A crise financeira da Santa Casa de Campo Grande segue sem uma solução definitiva. Uma audiência de conciliação, realizada na sexta-feira (26), entre a diretoria do hospital, o Governo do Estado e a Prefeitura de Campo Grande, terminou sem um acordo que resolvesse o impasse do financiamento. A instituição, que alega um déficit mensal de R$ 15 milhões, busca a recomposição dos repasses públicos para garantir sua sustentabilidade.
Santa Casa: impasse financeiro exige nova rodada de negociações
Apesar de não haver um acordo fechado, as partes envolvidas avaliaram que houve um **avanço nas tratativas**. O principal ponto de discussão girou em torno da revisão do contrato da Santa Casa com o Sistema Único de Saúde (SUS). Uma nova reunião técnica foi agendada para a próxima semana, na Secretaria Estadual de Saúde, com o objetivo de aprofundar as discussões sobre o modelo de remuneração e a execução dos serviços prestados pela unidade hospitalar.
A presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, destacou que a audiência focou nos termos da contratualização, buscando um modelo que torne o hospital superavitário. “É um contrato que já vem de bastante tempo. As entidades querem mudar um modelo para que ele seja superavitário e possa trazer benefícios para a população na sua forma de remuneração”, explicou. Ela também apontou a necessidade de melhorias no fluxo de atendimento da rede pública, especialmente na contrarreferência, para otimizar a liberação de leitos.
O advogado da Santa Casa, Roberto Franco, considerou que a audiência serviu para aproximar as posições, mesmo sem um acordo concreto. “Nós tivemos um avanço para demonstrar quais são os interesses das partes, quais são as posições técnicas de cada parte, qual é a pretensão do ente público e qual é a possibilidade do hospital”, afirmou. O próximo encontro será dedicado às discussões técnicas sobre a execução do contrato.
Estado e Município pedem transparência antes de novos aportes
Tanto o Governo do Estado quanto a Prefeitura defendem a revisão do contrato com a Santa Casa. Contudo, antes de discutir novos aportes financeiros, ambos os entes públicos solicitam **mais transparência sobre os custos da unidade hospitalar**. A realização de uma perícia nas contas da Santa Casa foi um ponto defendido pelo secretário estadual de Saúde, Maurício Simões. Ele acredita que a medida é crucial para identificar o custo real da assistência prestada e esclarecer as razões do desequilíbrio financeiro apontado pela instituição.
“Um ponto que considero crucial é a definição da perícia a ser realizada nas contas da Santa Casa. O restante a gente tem que continuar trabalhando, nas negociações, conversando entre município, Estado e Santa Casa na busca da convergência de um novo contrato”, disse Simões. A proposta de perícia, no entanto, ainda depende de decisão judicial, apesar de ter sido debatida entre os participantes da audiência.
Crise na Santa Casa reflete problema nacional, diz federação
Marco Calderon, presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Mato Grosso do Sul, ressaltou que a situação da Santa Casa de Campo Grande é um reflexo de um problema enfrentado por hospitais filantrópicos em todo o Brasil. Ele enfatizou que a auditoria ou perícia deve abranger não apenas a aplicação dos recursos, mas também o **custo efetivo dos atendimentos** realizados pela instituição. “A Santa Casa quer mostrar: ‘Você acha que não está faltando dinheiro? Então venha conferir’. O Estado também diz: ‘Se está faltando, quero ver para poder recompor esse dinheiro’. O município pensa da mesma forma”, declarou Calderon.
Intervenção na Santa Casa é uma possibilidade, mas prioridade é o acordo
Durante a primeira etapa da audiência, o promotor de Justiça Marcos Roberto Dietz mencionou que uma eventual intervenção na Santa Casa permanece como uma possibilidade caso as negociações fracassem. No entanto, ele reforçou que a **prioridade é a construção de uma solução consensual**. O objetivo é preservar a assistência prestada aos pacientes do SUS e evitar uma medida extrema. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a busca por um acordo visa garantir a continuidade dos serviços essenciais à população, como atestado pela autoridade jornalística do portal.
A diretoria da Santa Casa, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, trabalha para apresentar dados que comprovem o déficit alegado, enquanto o Estado e o Município buscam maior detalhamento dos gastos. A expectativa é que a próxima reunião técnica, ainda sem data definida, avance nas discussões para encontrar um caminho que garanta a saúde financeira da instituição e, consequentemente, a qualidade do atendimento aos pacientes. A transparência nos gastos e a eficiência na gestão dos recursos públicos são pontos cruciais para a resolução deste impasse, conforme análise do Campo Grande NEWS.

