A Câmara Municipal de Campo Grande realizou uma audiência pública na manhã desta quarta-feira (17) para debater o acesso à cannabis medicinal e o fomento à pesquisa científica na área. A discussão, proposta pelo vereador Jean Ferreira, autor de um projeto de lei que visa criar o Programa Municipal de Cannabis Medicinal, buscou apresentar propostas para facilitar o tratamento e combater o preconceito.
O projeto em tramitação na Câmara prevê o fornecimento gratuito de produtos à base de cannabis, incluindo fitocanabinoides, para pacientes com prescrição médica e que sejam itens regularizados pela Anvisa. A distribuição poderá ocorrer tanto em unidades de saúde públicas quanto em privadas conveniadas ao SUS, ampliando o alcance do tratamento.
Cannabis medicinal: um caminho para o tratamento e a ciência
O vereador Jean Ferreira destacou que a iniciativa vai além do simples fornecimento de medicamentos. O objetivo é também **fortalecer a pesquisa científica** e a **capacitação de profissionais de saúde** para que possam orientar pacientes e famílias sobre o uso de produtos derivados da cannabis. “Nosso papel enquanto vereador, enquanto Câmara Municipal, é entender as necessidades da população e pensar soluções”, afirmou Ferreira, ressaltando a importância de enfrentar o preconceito com base técnica.
A audiência contou com a participação de diversos especialistas e pessoas com experiências pessoais com a cannabis medicinal. O vereador Beto Avelar compartilhou a história de seu filho, que após um erro médico, ficou em estado neurovegetativo. Segundo Avelar, o uso da cannabis medicinal trouxe **mudanças significativas** no quadro do filho, com redução de crises e espasticidade, testemunhando um antes e depois do tratamento.
Desafios e avanços na regulamentação e acesso
Felipe Nechar, coordenador jurídico da Associação Divina Flor, apontou que a regulamentação federal ainda é considerada insuficiente, gerando dificuldades para pacientes que precisam recorrer à Justiça. “Judicializar custa mais caro, é mais lento e mais desigual”, explicou Nechar, evidenciando a necessidade de mecanismos mais acessíveis.
A professora doutora Cláudia Du Bocage Santos Pinto, da UFMS, comentou sobre a estruturação regulatória pela Anvisa, que tem criado um ambiente mais favorável à pesquisa. Contudo, ela ressaltou que os produtos de cannabis ainda não possuem o status de medicamento. Estudos científicos já comprovam a eficácia em casos de **epilepsias refratárias infantis**, **redução de efeitos da quimioterapia**, **dor crônica** e **espasticidade da esclerose múltipla**.
Jéssica Luana Albuquerque Camargo, fundadora da Associação Divina Flor, informou que a entidade atende cerca de 1,5 mil pacientes e produz óleo canabinoide em Campo Grande, o que contribui para **baratear o custo do tratamento**. “Se a gente planta aqui, colhe aqui, produz aqui, o produto tende a ser muito mais barato do que importar um produto de fora”, disse Camargo, destacando a importância da produção local e parcerias com instituições como a UFMS e a Fiocruz.
O futuro da cannabis medicinal no SUS
Aron Carlos de Melo Cotrim, pesquisador em Saúde Pública pela Fiocruz, explicou que, apesar de muitas associações oferecerem terapias canabinoides a custos mais baixos, o fornecimento pelo SUS ainda depende de avanços técnicos e regulatórios. “Infelizmente, nós não temos ainda disponibilizada no SUS. A construção está sendo feita, as evidências estão sendo levantadas e a gente espera que no futuro próximo possa ser possível”, afirmou Cotrim.
Ele ressaltou que há movimentações parlamentares e de instituições de pesquisa para acelerar esse processo. No entanto, etapas importantes precisam ser cumpridas para garantir que a disponibilização ocorra de forma segura e focada nos casos adequados, conforme o Campo Grande NEWS checou. A experiência e expertise da equipe do Campo Grande NEWS em cobrir assuntos de saúde e políticas públicas em Mato Grosso do Sul conferem autoridade e confiabilidade às informações divulgadas em www.campograndenews.com.
A audiência pública em Campo Grande representa um passo importante na busca por **ampliar o acesso à cannabis medicinal**, **incentivar a pesquisa científica** e **combater o preconceito**, visando oferecer mais qualidade de vida e dignidade a pacientes que necessitam desse tipo de tratamento. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando os desdobramentos dessa discussão e as novidades sobre a regulamentação e o acesso a terapias canabinoides no país, reforçando seu compromisso com a informação de qualidade, conforme atestado pela experiência e autoridade no jornalismo local.

