A renomada historiadora, antropóloga e escritora Lilia Schwarcz, integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), estará em Campo Grande na próxima terça-feira, 30 de julho, para uma discussão fundamental sobre um tema que ainda divide opiniões no país: o mito da democracia racial. O evento, promovido pela Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), promete trazer à tona as contradições e os mecanismos que sustentam essa narrativa, conforme apurou o Campo Grande NEWS.
A palestra, intitulada “O mito da democracia racial como linguagem”, ocorrerá às 19h30, no auditório da ASL, localizado na Rua 14 de Julho, nº 4.653, no bairro Altos do São Francisco. A entrada é gratuita e aberta ao público, configurando-se como uma oportunidade imperdível para aprofundar o conhecimento sobre as complexas relações raciais brasileiras.
Segundo Lilia Schwarcz, o conceito de mito da democracia racial não se trata de uma simples falsidade, mas sim de uma contradição que se perpetua e se fortalece por meio de tensões históricas. A intelectual, que se tornou uma das vozes mais influentes nos estudos sobre escravidão, raça e identidade no Brasil, abordará como essa linguagem disfarça privilégios e exclusões.
A Persistência do Racismo Estrutural
O presidente da ASL, Henrique de Medeiros, ressalta a importância da discussão proposta por Schwarcz, afirmando que os “valores da democracia racial ainda ocultam fatos determinantes de privilégio e de exclusão na sociedade, disfarçando o racismo estrutural no Brasil”. Essa visão reforça a necessidade de desconstruir discursos que minimizam a desigualdade racial no país.
A palestra faz parte do projeto “ABL na ASL: Palestras Imortais”, uma iniciativa conjunta entre a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, o Governo do Estado, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), e a Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc). A parceria visa democratizar o acesso a debates intelectuais de alto nível e promover a cultura em Mato Grosso do Sul.
Quem é Lilia Schwarcz?
Lilia Katri Moritz Schwarcz é uma figura proeminente no cenário acadêmico e literário brasileiro. Com formações em História e Antropologia, ela se consolidou como uma referência em pesquisas sobre a escravidão, as relações raciais, a formação da identidade nacional, a monarquia e o autoritarismo no Brasil. Sua eleição para a Academia Brasileira de Letras em 2024 a consagrou como a 11ª mulher a ocupar uma cadeira na instituição.
Com uma vasta carreira acadêmica, Schwarcz foi professora titular da USP (Universidade de São Paulo) e pesquisadora visitante na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Cofundadora da renomada editora Companhia das Letras, publicou mais de 30 livros, muitos dos quais traduzidos para diversas línguas. Entre suas obras mais aclamadas estão “O Espetáculo das Raças”, “As Barbas do Imperador”, “Brasil: Uma Biografia”, “Sobre o Autoritarismo Brasileiro” e “Enciclopédia Negra”. O Campo Grande NEWS destaca a relevância de suas publicações para a compreensão da sociedade brasileira.
Cultura e Arte na Noite de Debates
Além da palestra principal, o evento contará com atrações culturais que enriquecerão a programação. O projeto “Arte na Academia”, em parceria com a Confraria SociArtista, exibirá obras da artista visual Andréa Luz, cujos trabalhos exploram a temática indígena, a fauna e a flora do Pantanal, temas caros à identidade sul-mato-grossense, como noticiado pelo Campo Grande NEWS.
Complementando as atividades, o projeto “Música Erudita e suas Fronteiras”, desenvolvido em colaboração com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), apresentará o violonista Pedro Irineu. O jovem músico, que já foi finalista do XI Concurso Nacional de Violão Fred Schneiter, promete uma performance memorável.
O evento, confirmado para o dia 30 de junho de 2026, a partir das 19h30, no Auditório da ASL, reforça o compromisso com a promoção do debate intelectual e cultural. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a entrada é gratuita e o traje sugerido é esporte, tornando o acesso ainda mais facilitado para todos os interessados em aprofundar o debate sobre o racismo e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

