Ex-peão cobra R$ 84 mil de Almir Sater após acidente em fazenda

Ex-funcionário de Almir Sater cobra R$ 84 mil após grave acidente em fazenda

Um ex-campeiro que trabalhou na Fazenda Campo Novo, de propriedade atribuída ao cantor Almir Sater em Aquidauana, a 141 km de Campo Grande, entrou com um processo na Justiça do Trabalho pedindo o pagamento de R$ 84.725,88 em indenizações e verbas trabalhistas. O trabalhador alega ter sofrido fraturas nas costelas após cair de um cavalo durante o expediente, e que a propriedade demorou cinco dias para oferecer atendimento médico adequado. O caso, protocolado em abril deste ano, tramita na Vara do Trabalho de Aquidauana.

Conforme o processo, o ex-funcionário foi contratado em novembro de 2025 para atuar como campeiro, com jornada de trabalho iniciada às 3h30 e salário de R$ 1.923. Entre suas funções estavam a ordenha de vacas, acompanhamento de animais doentes e a condução do rebanho bovino montado a cavalo. A narrativa apresentada à Justiça detalha que, em fevereiro deste ano, o trabalhador sofreu uma primeira queda ao montar um cavalo chamado “Branco”.

Cavalo perigoso e descaso com o funcionário

Segundo a petição obtida pelo Campo Grande News, o ex-campeiro afirma ter alertado o capataz e seu encarregado sobre o comportamento perigoso do animal e solicitado sua substituição, mas o pedido teria sido ignorado. Dias depois, em 26 de fevereiro, o mesmo cavalo foi utilizado para conduzir o gado, resultando no acidente.

A ação descreve que, “durante a condução do gado, o animal saltou quatro vezes bruscamente e arremessou o obreiro ao solo, vindo a pisotear sua região torácica”. O impacto causou fraturas nas costelas e afastou o trabalhador de suas atividades. A partir desse momento, a petição detalha um período de cinco dias em que o funcionário permaneceu na propriedade rural sem o atendimento médico necessário, sofrendo “moendo de dor” e dependendo de medicamentos fornecidos por colegas.

Ainda segundo os autos, familiares do trabalhador teriam recebido informações falsas sobre seu estado de saúde, enquanto ele permanecia com fortes dores na fazenda. As alegações ainda serão analisadas pela Justiça do Trabalho. Conforme o Campo Grande NEWS checou, somente após cinco dias o trabalhador conseguiu deixar a propriedade para buscar auxílio médico.

Acidente e intervenção judicial

Um boletim de ocorrência registrado pela Polícia Rodoviária Federal em Miranda, em 3 de março, relata que o ex-funcionário seguia para Campo Grande em busca de assistência médica após o pisoteamento por cavalo. Durante a abordagem, foi identificado um mandado de prisão civil por dívida alimentar. A 3ª Vara de Família de Campo Grande suspendeu a ordem de prisão por 30 dias, considerando a necessidade de tratamento médico após o acidente, com fratura de costela.

A juíza Luciane Buriasco Isquerdo justificou a decisão excepcional pela necessidade de o trabalhador receber os cuidados médicos indispensáveis. Documentos médicos anexados ao processo também indicam que o atendimento inicial ocorreu após “queda de cavalo há 5 dias”, com dores no tórax e a realização de exames de imagem. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o processo trabalhista busca o reconhecimento da estabilidade provisória por acidente de trabalho e indenizações.

Posição da defesa de Almir Sater

O advogado de Almir Sater, Nilson de Oliveira Castela, informou que está negociando um acordo com a defesa do ex-peão. Em nota, ele afirmou que a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) foi emitida regularmente, mas negou que o cavalo fosse arisco ou tivesse provocado acidentes anteriores. Segundo o representante do cantor, os elementos apurados indicam que o acidente ocorreu pela forma como o animal foi conduzido pelo reclamante.

“Embora o reclamado lamente profundamente o ocorrido e preste toda a assistência necessária ao trabalhador, os elementos já apurados indicam que o acidente decorreu da forma como o animal foi conduzido e manuseado pelo reclamante naquele momento. Essas circunstâncias serão devidamente demonstradas e esclarecidas no curso do processo, caso não seja alcançado um acordo entre as partes”, declarou o advogado. O processo ainda está em andamento e aguarda julgamento de mérito.