De cadeira de rodas a maratonista: Campo-grandense realiza sonho de correr 42 km

A quinta edição da Maratona de Campo Grande, realizada neste domingo (5), celebrou não apenas o desempenho dos atletas, mas também as inspiradoras jornadas de perseverança e recomeço. Entre os milhares de participantes, a história de Matheus Cabral Outo, de 29 anos, tocou profundamente quem acompanhava a prova, demonstrando que limites podem ser superados com determinação e apoio.

Matheus, que há pouco mais de um ano se via em uma cadeira de rodas após um grave acidente de moto, cruzou a linha de chegada dos 42 quilômetros, realizando um sonho que parecia inatingível. O acidente, ocorrido em fevereiro de 2025, deixou o jovem com diversas fraturas, traumatismo e um coágulo no pulmão, demandando cerca de 60 dias de imobilidade.

Maratonista celebra conquista inédita após grave acidente

A recuperação de Matheus foi um processo gradual, iniciando com passos hesitantes e evoluindo para os primeiros trotes no Parque das Nações Indígenas. A paixão pela corrida nasceu em sua primeira prova de rua, um momento que, segundo ele, mudou sua vida.

“Foi incrível. Eu me apaixonei à primeira vista. Depois vieram as meias maratonas e coloquei no coração que queria fazer uma maratona”, relatou Matheus, evidenciando a força de vontade que o impulsionou.

Desde dezembro do ano passado, o atleta seguiu uma preparação rigorosa, focada em alcançar o objetivo dos 42 quilômetros. A conquista deste domingo representa a concretização de um trabalho árduo e a superação de um passado que o manteve em uma cadeira de rodas.

“Hoje eu entreguei todo o trabalho, todo o suor. Me sinto realizado. Hoje eu virei 1% da população mundial. Sou maratonista”, declarou emocionado ao cruzar a linha de chegada, celebrando um feito que antes sequer imaginava ser possível.

Ele fez questão de agradecer a toda a equipe que o apoiou durante a jornada. “Isso aqui não é só uma conquista minha. Minha assessoria, meu treinador, minha personal, minha nutricionista, meu fisioterapeuta e todos que me apoiaram fizeram parte dessa caminhada”, enfatizou.

Questionado se imaginava viver esse momento enquanto estava na cadeira de rodas, a resposta foi categórica: “Jamais. Nunca passou pela minha cabeça que um dia eu seria maratonista. Antes do acidente eu não fazia academia, não corria e não praticava atividade física. Hoje, depois de colocar esse objetivo no meu coração, me sinto realizado.”, conforme apurou o Campo Grande NEWS.

Outras histórias de superação na prova

Além de Matheus, o militar da reserva Sandro Nerry, de 63 anos, também demonstrou grande superação. Sandro, que corre desde a época militar, intensificou sua rotina de treinos em 2022, incentivado pela filha, e participou de diversas provas pelo Brasil.

“Eu já corria porque sou militar, e dentro do quartel a gente sempre corre. Mas não como hoje, treinando todo fim de semana, participando de assessoria e de provas pelo Brasil todo. Em 2022 minha filha me convidou para fazer a Sampa Silvestre. De lá pra cá, eu não parei mais”, contou Sandro.

A Maratona de Campo Grande já faz parte da trajetória do corredor, que participou da edição anterior. Ele elogiou o novo percurso, destacando que a altimetria negativa auxiliou na conquista de seu recorde pessoal na meia maratona, completada em 1h58.

“É uma sensação de vitória, de dever cumprido, de satisfação, de conquista. Dá vontade de voltar e fazer novamente”, descreveu Sandro sobre a emoção de cruzar a linha de chegada.

Novo percurso e recorde de inscritos

A quinta edição da Maratona de Campo Grande foi marcada por um novo percurso, que segundo a organizadora Kassilene Cardadeiro, foi amplamente aprovado pelos corredores e exigiu um planejamento minucioso da equipe.

“Hoje a gente finaliza a Maratona de Campo Grande. Foram três dias de evento. Foi um desafio e realmente uma novidade deste ano. A gente gostou demais, os atletas estão bem satisfeitos”, afirmou Kassilene.

A competição bateu recorde de inscritos, com 5.306 participantes, o maior número da história da prova. Esse feito contribuiu para um recorde de público e maior permanência na cidade, um dos objetivos da organização, conforme o Campo Grande NEWS checou.

“Tivemos recorde de público e maior permanência na cidade. Essa é a intenção: trazer uma competição de alto nível e aumentar nossa permanência aqui em Campo Grande”, explicou Kassilene.

A organização celebrou o sucesso da iniciativa, com feedback positivo dos atletas validando a aposta no novo percurso. “Todos os percursos da maratona este ano têm altimetria negativa e o corredor confirmou. A gente vendeu essa ideia, mas hoje ela foi validada”, concluiu Kassilene.

As histórias de Matheus e Sandro, entre estreias e recordes pessoais, reforçam que, para muitos corredores, a maior conquista na Maratona de Campo Grande foi a jornada de superação e a prova de que é possível transformar adversidades em vitórias. O evento, como destacado pelo Campo Grande NEWS, provou ser um palco de inspiração e superação para todos os envolvidos.