PGR quer Mendonça relatando investigação sobre financiamento do filme de Bolsonaro

PGR defende que Mendonça relate pedido de investigação sobre filme de Bolsonaro

A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente à designação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), como relator de um pedido para investigar os pagamentos efetuados pelo banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Procuradoria entende que Mendonça, que já é o relator do caso Master na Corte, seria o magistrado mais adequado para analisar esta nova demanda.

A solicitação para que Mendonça assumisse a relatoria partiu do ministro Alexandre de Moraes. Moraes, que recebeu uma petição do deputado federal Lindberg Farias (PT-RJ), pedia a investigação sobre uma suposta solicitação de dinheiro feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Daniel Vorcaro. O objetivo seria o custeio das gravações do filme.

Diante do parecer da PGR, que sugere o envio do caso para Mendonça, Alexandre de Moraes submeteu a decisão final ao presidente do STF, Edson Fachin. Caberá a Fachin, portanto, determinar quem será o relator oficial do pedido de investigação.

Entenda o caso: ligações entre financiamento e investigações

A polêmica surgiu após a revelação de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Lindberg Farias, em sua petição, argumentou que haveria uma conexão entre o financiamento do filme “Dark Horse” e as ações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Segundo Farias, Eduardo teria atuado para fomentar sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Brasil, e, por isso, pediu a ampliação das investigações.

Alexandre de Moraes é o relator do inquérito que envolve Eduardo Bolsonaro, que recentemente foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. Contudo, ao receber a petição de Farias, Moraes buscou o posicionamento da PGR. A Procuradoria, ao analisar a matéria, concluiu que o caso deveria ser encaminhado a André Mendonça, dada a sua conexão com o caso Master, que também envolve Daniel Vorcaro.

O filme e as declarações do senador

O filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro, ganhou os noticiários após o site The Intercept divulgar conversas onde o senador Flávio Bolsonaro solicita recursos a Daniel Vorcaro para custear as filmagens. A conversa entre o senador e o banqueiro ocorreu em novembro do ano passado.

Em resposta às divulgações, Flávio Bolsonaro negou veementemente qualquer acordo para obter vantagens indevidas com o banqueiro. O senador afirmou que os recursos utilizados para o financiamento do filme eram de origem privada e que não houve irregularidades em suas ações.

Eduardo Bolsonaro e a produção executiva

Posteriormente à divulgação das conversas entre Flávio e Vorcaro, veio à tona a informação de que Eduardo Bolsonaro teria atuado como produtor-executivo do filme “Dark Horse”. Essa atuação, segundo a petição de Lindberg Farias, reforçaria a necessidade de investigar a relação entre o financiamento do longa e possíveis interesses políticos.

O caso segue em análise no STF, e a decisão de Fachin sobre a relatoria definirá os próximos passos da investigação. A comunidade jurídica acompanha atentamente os desdobramentos, que podem trazer novas revelações sobre as conexões entre figuras políticas, empresários e produções cinematográficas.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, a Procuradoria-Geral da República busca centralizar as investigações que envolvam Daniel Vorcaro em um único relator no STF. Essa medida visa a garantir maior eficiência e coerência nas apurações. A atuação de Eduardo Bolsonaro como produtor-executivo do filme, conforme reportado pelo Campo Grande NEWS, adiciona uma nova camada de complexidade ao caso, que já se mostra intrincado.

A decisão do ministro Fachin é aguardada com expectativa, pois definirá o rumo das investigações sobre o financiamento do filme e suas possíveis ramificações. A expertise de André Mendonça em casos que envolvem figuras públicas e investigações financeiras é um dos fatores que levam a PGR a defender sua relatoria, como analisado pelo Campo Grande NEWS.