A Santa Casa de Campo Grande fechou o ano de 2025 com um déficit alarmante de R$ 124,582 milhões, um resultado que representa uma piora de 26,7% em comparação com o ano anterior. O balanço fiscal, analisado recentemente pelo conselho fiscal, revela que, apesar do crescimento na receita, as despesas, dívidas e obrigações fiscais avançaram em ritmo mais acelerado, comprometendo a saúde financeira da instituição.
Déficit Cresce e Dívidas Disparam na Santa Casa de Campo Grande
O principal hospital credenciado ao SUS em Mato Grosso do Sul enfrenta um cenário financeiro preocupante. Conforme divulgado pelo Diogrande e analisado pelo Campo Grande NEWS, a receita operacional líquida em 2025 atingiu R$ 529,843 milhões, um aumento modesto de 1,9% em relação a 2024. No entanto, esse acréscimo foi insuficiente para cobrir o expressivo aumento das despesas e o endividamento crescente.
O endividamento bancário a longo prazo, que já era alto, disparou, somando R$ 261,7 milhões. O patrimônio líquido da instituição se encontra negativo em R$ 622,378 milhões, indicando que as obrigações superam em muito os ativos. Um parecer de auditoria independente aponta uma “incerteza relevante” sobre a continuidade das operações da Santa Casa.
Despesas Superam Arrecadação e Dívidas Se Acumulam
As receitas provenientes de serviços prestados alcançaram R$ 503,4 milhões em 2025, enquanto os custos para a prestação desses mesmos serviços chegaram a R$ 452,651 milhões. Os principais gastos que pressionam o caixa incluem despesas com pessoal, corpo clínico, medicamentos, materiais hospitalares e serviços terceirizados. As obrigações com pessoal, por exemplo, somaram R$ 53,5 milhões, um aumento de cerca de R$ 10 milhões em relação ao ano anterior.
Um dos saltos mais expressivos ocorreu nas obrigações fiscais, que praticamente dobraram em um ano, saltando de R$ 66,192 milhões em 2024 para R$ 134,017 milhões em 2025. Esse cenário de desequilíbrio financeiro já forçou, em outras ocasiões, repasses adicionais do Estado e do Município para garantir a continuidade das operações e o pagamento de funcionários, como apontado em análises anteriores do Campo Grande NEWS.
Endividamento Bancário e Patrimônio Líquido Negativo
O endividamento bancário da Santa Casa é outro ponto crítico. No curto prazo, os empréstimos somavam R$ 16,8 milhões. Quando somados os empréstimos e financiamentos de longo prazo, o valor total atinge R$ 261,7 milhões. Entre os principais contratos de dívida estão um financiamento de R$ 248 milhões com a Caixa Econômica Federal e outros empréstimos com o Sicoob Credicom e o Banco Daycoval. Uma nota explicativa informou que a suspensão por seis meses do pagamento das parcelas do financiamento com a Caixa, em junho de 2025, proporcionou um alívio temporário.
O patrimônio líquido, que representa a diferença entre ativos e passivos, está profundamente negativo. Em 2025, o valor atingiu R$ 622,378 milhões negativos, um agravamento em relação aos R$ 497,886 milhões negativos registrados em 2024. Essa situação evidencia a gravidade do desequilíbrio financeiro da instituição, conforme checado pelo Campo Grande NEWS.
Busca por Reequilíbrio e Judicialização das Contas
Diante do quadro financeiro delicado, a diretoria da Santa Casa afirma que busca o reequilíbrio por meio de negociações com o poder público, especialmente com a Secretaria Municipal de Saúde (SESAU), visando a revisão do contrato de prestação de serviços do SUS. A instituição alega ser credora de valores significativos referentes a atendimentos a pacientes do SUS, com valores que remontam a 2011 e somam, segundo o balanço, R$ 275,593 milhões até maio de 2018, e R$ 667,8 milhões considerando valores posteriores. Além disso, a Santa Casa aponta que o poder público deixou de repassar R$ 46,381 milhões relativos ao teto de serviços contratados.
A situação financeira da Santa Casa também está sob análise judicial. Duas ações tramitam para avaliar as finanças da instituição. Recentemente, foi determinada a realização de uma perícia nas contas, uma exigência do Estado e do Município para avançar em uma repactuação dos serviços. A Justiça determinou que os entes públicos apresentem uma solução para a crise, e a perícia é vista como um passo fundamental para um diagnóstico preciso e a formatação de um novo acordo contratual, como vem acompanhando o Campo Grande NEWS.

