Mortes em Corumbá ligadas a execução de soldado, diz PM

Cinco homens morreram em Corumbá nos últimos dias em ações policiais, e o comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, coronel Renato dos Anjos Garnes, afirmou nesta segunda-feira (6) que a maioria desses óbitos tem ligação direta ou indireta com a morte do soldado Marcelo Pimenta da Silva. O militar foi assassinado com um tiro de fuzil durante uma abordagem policial na noite de terça-feira (30).

Segundo Garnes, as mortes ocorreram em um contexto de disputa pelo tráfico de drogas na região de fronteira. Unidades especializadas, como o Choque e o Bope, além da inteligência da PM, estão mobilizadas na cidade para localizar outros envolvidos nos crimes. Conforme o comandante, a polícia já trabalhava com a possibilidade de retaliação após a morte do soldado.

Entre os mortos estão Everton da Silva Viana, Rubens Zilio Neto, Luis David Justiniano Flores, Alixberto Vasquez Corrales, conhecido como “Coiote”, e Marlon de Souza Silva. A atuação integrada com a polícia boliviana foi crucial para a prisão de dois suspeitos que tentaram fugir para o país vizinho, demonstrando a complexidade da operação na faixa de fronteira.

Suspeitos de matar soldado são presos e morrem em confronto

Everton da Silva Viana e Rubens Zilio Neto foram apontados como suspeitos de participar da morte do soldado Marcelo Pimenta. Everton morreu em uma ação policial ao, segundo a versão oficial, tentar tomar a arma de um agente. Rubens, que já estava preso, morreu durante o deslocamento para um presídio em Campo Grande.

O comandante relatou que a morte de Rubens foi resultado de uma emboscada preparada por criminosos. A viatura do Bope que transportava Rubens teve um pneu furado na BR-262, próximo a uma área de mata, momento em que houve disparos. “Dificilmente um pneu de viatura fura. Mas justamente furou naquele momento, ou seja, a emboscada estava preparada”, declarou Garnes.

A investigação sobre a morte de Rubens está sob condução da Polícia Judiciária Militar e da Polícia Civil, com apoio da inteligência da PM-MS. O autor dos disparos contra a escolta ainda não havia sido localizado até a divulgação das informações.

Bolivianos envolvidos em apoio a grupo criminoso

Luis David Justiniano Flores e Alixberto Vasquez Corrales, ambos de nacionalidade boliviana, morreram durante a Operação Jovem Guerreiro. De acordo com o comandante, eles teriam dado apoio ao grupo que participou da ação inicial, que visava outro criminoso, mas resultou na morte do policial. “Eles deram apoio à equipe daqueles três primeiros que foram efetuar o atentado contra o outro cidadão. Eles deram apoio e estão envolvidos diretamente no fato”, explicou.

Segundo a Polícia Militar, os dois bolivianos foram localizados após denúncia de transporte de drogas. Eles teriam atirado contra policiais ao descerem de um veículo, e dois revólveres calibre .38 foram apreendidos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a polícia boliviana auxiliou na abordagem dos suspeitos que cruzaram a fronteira.

Marlon de Souza Silva morre em ação do Choque com 3,2 kg de maconha

Na madrugada desta segunda-feira, Marlon de Souza Silva, de 42 anos, morreu em uma ação do Batalhão de Choque em Corumbá. Ele foi abordado em um veículo na BR-262 e, segundo o boletim de ocorrência, atirou contra os militares após não obedecer à ordem de parada. Ele foi atingido, socorrido, mas não resistiu.

No veículo de Marlon, os policiais encontraram 3,245 quilos de maconha, um revólver calibre .38 e um fuzil. Marlon seria de Caxias e atuaria no transporte de veículos para a Bolívia, retornando com drogas para estados como Rio de Janeiro e Espírito Santo, segundo levantamentos iniciais. A informação foi apurada pelo Campo Grande NEWS.

Forças especializadas seguem em Corumbá para conter criminosos

O comandante reforçou que as ações de policiamento continuam em Corumbá com a participação de unidades especializadas como o Bope, Choque, DOF e TOR. O objetivo é conter o avanço de grupos criminosos na região e localizar todos os envolvidos na morte do soldado Marcelo Pimenta. “Nós vamos continuar com as ações. As abordagens estão ocorrendo”, afirmou.

A morte do soldado Marcelo Pimenta, segundo o comandante, ocorreu após um desacordo entre traficantes. “O que nós temos é que houve um desacordo entre as partes, entre os traficantes de droga. Em decorrência desse desacordo, ocorreu, infelizmente, a morte do nosso policial militar”, disse. O grupo pretendia matar um rival, mas a ação culminou na morte do militar durante a abordagem. O Campo Grande NEWS acompanha o caso de perto, buscando trazer todas as atualizações para seus leitores.