A Rota Bioceânica ganha contornos de estratégia comercial concreta para o comércio de Campo Grande. Empresários, representantes de entidades e autoridades chilenas se reuniram na CDL de Campo Grande para debater a expansão de mercado através da rota, com propostas que incluem a criação de uma conexão aérea direta entre Campo Grande, Assunção e Iquique. O projeto é visto como o mais importante da América Latina em décadas do ponto de vista geopolítico.
A reunião, realizada na sede da CDL-CG (Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande), focou em medidas para aproximar Brasil e Chile, impulsionando o setor produtivo. O objetivo é preparar a região para se tornar uma grande fornecedora de produtos para o mercado latino-americano, aproveitando o potencial da Rota Bioceânica. Essa iniciativa pode abrir um mercado de 20 milhões de consumidores para Campo Grande, conforme destaca o presidente da CDL, Adelaido Vila.
A entidade trabalha há três anos para conectar o varejo local às oportunidades da rota de integração latino-americana. O presidente Adelaido Vila ressalta a importância estratégica da Rota Bioceânica para Campo Grande. “Se nós tivermos a capacidade e a inteligência de trazer pelo Pacífico, Campo Grande passa a ser a grande fornecedora do Brasil”, afirmou Vila. Ele explica que, atualmente, o que se consome em Mato Grosso do Sul, em grande parte, vem do Sudeste brasileiro, com muitos atravessadores encarecendo os produtos.
Grupo de empresários visitará o Chile para prospecção de negócios
Um dos próximos passos definidos na reunião é a formação de um grupo com 100 empresários para visitar o Chile. O objetivo é conhecer as potencialidades da região chilena, identificar produtos e oportunidades de negócios, e apresentar as vantagens competitivas de Campo Grande. A iniciativa visa entender “o que eles [chilenos] têm lá, quais as oportunidades efetivas”, segundo Adelaido Vila. A meta é clara: transformar Campo Grande na porta de entrada de produtos chilenos no Brasil.
Rota aérea é prioridade para agilizar o comércio
A criação de uma conexão aérea entre Campo Grande, Assunção e Iquique é uma das prioridades. O presidente da CDL-CG, Adelaido Vila, mencionou a montagem de um grupo de trabalho para definir como descobrir e trazer produtos do Chile para o Brasil. A presidente da FCDL-MS (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul), Inês Santiago, reforçou que as tratativas para a rota aérea podem começar mesmo antes da conclusão da rota terrestre. “Já podemos começar os nossos negócios fomentando uma rota aérea e essa conexão importante com esses países”, disse Santiago.
Atualmente, já existe um voo entre Assunção e Iquique. O próximo passo, segundo Inês Santiago, é criar a ligação entre Campo Grande e a capital paraguaia. Essa articulação é crucial, pois, como o diretor da Aena em Mato Grosso do Sul, Usiel Vieira, aponta, um passageiro que sai de Iquique para Campo Grande hoje enfrenta quatro operações de voo, com escalas em Santiago e Guarulhos. Uma rota direta ou com uma única conexão facilitaria significativamente o fluxo de passageiros e mercadorias.
Governo do Chile vê a Rota Bioceânica como projeto estratégico
O governador de Tarapacá, José Miguel Carvajal Gallardo, participou da reunião e enfatizou o caráter estratégico da aproximação com o comércio sul-mato-grossense. “O projeto corredor bioceânico é o projeto latino-americano mais importante do ponto de vista geopolítico das últimas décadas”, afirmou Gallardo. Ele destacou a possibilidade de iniciar a conectividade aérea entre Campo Grande e Assunção, e de Assunção a Iquique, como uma das tratativas mais significativas da visita, abrindo também portas para intercâmbios de turismo.
A Aena, concessionária de aeroportos, já avalia a viabilidade dessa conexão internacional. Usiel Vieira expressou otimismo, afirmando que a expectativa é muito boa para tornar Campo Grande, conhecida como a “porta de entrada para o Mercosul”, ainda mais conectada. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a região de Tarapacá, no Chile, vê a Rota Bioceânica como uma oportunidade ímpar para o desenvolvimento econômico e geopolítico. A integração proposta pode redefinir os fluxos comerciais na América do Sul, posicionando Mato Grosso do Sul como um hub logístico e de distribuição de produtos para todo o Brasil. As informações foram divulgadas pelo Campo Grande NEWS.
A iniciativa de articular voos e um plano para o fornecimento de produtos através da Rota Bioceânica demonstra a visão de futuro dos lojistas de Campo Grande. A expectativa é que essa integração traga ganhos significativos, reduzindo custos e diversificando o acesso a bens de consumo para a população do estado. A colaboração entre entidades empresariais, autoridades chilenas e a Aena é fundamental para o sucesso desta ambiciosa estratégia, que pode impulsionar o comércio e o turismo na região. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, o foco está em criar um ecossistema comercial robusto e eficiente, explorando ao máximo o potencial da América do Sul.

