Governo de MS afasta servidores investigados por fraude em livros e saúde

Governo de MS afasta servidores sob investigação do Gaeco

O governo do Estado de Mato Grosso do Sul anunciou o afastamento e/ou exoneração de servidores públicos que são alvos da Operação Gutenberg. A ação, deflagrada na manhã desta terça-feira (7) pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, investiga suspeitas de fraude em contratos de livros paradidáticos e influência indevida na regulação da saúde para beneficiar municípios envolvidos no esquema.

Em nota oficial, a administração estadual reafirmou seu compromisso com as ações de compliance e transparência. Como padrão de conduta, o governo determinou o afastamento e/ou a exoneração de todos os servidores envolvidos nas investigações, buscando garantir a integridade dos processos e a confiança pública nas instituições.

A Operação Gutenberg apura um suposto esquema que teria movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos públicos destinados à aquisição de livros paradidáticos. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a investigação foca em uma organização composta por empresários e servidores públicos, suspeita de direcionar licitações por inexigibilidade e de distribuir valores ilícitos entre empresas e indivíduos para ocultar a origem do dinheiro. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o Gaeco também investiga a possível atuação do grupo na área da saúde pública, utilizando sua influência para manipular exames, cirurgias e vagas hospitalares, visando pressionar ou favorecer municípios participantes do esquema.

Servidores estaduais na mira da investigação

Ao todo, 16 mandados de prisão foram expedidos contra o grupo investigado. Dentre os alvos, destacam-se dois servidores estaduais. O primeiro é Carlo Britto Burgatt, coordenador estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul. O segundo é Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Junior Vasconcelos, ex-prefeito de Fátima do Sul, que está lotado na Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e foi cedido para atuar no gabinete de um deputado estadual este ano.

Governo instaurará auditoria e acompanhará diligências

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) e a Controladoria-Geral do Estado, conforme informado pelo governo, irão acompanhar de perto as diligências policiais. Além disso, serão instauradas auditorias internas para apurar detalhadamente os procedimentos investigados pela Operação Gutenberg. Essa medida visa reforçar o controle interno e identificar quaisquer falhas ou irregularidades que possam ter ocorrido, garantindo a responsabilização e a prevenção de futuras ocorrências. A transparência e a colaboração com os órgãos de controle são prioridades para a gestão estadual, como aponta o Campo Grande NEWS em suas apurações.

Esquema bilionário em contratos públicos

A investigação do Gaeco, detalhada pelo Campo Grande NEWS, aponta para um complexo esquema de direcionamento de contratos e lavagem de dinheiro. A suspeita é de que a organização criminosa, formada por empresários e servidores públicos, tenha fraudado licitações para a compra de livros paradidáticos, movimentando uma vultosa quantia de R$ 27 milhões. O modus operandi envolveria a utilização de empresas de fachada e pessoas físicas para simular a concorrência e ocultar o fluxo financeiro ilegal.

Influência na saúde pública sob escrutínio

Além das fraudes em contratos de material didático, a Operação Gutenberg também investiga a atuação do grupo no setor de saúde pública. A suspeita é de que os envolvidos utilizassem sua influência para manipular o acesso a serviços essenciais, como exames, cirurgias e vagas em hospitais. O objetivo seria pressionar ou beneficiar municípios que estivessem ligados ao esquema, configurando um grave desvio de finalidade pública e um ataque à saúde da população. A atuação do Gaeco visa desarticular completamente essa rede de corrupção.