A Prefeitura de Campo Grande anunciou a autorização para a recuperação de uma área degradada às margens do Córrego Lagoa, localizada entre os bairros Tijuca e São Conrado. O projeto, que faz parte do PRADA (Projeto de Recuperação de Área Degradada), recebeu a Licença Ambiental Simplificada nesta segunda-feira (6) e prevê intervenções significativas para restaurar a mata ciliar e a qualidade ambiental da região.
Conforme informação divulgada pela Prefeitura, o plano inclui o **isolamento da Área de Preservação Permanente (APP)**, a **remoção de espécies exóticas invasoras** e o **plantio de mudas de vegetação nativa**. O investimento total estimado para a recuperação é de R$ 75 mil, com a licença ambiental válida até junho de 2029. Os serviços, segundo o divulgado, têm início previsto para o segundo semestre de 2026.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) detalhou que as intervenções visam recuperar a área diretamente afetada pelas obras de construção de uma ponte sobre o córrego e pela pavimentação da via marginal. O imóvel público em questão possui aproximadamente 2,7 mil metros quadrados, dos quais cerca de 40% correspondem à APP, área de vital importância para a conservação ambiental.
Detalhes do Projeto de Recuperação
Um dos focos principais do projeto é a erradicação de espécies invasoras, como a leucena, conhecida por seu potencial de prejudicar a biodiversidade local. Após a remoção dessas plantas, será realizado o plantio de mudas de espécies nativas da região. A manutenção da área recuperada está garantida por, no mínimo, cinco anos, assegurando o sucesso do reflorestamento.
A Sisep informou que, durante as vistorias iniciais, **não foram constatados processos erosivos** significativos no local, o que facilita o trabalho de recuperação. A expectativa é que a retirada das espécies invasoras e o plantio das mudas ocorram no início do período chuvoso, por volta de meados de outubro, aproveitando a umidade para o desenvolvimento das novas plantas.
A execução do projeto será realizada pela própria prefeitura, utilizando equipes, maquinários e recursos próprios da Sisep. As mudas necessárias para o plantio serão fornecidas pelos viveiros municipais, demonstrando o compromisso da gestão com a sustentabilidade. A Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb) será responsável pela fiscalização e acompanhamento do cumprimento das exigências da licença ambiental.
Histórico de Degradação e Ações Anteriores
O local onde será realizada a recuperação já foi palco de problemas ambientais e estruturais. A ponte sobre o Córrego Lagoa precisou de reparos em decorrência de chuvas intensas em 2017 e 2021, que causaram o desabamento da estrutura. Além disso, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) já acompanhou a área devido a denúncias de despejo irregular de esgoto.
Em 2025, o MPMS instaurou um procedimento administrativo para fiscalizar o cumprimento de uma decisão judicial relacionada à proteção do Córrego Lagoa, uma Zona Especial de Interesse Ambiental (ZEIA). A ação foi motivada por reclamações de moradores sobre mau cheiro e contaminação por esgoto, que foram confirmadas por laudos da então Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur).
Esses laudos constataram o lançamento de efluentes com coloração acinzentada e odor forte, impactando diretamente a Área de Preservação Permanente. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a atuação do MPMS e a posterior intervenção da prefeitura buscam reverter esse quadro de degradação e garantir a saúde do ecossistema local.
O investimento de R$ 75 mil pode sofrer variações dependendo das condições encontradas no local, fatores climáticos e a necessidade de manutenções futuras. A Licença Ambiental Simplificada, com validade até 23 de junho de 2029, poderá ser renovada após uma avaliação técnica detalhada do progresso da recuperação da área. Acompanhe as novidades sobre este e outros projetos ambientais no Campo Grande NEWS.

