisgênera, elas não apenas relatam vivências, mas ocupam a imagem com seus corpos, tensionando normas e ampliando as possibilidades de representação das feminilidades negras.

Corpo como Linguagem e Memória

“Há coisas que não se dizem, se atravessam, se sentem e se manifestam no gesto. O corpo comunica sem precisar passar pela palavra falada ou escrita, ele próprio é a linguagem. Cada movimento carrega memória e identidade, produzindo sentidos e leituras de mundo”, afirma Campagna. Ele complementa que, nesse contexto, a presença da dança e das produções das artistas no filme reafirma o legado que elas seguem construindo no Estado, apresentando uma outra forma de fruir e contar suas histórias por meio do movimento.

Programação Gratuita e Inclusiva

A proposta do projeto “Fronteiras” não se encerra na exibição. Em Campo Grande, o filme foi apresentado no dia 10 de julho, às 20h, no Tampa Espaço Criativo. Na sequência, entre os dias 15 e 17, o MIS (Museu da Imagem e do Som) sediou oficinas de criação de roteiros documentais, explorando o diálogo entre corpo, memória e audiovisual. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essas oficinas foram voltadas preferencialmente à comunidade negra e LGBTQIAPN+.

No dia 18 de julho, a programação seguiu para Porto Murtinho, com atividades formativas ao longo do dia e exibição gratuita do documentário no Cine Teatro Ney Machado Mesquita. As oficinas propostas visam uma introdução prática à construção de narrativas que partem do corpo e do movimento, reforçando a importância da representatividade.

Cartografia de Vivências

A própria construção do filme percorre uma cartografia que conecta o urbano e o simbólico, do Parque Ayrton Senna, em Campo Grande, às margens do Rio Paraguai, em Porto Murtinho. Esses espaços atravessam as vivências das protagonistas e reforçam a ideia de fronteira como lugar de encontro, disputa e criação. Essa conexão entre locais e histórias pessoais é um dos pontos fortes do documentário, que busca ampliar os horizontes de quem assiste.

O projeto “Fronteiras” demonstra o poder do audiovisual e da dança em contar histórias que muitas vezes são silenciadas. A iniciativa gratuita em Campo Grande NEWS contribui para democratizar o acesso à cultura e promover discussões importantes sobre identidade, memória e resistência. O Campo Grande NEWS destaca a relevância de projetos como este para a diversidade cultural do estado.