Sete pessoas se apresentaram ao Núcleo de Adoção de Campo Grande demonstrando interesse em acolher um bebê de aproximadamente dois meses, que enfrenta um grave quadro de saúde. A história do menino, que nasceu prematuro e com diversas complicações médicas, como problemas cardíacos, renais, fenda palatina e lábio leporino, ganhou destaque após reportagem do Campo Grande NEWS no último dia 8. Embora o interesse seja um passo inicial importante, nenhum dos candidatos está habilitado no momento para adoção, e todos precisarão passar pelo processo obrigatório de avaliação e habilitação. A equipe do Núcleo de Adoção do TJMS agora avalia esses interessados, que precisarão comprovar preparo para os cuidados contínuos que a criança demanda. A busca é por uma família verdadeiramente comprometida, capaz de oferecer amor e suporte desde os primeiros dias de vida do bebê.
Sete corações se abrem para bebê com saúde frágil
A comoção gerada pela história do bebê em situação delicada em Campo Grande resultou em um movimento inesperado. Cerca de sete pessoas procuraram o Núcleo de Adoção da Capital após a publicação da notícia pelo Campo Grande NEWS. O menino, com cerca de dois meses de vida, nasceu prematuro e apresenta um quadro de saúde complexo, que inclui problemas cardíacos, renais, além de fenda palatina e lábio leporino. Apesar do grande número de interessados, a assistente social Rita Diniz Marques, do Núcleo de Adoção, ressalta que o interesse, por si só, não garante a adoção. Todos os candidatos precisam passar por um rigoroso processo de avaliação psicossocial para verificar se possuem o perfil adequado para cuidar de uma criança com necessidades específicas.
O caminho da habilitação: um processo essencial
Dos sete interessados, alguns já iniciaram o curso obrigatório para habilitação no Sistema Nacional de Adoção (SNA), enquanto outros ainda precisam dar os primeiros passos nessa jornada. A equipe do Núcleo de Adoção está anotando os nomes e iniciando conversas com os candidatos. A prioridade é encontrar uma família entre os pretendentes já cadastrados no sistema nacional. Caso essa busca não seja bem-sucedida, os novos interessados terão a oportunidade de passar pela avaliação psicossocial e pelo processo de habilitação. Este processo é fundamental para assegurar que os futuros pais estejam plenamente preparados para os desafios e as alegrias que a adoção de uma criança com condições de saúde especiais pode trazer.
Entendendo a responsabilidade e o compromisso
Rita Diniz Marques enfatiza a importância de os pretendentes compreenderem a profundidade do compromisso envolvido. “Não pode só, digamos assim, ter interesse. A pessoa também tem que passar por um processo de avaliação psicossocial para a gente saber se ela tem perfil para adotar uma criança com as condições dele”, explica. O bebê passou por um procedimento cirúrgico e permanece internado, com exames ainda sem resultados conclusivos e suspeitas de outros problemas de saúde que aguardam confirmação. Essa incerteza médica dificulta a apresentação de um prognóstico fechado para os possíveis pais.
“Quem for assumir a responsabilidade por essa criança tem que entender isso, que é assumir uma responsabilidade para sempre. É como pai e mãe, é ter o filho e assumir para a vida toda”, afirma a assistente social. A equipe teme que alguns interessados possam recuar ao conhecerem em detalhes a situação médica do menino. “Muitos não sabem realmente a condição de saúde dele. Sabem que é sério, mas, quando souberem mais a fundo, a gente não sabe se vão prosseguir com esse desejo”, diz Rita, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Busca por família especial e comprometida
O Núcleo de Adoção pretende agilizar as entrevistas e avaliações, com o objetivo de avançar no processo ainda neste mês ou, no máximo, no início do próximo. Apesar da sobrecarga das duas duplas técnicas responsáveis por outros casos na Capital, a situação do bebê é tratada como prioridade. A busca por uma família para ele começou desde o seu nascimento, mas até agora não houve sucesso entre os pretendentes já habilitados no sistema. “Mas a gente não desiste. A gente corre, mobiliza, sensibiliza e, se Deus quiser, encontra alguém realmente comprometido, especial, que aceite e cuide dele com tudo que ele precisa”, declara Rita.
O caso do menino é uma exceção no projeto Dar à Luz, que acompanha entregas voluntárias para adoção há 14 anos em Campo Grande. Desde 2011, o projeto já realizou 133 adoções, sendo que, normalmente, bebês entregues voluntariamente encontram famílias rapidamente. A juíza Katy Braun, idealizadora do projeto, resumiu o desafio: “A gente precisa de alguém que queira amá-lo mesmo, até o final”. Conforme checado pelo Campo Grande NEWS, a esperança é que a mobilização e o interesse demonstrado se convertam em um lar amoroso e seguro para o pequeno.

