Parque do Prosa: estudo definirá altura de prédios em bairros de Campo Grande

Um estudo técnico crucial será realizado pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) para determinar a altura máxima de novos empreendimentos em dois bairros de Campo Grande. A iniciativa visa definir parâmetros para a verticalização na Zona de Amortecimento do Parque Estadual do Prosa, uma área de 472,3068 hectares que abrange partes dos bairros Carandá Bosque e Jardim Veraneio. A expectativa é que o levantamento, com prazo para conclusão até setembro deste ano, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses, traga diretrizes claras para o desenvolvimento urbano na região, que atualmente carece de um limite de altura definido para edificações. O tema, no entanto, já divide opiniões entre ambientalistas e representantes do setor da construção civil.

A discussão sobre a verticalização no entorno do Parque Estadual do Prosa ganhou força após uma audiência pública realizada nesta sexta-feira (19). O estudo do Imasul busca avaliar os impactos ambientais antes de estabelecer regras, conforme explicou Leonardo Palma, gerente da Unidade de Conservação do Imasul e presidente do Conselho Construtivo do Parque Estadual do Prosa. “Estamos fazendo um estudo da altura dos pavimentos. No setor 1 não há essa regra. Vamos ver qual é a altura que não traz um impacto significativo para dentro da unidade de conservação, ver a quantidade de pessoas que vai circular e o trânsito das aves e da fauna”, pontuou.

Palma ressaltou que a decisão levará em conta diversos fatores ambientais. “Essa zona de amortecimento que foi decretada nesse ano, traz diretrizes para a ocupação correta desse espaço. Nós temos que pensar tudo o que tem dentro do parque, questão dos animais, da flora, solo, água. O grande problema do Parque Estadual do Prosa é a drenagem, se a gente olhar o Parque das Nações Indígenas, ele está sempre assoreando, por conta da ocupação do entorno. Quando impermeabiliza, a água vem com mais força”, alertou.

Impactos da Verticalização na Fauna e Drenagem

A verticalização pode trazer consequências negativas para o meio ambiente, como a prejuízo à fauna, o aumento do fluxo de veículos e a interrupção de corredores ecológicos. Leonardo Palma enfatizou que, a longo prazo, os lagos do Parque das Nações Indígenas necessitam de limpeza frequente devido ao assoreamento, um problema que pode ser agravado com o aumento da impermeabilização do solo no entorno do Parque do Prosa. A zona de amortecimento, regulamentada por decreto da Semadesc (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), abrange 769,5 hectares e tem como objetivo reduzir os impactos da urbanização sobre o parque, totalizando com a área do parque 904,7 hectares protegidos.

Regras Atuais e o Debate sobre o Plano Diretor

Atualmente, os setores 2 e 3 da Zona de Amortecimento já possuem limites de altura definidos por decreto: 12 metros para o setor 2 e 15 metros para o setor 3. No entanto, o setor 1, que será foco do novo estudo, ainda não possui essa regulamentação. Representantes do movimento Amigos do Parque, como Alfredo Sulzer, defendem a preservação das características naturais da região, desejando que o parque continue sendo um refúgio para a fauna local. Por outro lado, Gustavo Shiota, presidente da Acomasul (Associação dos Construtores de Mato Grosso do Sul), critica o decreto estadual por sobrepor diretrizes já existentes no Plano Diretor, discutido de forma mais ampla com a sociedade. Shiota defende que o debate sobre o uso do solo na região seja mais abrangente e que a discussão ocorra durante a revisão do Plano Diretor, prevista para 2028.

Ação do Ministério Público e Projetos de Construção

A discussão sobre a regulamentação da zona de amortecimento do Parque Estadual do Prosa não é nova. Em setembro de 2025, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ingressou com uma ação civil pública para impedir danos ambientais. Em primeira instância, a Justiça determinou a paralisação de guias de diretrizes urbanísticas e alvarás para a construção de prédios no entorno do parque. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o embate envolveu 25 obras na região, com potencial prejuízo imobiliário de R$ 6,3 bilhões e a paralisação de cerca de 50 mil empregos. A vereadora Luiza Ribeiro (PT) informou que existem 20 projetos de construção na área, e que esforços estão sendo feitos, com apoio do movimento social e do Ministério Público, para frear essas edificações e preservar o parque como um espaço de “frescor” e “respiro” para a cidade.

O Parque Estadual do Prosa, criado em 1981, tem como objetivo ser uma “ilha de frescor” dentro da cidade, um local para a sociedade desfrutar da natureza. A preocupação é que a expansão desordenada da verticalização possa comprometer essa função. O estudo em andamento pelo Imasul é visto como um passo importante para encontrar um equilíbrio entre o desenvolvimento urbano e a conservação ambiental, garantindo que o Parque do Prosa e sua zona de amortecimento continuem a oferecer benefícios ambientais e sociais para a população de Campo Grande. O Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos desta questão que afeta diretamente o futuro da paisagem urbana e a qualidade de vida na capital de Mato Grosso do Sul.

A regulamentação da zona de amortecimento do parque, definida por decreto, visa proteger a área de 769,5 hectares, aumentando a área total protegida para 904,7 hectares. As regras abrangem uso do solo, licenciamento ambiental, drenagem, trânsito, ruído e proteção da fauna. A decisão final sobre a altura máxima dos edifícios no setor 1 da Zona de Amortecimento dependerá dos resultados deste estudo técnico, que busca conciliar as necessidades de desenvolvimento com a preservação ambiental. Acompanhe as atualizações sobre este tema no Campo Grande NEWS, que tem se dedicado a cobrir as discussões relevantes para a cidade.