Rato morto, tesoura e lixo: mulher relata 3 anos de terror com vizinhos

Uma moradora do Bairro Vida Nova, em Campo Grande, vive uma situação de pesadelo há três anos. A rotina da veterinária e mãe de uma menina de 10 anos tem sido marcada pelo constante recebimento de lixo, restos de comida, pedras, garrafas, tesouras e até mesmo um rato morto arremessados por cima do muro de sua casa. A situação, que já gerou medo na filha e a levou a acompanhamento psicológico, se tornou um ciclo de angústia e insegurança, apesar de boletins de ocorrência e tentativas de resolução.

O descaso e a hostilidade dos vizinhos, segundo a denunciante, começaram após uma família se mudar para o imóvel ao lado. Inicialmente, o problema se resumia a sacos de lixo e restos de comida, mas com o tempo, os objetos passaram a representar um perigo real para a segurança da mulher, de sua filha e de seus animais de estimação. A preocupação com possíveis substâncias tóxicas nos alimentos jogados e a incerteza sobre a procedência de animais mortos aumentam a aflição diária.

Apesar de ter registrado diversos boletins de ocorrência, acionado órgãos públicos e até contratado um advogado, a moradora afirma que o problema persiste sem solução. Câmeras de monitoramento foram instaladas, mas não coíbem as ações dos vizinhos. A situação levou a filha da vítima a desenvolver medo de ficar no quintal, impactando seu bem-estar e a dinâmica familiar. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a persistência do problema e a falta de resolução por parte das autoridades e proprietários têm gerado um sentimento de impotência na vítima.

Três anos de tormento e objetos perigosos no quintal

A gota d’água para a moradora foi encontrar um rato morto em seu quintal, um episódio que se soma a uma lista de objetos perigosos lançados por cima do muro. Entre os itens já encontrados estão pedras, pedaços de madeira, garrafas PET, presilhas metálicas e tesouras. A veterinária expressa sua preocupação constante com a segurança, especialmente por ter crianças e animais em casa, temendo que objetos possam causar ferimentos graves ou intoxicações.

Em um dos episódios mais recentes, a moradora encontrou diversas presilhas metálicas espalhadas pela grama logo após realizar a limpeza do quintal. O receio é que esses objetos possam atingir pessoas, animais ou até mesmo danificar equipamentos utilizados na manutenção da residência. A sensação é de viver em constante alerta, sem saber o que pode cair em sua propriedade a qualquer momento.

Boletins de ocorrência e busca por justiça

A situação já foi formalizada através de boletins de ocorrência. Em junho deste ano, a moradora registrou um boletim na 7ª Delegacia de Polícia relatando atos reiterados de perturbação e hostilidade, incluindo o lançamento de objetos diversos, restos de alimentos, animais mortos e lixo. Fotografias de um rato morto, uma tesoura e presilhas metálicas foram anexadas ao procedimento policial, como evidências das ações dos vizinhos.

Anteriormente, em março de 2025, outro boletim foi registrado por injúria e ameaça, decorrente de uma discussão motivada pelo lixo jogado entre os imóveis. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a vítima buscou também o Conselho Tutelar, a Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista), a proprietária do imóvel e a imobiliária responsável pela locação, mas as ações não surtiram efeito para a resolução do conflito.

Impacto psicológico na filha e na rotina familiar

O tormento vivido pela mãe reflete diretamente na vida de sua filha de 10 anos. A menina, que antes gostava de brincar ao ar livre, desenvolveu medo de permanecer no quintal e tem expressado o desejo de mudar de casa. O acompanhamento psicológico se tornou necessário para lidar com a ansiedade e o trauma gerados pela situação. A mãe lamenta a perda da tranquilidade em um lar que foi uma conquista para a família, afetando a rotina e a possibilidade de receber visitas ou realizar confraternizações.

A moradora relata ter investido financeiramente em limpeza, monitoramento, manutenção da residência e assistência jurídica, mas a sensação é de que a omissão de quem poderia agir contribui para a perpetuação do problema. Conforme o Campo Grande NEWS destaca, a falta de uma solução efetiva por parte das autoridades e dos responsáveis pela propriedade vizinha agrava o sofrimento da vítima e de sua família, que vivem em constante apreensão.

A reportagem esteve no local, mas não obteve contato com os moradores apontados na denúncia. O espaço permanece aberto para manifestação da família vizinha, da proprietária do imóvel e da imobiliária mencionadas.