Gaeco apreende malote após operação em complexo de regulação de saúde

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) concluiu nesta manhã (24) uma operação que investiga um complexo esquema de fraudes na saúde pública de Mato Grosso do Sul. Após quase duas horas de atuação no Complexo Regulador Estadual (Core), em Campo Grande, equipes do Gaeco deixaram o local levando um malote com material apreendido, indicando o avanço das investigações.

A Operação Gutenberg, deflagrada nas primeiras horas do dia, cumpriu um total de 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em diversas cidades do estado, além de São Paulo e Goiás. O foco da investigação recai sobre um esquema que cooptava servidores públicos para condicionar a liberação de exames, cirurgias e leitos hospitalares, além de fraudar licitações públicas.

Esquema bilionário e livros paradidáticos como fachada

Conforme informações divulgadas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o grupo criminoso utilizava a influência de servidores corrompidos na área da saúde para criar obstáculos na autorização de procedimentos médicos. Pacientes teriam sua espera por tratamentos e internações dificultada, servindo como moeda de troca dentro do esquema.

Um dos pontos centrais da operação envolve a fraude em compras públicas, especificamente na aquisição de livros paradidáticos. A investigação aponta que os suspeitos teriam direcionado procedimentos de contratação direta, baseados em inexigibilidade de licitação, para a compra desses materiais. O valor total das irregularidades apontadas chega a impressionantes R$ 27 milhões, conforme apurou o Campo Grande NEWS.

Nomes e locais da operação

A Operação Gutenberg teve ampla abrangência, com ações em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho e Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul. Foram cumpridos mandados também em São Paulo (SP) e Abadiânia (GO), demonstrando a dimensão interestadual do esquema investigado. O Batalhão de Choque e o Bope (Batalhão de Operações Especiais) prestaram apoio à ação.

O nome da operação, “Gutenberg”, faz uma alusão irônica a Johannes Gutenberg, inventor da prensa móvel e pioneiro na popularização da impressão de livros. Enquanto Gutenberg contribuiu para a disseminação do conhecimento, neste caso, os livros foram utilizados como ferramenta para dar uma aparência de legalidade a um esquema criminoso, segundo a ótica do MPMS.

Detalhes da ação no Complexo Regulador

As equipes do Gaeco chegaram ao prédio do Core por volta das 8h40 e encerraram as atividades no local às 10h45, totalizando quase duas horas de trabalho. Durante a permanência, os agentes recolheram um malote contendo documentos e outros materiais que podem servir como prova para a investigação. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) foi contatada pelo Campo Grande NEWS para comentar o caso, mas aguarda retorno.

A investigação, que teve início com a entrada dos policiais do Batalhão de Choque às 5h, busca desarticular uma organização criminosa que atuava há tempos no setor de saúde pública. A eficiência da ação e a quantidade de mandados executados reforçam a gravidade das suspeitas levantadas pelo Ministério Público.

O Campo Grande NEWS segue acompanhando os desdobramentos da Operação Gutenberg e trará novas informações assim que forem divulgadas oficialmente pelas autoridades competentes. A expectativa é que mais detalhes sobre o modus operandi do esquema e o envolvimento dos servidores e demais suspeitos sejam revelados nos próximos dias, com a análise do material apreendido.