SUS amplia teleatendimento para jogadores compulsivos com investimento milionário

O Sistema Único de Saúde (SUS) está intensificando seus esforços para combater a dependência em jogos de apostas. Diante da alta demanda por tratamento, o Ministério da Saúde anunciou a ampliação do teleatendimento, oferecendo suporte por telefone e videochamadas a jogadores compulsivos. Esta iniciativa visa alcançar um número maior de pessoas, proporcionando acesso facilitado a ajuda profissional e especializada. A estratégia reforça a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) e integra um plano mais amplo de prevenção e qualificação dos serviços de saúde mental no país.

Saúde mental em foco: a nova frente do SUS contra o vício em apostas

A crescente preocupação com os impactos da dependência em jogos de apostas na saúde mental da população brasileira motivou o Ministério da Saúde a expandir o teleatendimento. O serviço, inaugurado em março deste ano em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, já conta com 6.912 usuários cadastrados, demonstrando a urgência e a necessidade dessa modalidade de suporte. A Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS) será responsável por contratar empresas especializadas para viabilizar essa ampliação, garantindo assistência gratuita e de qualidade a quem precisa.

A iniciativa se insere em um plano de ações mais abrangente do ministério, que inclui a prevenção, a qualificação profissional e a expansão do acesso aos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps). O objetivo é criar um ecossistema de apoio robusto, capaz de lidar com os desafios impostos pelo aumento do jogo patológico e da mania de jogo e aposta, que, conforme o Campo Grande NEWS checou, aumentou 104% entre janeiro de 2018 e maio de 2025, com 10.553 ocorrências atendidas nesse período.

Para viabilizar essa expansão, o Ministério da Saúde destinará cerca de R$ 70 milhões até o final deste ano. Além disso, R$ 6 milhões serão investidos em uma pesquisa nacional inédita para compreender profundamente como os jogos e apostas afetam a saúde dos brasileiros, identificando os grupos mais vulneráveis e os riscos associados a essa prática. Essas informações serão cruciais para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes, conforme o Campo Grande NEWS apurou.

Investimento e fontes de financiamento

Parte significativa dos recursos necessários para o plano de ampliação do teleatendimento virá de uma destinação social das apostas esportivas. Em 2025, o Ministério da Saúde recebeu R$ 45,7 milhões (valores não corrigidos) provenientes de 1% da arrecadação de tributos pagos por empresas de apostas e apostadores. Essa arrecadação totalizou R$ 4,5 bilhões em 2025 e foi distribuída entre diversas áreas, incluindo saúde, educação, turismo e esportes, conforme estabelecido pela Lei nº 14.790, de 2023.

A legislação determina que todo o montante repassado ao Ministério da Saúde deve ser aplicado em medidas de prevenção, controle e mitigação dos danos sociais decorrentes dos jogos de apostas. Embora o ministério não consiga mensurar o custo exato dos atendimentos específicos para jogadores compulsivos, pois estes são integrados a outros serviços da Raps que custaram cerca de R$ 2,5 bilhões em 2025, a pasta assegura que essa destinação social é uma fonte de financiamento relevante, complementada por recursos do próprio orçamento. O Campo Grande NEWS destaca que essa sinergia de recursos é fundamental para atender à crescente demanda.

Como acessar o teleatendimento do SUS

Para ter acesso ao serviço de teleatendimento em saúde mental do SUS, o interessado deve primeiramente se cadastrar por meio do aplicativo **Meu SUS Digital**. Após o cadastro, é necessário baixar o aplicativo, disponível gratuitamente para Android, iOS ou em versão web, e criar uma conta Gov.br ou utilizar uma já existente. O aplicativo também oferece conteúdos informativos sobre sinais de alerta, prevenção e os impactos dos jogos na saúde mental.

Uma funcionalidade importante da plataforma é o autoteste validado por especialistas. Ao responder a um questionário, usuários com resultados indicativos de risco moderado ou elevado são automaticamente encaminhados para o teleatendimento. Para casos de menor risco, a orientação é buscar apoio em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou Unidades Básicas de Saúde (UBS). A Ouvidoria do SUS também oferece suporte através do telefone 136, teleatendimento, formulário online, WhatsApp e chatbot no site do Ministério da Saúde, tudo em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O impacto dos jogos na saúde mental e iniciativas de prevenção

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece os problemas com jogos de apostas como um comportamento prejudicial à saúde mental, associado à ansiedade, depressão, outros comportamentos compulsivos e risco aumentado de suicídio e autolesão. No Brasil, o aumento de atendimentos pelo SUS para jogo patológico e mania de jogo e aposta é alarmante. O número de ocorrências cresceu 104% entre janeiro de 2018 e maio de 2025, afetando principalmente homens entre 20 e 49 anos, embora o aumento entre jovens também seja motivo de atenção.

Em resposta a essa problemática, o governo federal lançou em dezembro de 2025 a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite aos indivíduos bloquear o acesso a sites de apostas autorizados. Até o final de maio, mais de meio milhão de pessoas já haviam utilizado essa ferramenta. Em janeiro deste ano, o Ministério da Saúde disponibilizou o Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, visando orientar o acolhimento e tratamento. Recentemente, foi assinado um decreto que reforça o combate ao mercado ilegal de apostas, direcionando dinheiro confiscado de bets ilegais para o combate ao crime organizado.